A Dona do Pedaço

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segunda-feira, 26 de março de 2012

Cap. 6

Cap. 6
Destino

O sol surge por detrás das copas das árvores, iluminando as cabanas da tribo Karita. Seu primo tem estado grudado consigo desde que voltou, lamentando pelo corte do seu cabelo, então Katrina não tem chance de ter uma conversa civilizada com Kelly durante o café-da-manhã. Só resta Gene para a garota socorrer, o que não seria má ideia se ela prestasse atenção ao diálogo e parasse de apostar corridas com Gon floresta afora! Eles parecem despreocupados com a tensão...

Liana ainda está tratando dos ferimentos de Bosom, que por não terem sido graves estão a ponto de curar. Também é uma opção descartada... Kelly precisa falar com alguém, tirar as suas dúvidas sobre o porquê da família dela e de Killua terem partido na noite passada sem insistir, e juntos ainda por cima! Não foi estranho aparecerem em conjunto na noite anterior porque eles foram convocados pelo celular ao mesmo tempo, mas na despedida... A certeza é que voltarão!...

Tendo quase certeza não ser má ideia ir falar com o próprio Killua sobre o assunto, afinal, não poderia ser Leório, Kelly resolve pagar um barco de turismo por conta própria para ir até a Ilha da Baleia. E suas últimas economias se vão... Chegando à casa da família Freaks, ela bate à porta e quem atende é a tia Mito. Com um enorme sorriso ela entra, cumprimenta a bisa dentro da cozinha e Leório sentado no sofá, e parte para o quarto que Gon divide com Killua.

