A Dona do Pedaço

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sábado, 12 de maio de 2012

O Som do Silêncio

Cap. 6
O Som do Silêncio


- C.C., por que chamam você de “bruxa”?

A pergunta de Lelouch ressoa no ar. C.C., que até então se mantinha de costas pra seu antigo entregador, se vira devagar e o fita seriamente. O vento sopra algumas folhas das árvores no parque em que deram uma pausa, a caminho da mansão da moça, e move para o lago atrás dos dois. O plano diário dela não incluía uma pergunta tão indiscreta, e ainda mais partindo de alguém que ela tinha acabado de ajudar, mesmo tendo dormido com ele antes. Não; a ideia era passar na pizzaria, na doceria e retornar à sua reclusão.
“Mas, é claro, esse inconsequente Lamperouge precisava estragar tudo, metendo o nariz onde não foi chamado”, a jovem pensa antes de suspirar.

- Por que isso te interessa? Você se importa, ou só está curioso?
- Eu... Quero entender o terreno em que estive pisando.
- Oh sim. Talvez seja justo. Bem, se você quer mesmo saber, a verdade é que meu primeiro entregador particular enlouqueceu por minha causa. Não sei o que te disseram, mas eu vou resumir a minha versão dos fatos... Mao era um entregador novato naquela pizzaria, igual a você. No dia em que ele fez a primeira entrega na minha casa, notei que parecia meio perdido, como uma criança solitária. Às vezes seguintes, conversávamos sobre um pouco de tudo, e Mao criou o hábito de gravar a minha voz no celular.
- Parece muito bizarro. – o ouvinte comenta e a narradora balança a cabeça.
- É, concordo. Mas até aí, eu já estava acostumada a ser assediada por fofoqueiros irritantes. Também existem fãs esquisitos que acham minha história de vida interessante de algum modo, portanto, imaginei que Mao poderia ser apenas mais um. Porém, depois de um tempo, ele ficou estranho. Começou a me visitar fora do horário de trabalho, e a mandar presentes... Percebi que as coisas estavam saindo do controle. Mao queria mais de mim do que eu estava disposta a oferecer, então cortei nossa relação. Posteriormente, durante uma tarde em que dispensei os empregados, ele invadiu a mansão. Ainda bem que eu já tinha porte de arma. – o motoqueiro arregala os olhos – Não precisa me olhar assim; eu não o matei. Mao fugiu naquele dia.
- Mas ele continua te perseguindo, não é?! – Lelouch faz uma pausa, porém C.C. não responde – Foi esse Mao que te ligou naquele dia, certo?! Por que não informa isso à polícia? Por que deixou que todos te culpassem pelo desaparecimento dele?
- Ninguém teria motivos para acreditar em mim. O problema seria exposto como o caso de uma riquinha mimada que deu fim no pretendente após se cansar dele. Além do mais, quando um homem caça uma mulher, sempre acreditam na versão de que ela deu liberdade pra isso. – o Lamperouge suspira e vira o rosto em reflexão – A questão é que quando Mao se foi, eu preferi pedir para a pizzaria mandar minhas encomendas sempre por um entregador exclusivo. É claro, eu tive que pagar a mais por isso.
- Ah, então essa era a causa da gorjeta exagerada!... Quando aceitei esse emprego, meu patrão avisou que receberíamos a mais por cada entrega para você, mas eu pensava que era só uma mulher mimada e esbanjadora.
- E eu sou. – a ricaça sorri com confiança, fazendo-o torcer o nariz antes de segui-la até a beira do lago – Eu mantive distância dos entregadores antigos, até os respondia com frieza, para evitar que algo como aquilo se repetisse. Entretanto, eles começaram a me dar outros motivos para afasta-los em pouco tempo, como espalhar boatos ou flertar com minhas empregadas e a Kallen. Minha prima não sabe que eu descobri os planos de mais de um cretino desses, é claro. Normalmente o que tinham em mente era usa-las pra chegar a mim; nada tão diferente do que você tentou. – o motoboy desvia seu olhar, um tanto corado de vergonha – Felizmente, todos os meus criados são espertos.
- Eu acho que me lembro disso no colégio. – Lelouch faz uma careta risonha.
- Bem, resumindo, sempre havia algum entregador disposto a se candidatar para o cargo particular por razões diversas; dentre elas, sua curiosidade movida pelos boatos. E assim que um dos idiotas ficava importunando por muito tempo, eu pedia para trocarem meu entregador. Com demissões em massa, de repente comecei a ser chamada de bruxa. – a jovem ri – Não vou rebater. Também não me importo com o que os outros pensam.
- Então, você não queria a Shirley perto de mim porque estava tentando protegê-la?
- Achou mesmo que eu estava com ciúme dela? – ela acha graça ao responder com outra pergunta, causando uma careta do Lamperouge – Quando você apareceu, eu achei que ia ser como os demais, mas fiquei curiosa com a sua grosseria. Aceitou as minhas provocações e revidou, e eu gostei. Shirley e Milly comentaram que tinha sido colega de escola delas, e nem elas ou Rivalz e Rolo pareceram ter algo contra você. Me despertou certo interesse. – o motoqueiro franze o cenho com atenção – Sabia que estava tentando me conquistar, então não me importei em ceder às investidas. Só não esperava descobrir que estava fazendo tudo isso com medo de eu demiti-lo. Mas o deslize foi meu, de não ter suspeitado. Baixei a guarda, de novo. É um hábito que eu preciso perder, imagino.
- Bem... Ainda assim eu me precipitei no meu julgamento e usei você. Então, me permita dar uma compensação. O que deseja de mim?
- Quer dizer em troca de ter me insultado, mentido para mim e dormido comigo? Vejamos... – C.C. põe um indicador sobre o queixo, observando de relance o semblante de Lelouch contrair pelo seu sarcasmo – Pague pra mim duas caixas daquela pizza nova que estreou no cardápio. Também vou precisar de carona para ir a um lugar amanhã.
- Isso é inesperadamente barato para uma compensação.
- Minha maior alegria será não ter que ver mais o seu rosto quase todo dia. – ela joga o cabelo para trás e anda na direção da moto dele.
- Oh... Ok, acho que mereci essa. – o jovem suspira e sobe na máquina para leva-la ao seu destino final – Voltando àquele assunto, se está sendo perseguida, por que não contrata um segurança? Ainda deve haver algum colega meu de escola desempregado.
- Seu humor negro vai ser a única coisa da qual sentirei falta. – ambos riem.
...
E assim outro dia começa, um dia de feriado. Lelouch aproveita a ocasião para ir à casa dos Kururugi, que agora está repleta de um novo humor amistoso. O clima pôde ser notado logo que Suzaku o levou para o sofá da sala, querendo conversar enquanto a sua irmã e Euphemia cuidavam da louça suja.