- Jogando videogame, seu vagabundo! – ela sorri com o susto que ele toma.
- Não me culpe por você não saber jogar! – o garoto desliga a televisão e o aparelho.
- Eu sei jogar! – ela se indigna, mas vira a cabeça para o outro lado e senta na cama como quem não quer nada – Só desaprendi... – ele torce o nariz e senta ao lado dela.
- Então, o que você veio fazer aqui? – Kelly o encara, dobrando os joelhos igualmente.
- Eu fiquei nervosa quando as nossas famílias apareceram. Pra ser bem sincera, eu não ia querer revê-los tão cedo, mesmo considerando que não os vejo há anos, mas foi necessário só pra ajudar a Katrina!... E agora não sei como escapar deles! Eu não quero voltar pra casa!
- Olha Kelly, pra falar a verdade, eu acho que fugir nem é a melhor opção! Se você não for enfrentar os seus pais, vai ficar correndo deles para sempre, e isso é impossível de aguentar!
- Parece ter muita experiência no assunto. – ele sorri pelo canto da boca.
- É!... Pode-se dizer que eu fiz muitas coisas não tão legais assim pra conquistar a minha liberdade! – seu sorriso se desmancha enquanto continua focalizando o chão – E ainda assim, é impossível eu fugir da minha família... Não é que eu queira cortar relações com eles...! – ele a encara – Quer dizer... Uma vez eu quis entregar toda a minha família, vende-los à maior oferta!
- Mentira! – Kelly se espanta, mas sorri – Eles são tão insuportáveis assim?
- Você viu a minha mãe! Ela é muito coruja! De todos na família, ela quem me sufoca!
- E que mal pergunte... Por que a sua mãe usa aquela máscara?
- É porque eu feri o rosto dela tentando fugir de casa. – um minuto de silêncio, apenas os dois se encarando, e então Kelly soca a cabeça dele – Ai! Por que você fez isso? – toca o lugar.
- Engraçado... A sua cabeça faz um som oco quando eu soco! – ela comenta naturalmente.
- Ei! – Killua a chama emburrado, mas quando a garota se volta a ele com um olhar bem assustador, a sua irritação some – O que foi?
- Ainda pergunta? Você feriu a sua mãe! Só porque é um assassino profissional, não tem o direito de machucar a sua própria família!
- Eu não sou mais um assassino profissional! Nem treinei o bastante pra ser chamado de "profissional". – deita na cama e põe as mãos atrás da cabeça.
- Isso não importa! Os meus pais e irmãos podem me deixar louca às vezes, mas eu nunca pensei em me livrar deles! – suspira, olhando para o chão e balançando os pés – Na verdade, foi por isso que eu saí de casa...! Acho que nasci na família errada. – o seu suspiro chama a atenção de Killua, que a encara como quem não quer nada e olha para o teto.
- Eles são chatos é? – pausa – Então sua família é como a minha? A sua avó parece legal.
- Ela é. Mas só ela. Os meus irmãos adoram encher a minha paciência, vendendo minhas coisas na internet! E aposto que a minha mãe é muito mais protetora que a sua!
- Quer juntar as nossas famílias pra comparar?
- Tá louco? Nunca! – os dois riem e ela deita ao lado dele, com as mãos sobre a barriga – Sabe... Eu nunca contei a ninguém, nem pra Gene, que no dia em que saí de casa, os meus pais queriam me casar com o filho de um caçador rico e importante. – Killua a encara surpreso.
- É sério? – é notável uma emoção a mais na sua voz, mas Kelly finge não perceber isso ao olhar para ele – Mas você não era criança ainda?
- Sim, mas o pai gosta de planejar as coisas com muita antecedência! – ri.
- Acha que vieram te buscar de volta pra casar com ele? – Killua encara o teto junto a ela.
- Eu ainda tenho quinze anos. Nem meu próprio pai iria querer que casasse tão cedo! Se a família toda veio até aqui quando recebeu a mensagem, é porque me amam, e disso eu não tenho dúvida...! – suspira, voltando a fita-lo – E a sua também. – desta vez, ele olha para o teto.
- Acho que sim... – Kelly foca o teto também e os dois suspiram, dando um tempo para se olharem de novo – Você quis dizer que a minha família te ama? – ela cora rapidamente.
- O que? Não! Eu quis dizer que a sua família TE ama, entendeu? Nada a ver! Eles me amarem? – ri histericamente, virando a cabeça de bochechas coradas para o outro lado.
- Ah tá!... – Killua ri e se senta – Então toda a sua família era aquela? – ela senta também.
- É. Por quê? Tem mais membros na sua?
- Aham. Eu tenho mais três irmãos fora o Illumi, um bisavô e uma avó. – conta nos dedos.
- Nossa! – Kelly sorri – Eu não tenho uma família tão grande assim... Deve ser porque os membros morreram cedo em missões. – dá de ombros e ele ri, puxando um sorriso seu – Vem cá Killua, você podia me fazer um favor? – o garoto não responde, mas está atento – Quando meus pais voltarem para a tribo, provavelmente sem a vovó e meus irmãos, você pode ficar comigo? É que eu não quero conversar com eles sozinha. Da última vez que isso aconteceu, eles disseram à minha ama pra trancar a porta do quarto quando eu estivesse fingindo dormir para não escutar o que eles faziam de noite, já que pedindo com "jeitinho" não tinha adiantado!... – fecha a cara, olhando os próprios pés balançando – Como se fosse novidade aquilo depois que nasceu o Soei!...
Killua cora automaticamente, pigarreando e fazendo-a rir. Em pouco tempo, ele ri junto.
- Você é muito pervertida! – controla o riso, ou tenta, vendo-a abrir a boca indignada.
- Eu? Você quem assiste a filme pornô, seu tarado!
- O que? – ele se levanta – Quem te contou? – ela levanta com ar vitorioso com o vexame.
- Gon. – ri da cara de fúria vermelha dele – Que coisa feia Killua! Agora que conheço seus pais, vou contar pra eles! – emburrado, ele pula sobre ela e começa um ataque de cócegas.
- E agora? Vai continuar falando de mim? – nervosa, ela tenta dizer "não", mas é difícil.
A diversão é interrompida quando Leório entra no quarto. Os dois param com tudo, e instantaneamente. O homem segura o riso enquanto eles se levantam envergonhados.
- Ah... Eu só queria avisar que a Liana ligou do celular e avisou que seus avós estão lá na tribo. – os dois olham um para o outro e passam por ele correndo.

Em pouco tempo, os três retornam à tribo. Os avós das crianças estão à vontade, bebendo chá na cabana de Kelly, servido por Calista. Quando os netos chegam, os dois saem e se reúnem ao restante dos expectadores para acabar com a tensão da conversa. Killua toca a mão de Kelly por um breve instante, mas apenas um roçar de dedos enquanto está próximo dela.

- Nós refletimos muito e concordamos que não seria justo força-los a voltar para casa.
- Embora o nosso acordo tenha sido o resgate pelo seu retorno, Killua. – o avô relembra.
- Por isso... – a avó de Kelly prossegue, piscando os olhos verdes – Em comum acordo, os pais dos dois concordaram em receber a família Zaoldyeck na nossa casa amanhã de manhã, pra resolver como e onde vocês vão viver a partir de agora. Já que são tão apegados...! – não precisa nem a senhora continuar; os dois se olham, percebendo que estão quase colados, e saem de perto.
- Desculpem-me. – Katrina se aproxima – Mas eu acho que é necessário dizer... A Kelly e o Killua foram aceitos na tribo Karita de boa vontade. Mesmo sendo os seus parentes de sangue, nossas regras se aplicam nesta situação também, pois eles ficaram conosco por todo este tempo!
- É verdade...! – Zeno, o avô de Killua, coça o queixo e volta a por as suas mãos atrás das costas – Façamos o seguinte: você e seus amigos estão convidados a participar da reunião.
- Ah... Vovô. – ele encara o neto pasmo – O senhor não pode decidir quem levar de visita pra casa dos outros! – o idoso gargalha.
- Ah, não se preocupe com isso Killua! Marta e eu já nos conhecemos, não é mesmo?
- Claro! – a idosa sorri – Eu sou uma velha amiga da sua avó, pequeno Killua.
- Sério? – os dois gritam ao mesmo tempo.
- Por que nunca me contou vó? Agora me sinto traída! Contamos tudo uma para a outra!
- Ora vamos Kelly, pare com isso! Do que ia adiantar você saber disso?
- Muito, se eu conheci o neto da sua melhor amiga!
- Você nem sonhava nascer na época em que nos encontramos. – a senhora corta logo a conversa, irritando a neta a ponto de ela cruzar os braços e resmungar – Todos de acordo?
- Pode ser. – Killua responde – Que horas será essa reunião?
- Estejam lá as dez, pra almoçar. – Marta responde, mas olhando para Katrina e os outros.
- Vocês dois vão voltar pra casa. – Zeno finaliza, alarmando-os.
- Desculpe minha querida. – a avó de Kelly põe uma mão sobre seu ombro – O seu pai já me pediu pra dizer que se acontecer qualquer coisa amanhã que o faça acha-la despreparada pra morar sozinha, você não sairá mais daquela casa! – por um momento, a garota perde o foco dos olhos, antes da mulher abraça-la – Por enquanto, vamos voltar para casa e lá nós esperaremos a visita de todos. – ela sorri a Zeno, que se aproxima do neto.
- Vamos Killua? – cabisbaixo, ele faz que sim com a cabeça e acena, junto à Kelly, para os amigos – Até amanhã. – o vovô se curva.

Gene e Gon ainda dão alguns passos para tentar impedir, mas Korapaika os impede. Pela manhã, todos se reúnem na tribo Karita para partir até a ilha. Kenan e Calista lideram tudo até a Katrina voltar, mesmo a garota não sendo a prioridade na sucessão, pois é decisão da própria líder. Leório os leva no seu carro, depois da balsa, por mais ou menos umas duas horas em linha reta e duas curvas para direita e esquerda até o mar. Gene fica trabalhando como guia turística.