- Ah Lelouch, isto é maravilhoso! – o comerciante sussurra, observando as jovens do outro lado do balcão de mármore que separa a cozinha da sala de jantar – Euphe está feliz de novo. Tive medo que ela nunca mais sorrisse. Muito obrigado!
- Eu não fiz nada. A C.C. aceitou conversar com ela. – ele bebe um gole de chá.
- Certo, porém você a levou até a doceria. Agora Euphe ficou bem mais radiante... E imaginar que o bebê é nosso filho!
- Não posso culpa-los por não ter pensando em fazer um teste de DNA antes, pelo que já aconteceu. Ainda bem que não foi necessário passar por esse constrangimento, já que a polícia te avisou que o preso confessou nunca ter violentado ela.
- Sim. – o sorriso do amigo se amplia – Mas é verdade que a C.C. também merece crédito, por conversar com a Euphe. Não sei o que ela disse, e nem me importo; apenas sou muito grato por ter devolvido o sorriso da minha esposa.
- Querem mais bolinhos, meninos? – Euphemia surge de repente, pondo um prato na mesinha de centro – Estão fresquinhos.
- Obrigado amor, contudo eu passo. Se comer mais um, vou explodir.
- De fato Euphe, se continuar nos enchendo de comida, não passaremos da porta.
- Imagina Lulu! Você não engorda de ruim, assim como a C.C. – o trio ri antes que ela se sente no sofá, ao lado do marido – E falando dela, como vocês estão indo?
- O que quer dizer? – o Lamperouge encara sua xícara – Ela não quer mais nada comigo. E não posso culpa-la. Acho que essa história rendeu o tanto que precisava.
- Bom, não pode desistir se quer realmente conquista-la. Você gosta dela, não é?!
- Bem... – o motoboy olha da mulher à parede – Se eu dissesse que ela já não me interessa, seria mentira. Só que depois de tudo...
- Tudo bem, em primeiro lugar, tire o bico de disfarce do rosto e desfaça a careta, que não cola comigo. Agora olhe para mim... Você gosta dela ou não gosta?
- Não sei dizer ao certo. Só tenho certeza que não sinto por ela o mesmo que sinto pela Nunnally. – os casados se encaram com expressões neutras, e um leve sinal de pena.
- Por que disse isso como se fosse algo ruim?
- E por que está usando a sua irmã como medidor de relacionamento, seu tarado incestuoso? – Suzaku chuta a perna dele – Você não vai casar com ela!
- Está bem, entendi! Só quero dizer que eu não sinto como se fôssemos próximos, apesar de tudo que se passou. E nem sei se isso seria possível.
- Ok, estamos chegando a algum lugar. – o Kururugi prossegue – Lelouch, como acha que C.C. reagiria sabendo disso?
- Nem faço ideia. Ela não gosta de se envolver demais com os outros. Eu posso compreender, porque somos iguais. E fui um motivo a mais para ela se confinar naquela mansão. – Lelouch dá uma leve risada – Eu pensei ser melhor do que a minha família... Olhem para mim agora. – ele fita o chão e seus amigos se entreolham, preocupados.
- Lulu, você não é como seus pais. – sorri a dona do lar – Apenas desaprendeu a conviver com as outras pessoas, depois de passar tanto tempo pensando na Nunnally.
- E agora precisa voltar a cuidar da sua vida. – seu esposo reforça – Sabe que nós sempre estaremos aqui para você, mas não podemos ser os únicos dentro do seu círculo.
- Falam como se fosse fácil. Se mudar minha vida dependesse apenas de mim...
- Bom, não vai ficar se culpando para sempre, não é mesmo?! – uma nova voz se pronuncia de repente, fazendo todos os olhares se voltarem para ela – Irmão, a questão não é se você consegue mudar as coisas, e sim se você quer.
- Mas Nunnally... – o Lamperouge se interrompe quando a irmã leva sua cadeira de rodas para perto dele, encarando-o seriamente.
- Nós sofremos muito com tudo o que aconteceu, e tem sido difícil reconstruir as nossas vidas desde então. Eu nunca disse uma palavra sobre todo esse esforço que você tem feito sozinho pra cuidar de mim, e isso foi um grande erro. Contudo, já que eu estou tomando a liberdade de falar minha opinião agora, quero lembra-lo de que não sou cega, irmão. – ela faz uma pausa enquanto os ouvintes surpresos a observam – Eu percebi o brilho nos seus olhos todas as vezes em que falava da C.C., mesmo quando evitava falar dela perto de mim. Milly e os outros me contaram tudo que veio ocorrendo na mansão ultimamente, e confirmaram o quanto vocês pareciam interessados um no outro.