Não muito ao longe, fica a lanchonete da família da menina, e eles têm tempo de parar pra conhecê-la. Os pais dela ficam entusiasmados com Gon e o enchem de guloseimas! Já do outro lado da praia, há uma moradia suspensa sobre a água, o lar dos Nikoro. Todos são recebidos por eles e a família de Killua, que chegaram antes. O rapaz e Kelly já estavam sentados na sala, com os braços cruzados e as caras entre "Vou vomitar!" e "Elas vão mostrar fotos antigas nossas...".

Isso porque as suas mães se deram bem, e eles foram obrigados a fica-las escutando falar o tempo todo, desde a reunião!... Gene olha tudo ao redor bem animada, como o Gon. Pelo lugar onde está localizada a casa não tem portões, mas existem lobos de guarda de muitos tons de pelo. É aí que nos vêm uma surpresa: os irmãos de Kelly trouxeram Bosom a mando da sua avó! Ela aparece num corredor, ainda mancando, mas bem melhor, e acompanhada pelo pequeno casal.

- Agora eu sei por que a Bosom gostou tanto da Kelly e vice-versa. – Katrina comenta pra Korapaika, e ele ri enquanto ambos abraçam a garota e Killua em cumprimento.

Leório e Liana saem para explorar os aposentos. Todas as portas são direcionadas para o mar e os corredores são bem longos, toda a casa de madeira. Na verdade, o casarão está mais pra uma casa de praia do que para uma normal! Após um tempo, todos estão reunidos na sala, mas Killua e Kelly sentados com as respectivas famílias enquanto os outros já estão acomodados nos sofás mais afastados. A ama de Kelly, a que se referiu, é a chefe da criadagem, e ela não pára!

- Kelly, meu amor, como é que você está? – a mãe do Killua a abraça, e ela consegue ainda encará-lo de leve, mas não sabe se ele está rindo ou entediado – Quanto mais eu olho para você, mais acho que é parecida com a sua mãe!
- Tomara que não! – Kelly fala e ri baixinho.
- Ah Kykiou, e seus filhos também são muito bonitos! – a mãe de Kelly observa-os ao lado dela – E imaginar que são todos homens! Eu só tive Soei. Ele puxou mais o pai! – enquanto elas riem, os filhos e maridos estão mais preocupados em comer as bolachinhas deixadas pela ama.
- Mas ele é obediente, ao contrário de Killua!... Fiquei tão preocupada em saber que tinha ido embora outra vez...! – a voz de Kykiou embarga.
- Oh mãe, pára com esse drama, ok?
- Mas Killua, como você esperava que eu reagisse?
- Tudo bem querida. Vamos agradecer por ele e Kelly estarem a salvo, não é mesmo? – o pai dele chega detrás do sofá para perto da esposa, sorrindo.
- Sim, e devemos agradecer por terem cuidado tão bem deles em nossa ausência! – o pai de Kelly refere-se à Katrina e aos outros, que sorriem.
- Não foi nada de mais senhor Saiki! – a loira responde por todos – São os nossos amigos.
- E como amigos, vocês devem compreender que eles já passaram muito tempo longe das responsabilidades. – a mãe de Kelly toma um gole de café, deixando o clima tenso.
- O que a senhora quer dizer, dona Judite?
- Oh Gene querida, quando Kelly saiu de casa ela estava para se comprometer com o filho de um caçador rico, um conhecido nosso. Mas ela foi embora antes de conhecê-lo.
- Você ia se casar? – Liana quase derruba a xícara falando com Kelly.
- Ora... Então ainda tinham coisas que não sabiam uns sobre os outros?
- Silva, poupe seus comentários! – Zeno suspira, mastigando um bolinho.
- Mas então, por que não vamos comer? – Marta corta.
- Ótima ideia mãe! – a dona Judite levanta feliz – Venham todos para a mesa!
- Eu dispenso. – Killua e Kelly falam juntos.