- Ela também me disse que estava interessada em mim. Só que isso...
- Calado! Eu não terminei! – de imediato, Suzaku e Euphemia se seguram pra não rir da expressão confusa do irmão mais velho repreendido pela caçula – Ouça: eu apenas estou presa em uma cadeira de rodas. Não posso ter uma vida normal, como as de outras pessoas, porém ainda estou viva. Vou conseguir me virar por conta própria algum dia, então não preciso do meu irmão correndo atrás de mim o tempo todo.
- Mas... – antes do motoboy continuar, Nunnally ergue a mão para silencia-lo.
- Não vale a pena ficar remoendo o passado. Esqueça de tudo à sua volta por um momento e somente considere seus próprios desejos e ideais, mesmo de forma egoísta... O que você quer agora? Quem é a primeira pessoa que vem a sua mente neste instante? – o rapaz obedece a recomendação, e em segundos a imagem de C.C. surge entre suas lembranças, o que traz um sorriso aos seus lábios e, consequentemente, aos dos demais – Se você fez uma besteira, precisa corrigir seu erro. Sou sua irmã; quero que seja feliz!
- Obrigado Nunnally. – Lelouch sorri e se levanta para abraça-la – Infelizmente, é bem provável que a C.C. não vá me deixar chegar perto tão fácil.
- Neste caso, talvez eu possa ajudar você enfim. – a moça pega o celular no bolso de seu vestido e começa a buscar números na lista telefônica, logo colocando o aparelho no ouvido para conversar por alguns minutos com Milly antes de desligar – Kallen saiu da cidade para visitar a mãe, então ela não vai te atrapalhar se você for ver a C.C. agora.
- Certo, mas eu já ia vê-la hoje de qualquer forma. Ela pediu uma carona para ir a... Na verdade, ela não relatou o destino. Aquela mulher parece gostar de um bom mistério.
- Ok, mas se você chegar lá mais cedo, vai ter tempo de conversar direito com ela! – a senhora Kururugi apoia o plano – Quem sabe consegue ser entregador dela de novo.
- Não acho que essa seja uma boa meta de relacionamento, amor.
- Suzaku tem razão. Ela exigiu que eu lhe pague duas caixas de pizza como pedido de desculpa, mas desde o que aconteceu entre nós, não trabalho mais de modo exclusivo. E está fora de questão para mim continuar sendo entregador por muito tempo.
- Um momento; C.C. desistiu mesmo de ter um entregador particular? – Euphemia levanta as duas mãos, vendo o Lamperouge acenar em negativa.
- Acho que não. Ela só não tem feito novos pedidos desde então. Até imagino que deve estar tão chateada quanto meu chefe, após mais de duas semanas sem encomendas.
- Bem, a decisão é sua, irmão. Milly deve voltar das compras a qualquer minuto. Se escolher ir falar com a C.C., peça a ajuda dos outros. Pode ser que eles saibam como você pode se aproximar dela mais facilmente.
- E por que os nossos antigos colegas de escola me ajudariam a encontrar C.C. em particular, considerando que eles também trabalham para ela? Se aquela mulher está tão cansada de ver minha cara quanto acredito que esteja, pode muito bem ter ordenado que ninguém me deixe passar do portão. Os outros não vão correr o risco de ser despedidos.
- Lelouch... – Euphemia toca as mãos dele, encarando-o seriamente – Sei que você nunca teve a intenção de se aproximar de pessoas ricas, especialmente pelo histórico da sua família, mas as coisas são diferentes agora. Você mudou desde que era criança, e a C.C. não é como muitos desses esnobes; ela está sozinha no mundo. Pude perceber que se sentiu animada quando você a levou até a nossa doceria naquele dia. Ninguém está te mandando pedi-la em casamento, então por que não tenta ser um amigo para ela?!
- “Um amigo”? – o motoqueiro reflete por alguns segundos e suspira – Tudo bem.
- Maravilha! Então vai, corra pra mansão! Tente encontrar Milly na entrada antes que C.C. o veja! Oh, e leve essas caixas de doce que ela encomendou! – acenando em confirmação com a cabeça e revirando os olhos, o rapaz pega as caixas sobre a mesa na sala e parte em sua moto antes de Suzaku sorrir para a esposa na porta.
- Você consegue arrancar o que quer de qualquer um do seu próprio jeitinho, não é?! – ele sorri maliciosamente, provocando uma risada marota da mulher.

Já na mansão da herdeira rica, Lelouch surge na frente de Milly bem quando esta acaba de retornar do shopping mais próximo, com compras para sua patroa. Ajudando a moça a levar as sacolas pra dentro, o jovem é recebido em silêncio pelos demais criados, que se reúnem junto dele para escutar o engenhoso plano da governanta. O Lamperouge logo veste um uniforme masculino preto semelhante ao dos colegas, sendo que Rolo e Rivalz usam um avental rosa, e este último também traja um chapéu de chef de cor igual.
A roupa de empregada, branca e rosada com detalhes vermelhos, exige um laço atado ao redor da garganta, carmim como o lenço no pescoço do cozinheiro. O conjunto exposto no corpo de Shirley é complementado pela fita que amarra o seu cabelo no alto, algo desnecessário para sua amiga loira de madeixas curtas. No atual momento, a líder dos empregados guia o antigo entregador de C.C. para o andar de cima sem o interesse de trocar sua vestimenta primeiro, mantendo os elegantes chapéu, vestido e sombrinha.
Para a surpresa do visitante, o grupo foi seguido pelo gato negro de estimação da ricaça, que agora o encara atentamente perto da parede, sentado sobre o carpete verde.

- Qual o problema dele? – o motoboy arqueia uma sobrancelha com desconfiança.
- Talvez Arthur esteja interessado porque é a primeira vez que você entra aqui. – a Fenette põe um colar, formado por peças de brinquedo, em volta da gola da camisa dele – Se ele te atacar, pode distrai-lo com isto.