Antes que alguém tenha tempo de questionar, eles correm na maior velocidade que podem e param na entrada da sala de jogos, do outro lado da varanda onde é a sala de jantar.

- Ah, eu detesto reunião de família! – ele comenta.
- Sério? Do jeito que a sua família é, eu até trocaria!
- Trocaria? – ele se vira e a olha – Então você acha minha família melhor que a sua?
- Ainda pergunta? – ri – Sua mãe parece se preocupar muito com você, dá para ver só de observar como ela te trata e aos seus irmãos. Eu daria qualquer coisa para que a minha mãe fosse assim... Ela só se interessa em me ver em casa porque acha que se eu for bem aplicada nos meus trabalhos, eu posso arranjar um bom marido! Eu tenho cara de quem quer casar?
- Acho que não!... – ri – Mas olha, a minha vida também não era assim tão boa quanto imagina! – ela ergue uma sobrancelha.
- Me dá um exemplo. – cruza os braços.
- Bom... – ele põe as mãos nos bolsos – Ah, já sei! Eu te contei que eu tinha fugido de casa, não é? Lembra que eu contei isso?
- Sim, e o que tem a ver? – ela começa a bater um pé.
- Quando eu voltei para casa, minha mãe mandou o meu irmão me impedir de passar pra ela falar comigo. Eu não queria ter que aturar as reclamações da minha família, então eu resolvi receber a punição que ele queria me dar. Esse meu irmão é aquele grandão, o Milluki.
- O gordão? – os dois riem – Desculpe ofender, mas já ofendendo! – eles riem de novo – Qual foi a sua punição?
- Ah, ele me chicoteou. – sorri, aparentemente ignorando a surpresa de Kelly – Não doeu nada, para falar a verdade eu até dormi!
- Você é estranho!... E eu achava que o Gon tinha um corpo bizarro!
- Mas ele tem! Quando se machuca, cura muito rápido! – os dois concordam com a cabeça.
- Espera! O que isso tudo tem a ver com a nossa conversa, afinal?
- Olha... – um silêncio – E sobre o que a gente tava falando mesmo? – ela suspira.
- Esquece! – eles sorriem – E quem era aquele outro irmão seu, com kimono?
- Ah, é o Kalluto. Ele não fala muito... Na verdade, não fala quase nada! – ela ri.
- Kelly, Killua, a gente tava procurando por vocês!
- O que foi Gon? – Killua volta sua atenção para os amigos.
- O Leório e a Liana conseguiram com que você fique com a gente! – Gene a abraça.
- Isto é ótimo! – Kelly retribui o abraço – Muito obrigada! Mas como conseguiram?
- Pois é... Tem um pequeno problema. – Liana continua – Os seus pais concordaram em deixar que ficassem com a gente, e a Bosom aqui com sua família, mas se vocês ficarem juntos.
- Você viu? Nós temos que ser amigos. – Killua sorri – Comece a me contar seus segredos!
- Ok, se é o único jeito, eu aceito! – ela suspira e sorri ao vê-lo comemorar infantilmente.
- Não é bem isso...! – Gon ri, olhando para Gene.
- Então o que é? – eles demoram a responder Kelly – O que foi?
- É que a sua mãe gostou tanto do Killua, e acabou que eles concordaram que seria ótimo se vocês... Bem... Se vocês...
- Se nós O QUÊ, Liana? – ela engrossa a voz.
- Casassem! – todos falam em uníssono.
- O QUÊ? – o casal grita ao mesmo tempo.
- Que gritaria é essa? – Katrina fala e chega junto de Korapaika – Kelly, você está branca!
- Katrina, me diga que não é verdade!
- Que não é verdade o quê? Você está me assustando!
- Minha mãe disse que quer que eu me case!
- Ela o quê? – Korapaika interrompe – Com quem?
- Ele! – Kelly e o resto falam e apontam para o Killua ao mesmo tempo.
- Isso é sério? – Korapaika volta a falar após o curto silêncio e Leório e Liana confirmam com as cabeças ao mesmo tempo.
- Belo destino!... Eu vou tirar isso a limpo! A minha mãe que se cuide!
- Pensei que tivesse medo de enfrentar sua família.
- Acabo de perder esse medo Katrina! – antes que ela se mova dois passos, Gene olha para o chão e arregala os olhos.
- Katrina, tome cuidado, tem um escorpião perto do seu pé! – mal ela termina de avisar e Katrina olha horrorizada para o animal, sem conseguir se afastar a tempo e sendo picada – Oh meu Deus! – no que Korapaika o mata com sua corrente, a loira fica paralisada o encarando.
- Ei, Katrina, tudo bem com você? – Gon pergunta, mas antes de responder ela desmaia.
- Ai meu Deus, de novo não! – Kelly se desespera, vendo Katrina nos braços de Korapaika.
- Eu vou chamar um médico! – Leório sai correndo.
- Você é um Leório! – Liana grita, mas ele está longe – Eu vou preparar os medicamentos! – ela corre até a sala, onde deixou a bolsa com alguns remédios.