Por um instante, as memórias do dia em que esteve no quarto de Cecilia Corabelle voltam à mente de Lelouch, provocando um arrepio de baixo para cima em seu corpo. A observação firme do gatinho dá a impressão que se lembra dele, e sabe bem o que houve naquela noite. Agora o motoqueiro espera que ninguém possa ler a mente do felino.

- Então não se esqueça Lelouch: você vai entrar e pedir para ser o segurançadela! – a Ashford bate na porta do cômodo particular da patroa.
- E acha que ela vai considerar a ideia? Quer dizer, por que C.C. não arranjou um segurança, ou pelo menos cinco, até agora? Eu cheguei a perguntar isso antes, mas...
- Oh, os Corabelle já tiveram muitos seguranças, mas quando herdou a casa, C.C. os dispensou. – explica Rivalz Cardemonde ao colocar as costas das mãos na cintura – Parece que não se sentia bem sendo vigiada.
- Mas ela pode aceitar você. – Rolo diz sem muita expressão – A senhorita C.C. é caprichosa, e já que você está devendo por suas mentiras...
- É claro. – o Lamperouge dá um meio sorriso e suspira – E o que vocês fazem?
- Ah, eu cuido do jardim e do Arthur! – Shirley ergue a mão – Mas... É claro que você já sabia disso, porque eu te falei antes. Bom, eu também ajudo a limpar a mansão.
- Que é meu principal trabalho. – o Haliburtoninforma – Isso ocupa muito tempo.
- Eis a razão de eu precisar colaborar. – Milly dá de ombros – Contudo, o que faço normalmente é atender telefonemas, marcar compromissos, encomendar coisas e fazer compras. Francamente, queria alguém me servindo. – ela continua batendo na porta.
- Ela só não vai ao supermercado, porque este serviço é meu. – o chef aponta para si – E modéstia à parte, minha comida é maravilhosa! Só que a C.C. prefere...
- Pizza. Eu sei. – o motoboy passa os olhos pelo papel de parede cinza de bolinhas – Resumindo, eu terei que ficar 24 horas por dia rondando C.C. até pagar minha dívida?
- Sim! Só não fale assim, caso contrário vai aborrece-la. – a chefe loira finalmente se irrita e começa a bater o cabo da sombrinha na porta da patroa, formando uma careta que provoca uma veia em sua testa – SENHORITA C.C.! ESTÁ ACORDADA? – como não recebe resposta, a jovem pega uma chave mestra no bolso do seu vestido e entra no aposento sem cerimônia, abrindo as cortinas que cobrem as enormes janelas antes de se postar ao lado da cama – Senhorita C.C., vamos, levante-se! Você tem visita!
- Não quero receber ninguém. – C.C. põe a mão esquerda sobre o rosto, virando para a direita e agarrando preguiçosamente sua pelúcia em forma de queijo, Cheese.
- Não é qualquer visita. – a sombra da governanta força a ricaça a abrir os olhos.

Neste momento, Lelouch é empurrado pelos colegas e se posiciona em frente ao móvel. A dona da casa senta no colchão e pisca até ficar desperta, logo contraindo o seu semblante ao perceber o clima em torno do visitante.

- Você de novo? – quando o motoqueiro faz menção de responder, nenhum som é emitido – Por que está calado? Fale de uma vez, Lamperouge, o que você deseja?

Continua...

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