Com cuidado, Korapaika ergue Katrina nos braços e a deposita na cama de Kelly. Depois de muito alvoroço, a vovó Marta consegue anular o veneno se aproveitando das ervas colhidas a dedo por Liana e com alguma habilidade Nen para cura. O soro é aplicado e a bela loira só tem de descansar. Killua e Kelly acabam sendo arrastados pela família para tratar dos detalhes desse casamento, então Gon e Gene vão junto para dar uma força. Leório e Liana ficam no quarto.

- Ela vai acordar logo Korapaika, é só esperar. – Liana sorri ao rapaz preocupado, sentado na cama e a encarando nervoso – Ela tem nervos frágeis. Já aconteceu antes, lembra?
- Mas não é motivo para deixar de se preocupar.
- Não é mesmo, eu sei disso. – a mulher concorda, abraçando o seu corpo – Mas é que... Não há mais nada que possamos fazer. – um curto silêncio, apenas para Korapaika encará-la e à Leório ao seu lado com determinação.
- Eu vou encontrar uma cura! O Genei Ryodan e o Sedie Havre não vão incomodar mais, então eu terei muito tempo para achar um jeito de curá-la. Será o meu novo objetivo!
- O que? – Leório o interrompe – Mas como assim? Eles não serão mais um problema?
- Foi o que eu disse. Antes de sairmos daquele depósito, eu consegui implantar no coração do chefe do Sedie Havre, o Okamoto, a minha Corrente do Julgamento. Kuroro, o líder do Genei Ryodan, fez um blefe. Na verdade, pensando melhor, nenhum dos dois nunca afirmou que ele tinha se livrado da corrente que eu tinha implantado no coração dele antes... De qualquer forma, a suspeita de que Kuroro poderia ter se livrado da corrente me fez ficar agitado, mas depois eu pude comprovar que ela ainda está cravada lá. – sorri – É claro que nunca poderemos relaxar de forma plena enquanto eles estiverem atrás do nosso sangue, soltos e vivos, mas por enquanto...!
- Isso é ótimo Korapaika! – Leório comemora – Você é O cara! – o loiro ri – E quais foram essas regras que você o mandou seguir?
- Basta dizer que Okamoto irá acompanhar Kuroro em sua busca. – os dois riem.
- Desculpa gente, mas eu tô boiando! – Liana sacode as mãos – Podem me explicar?
- Eu te explico lá fora. Vamos! – Leório a puxa pela cintura e os dois saem.
No mesmo instante, Katrina se meche na cama, chamando a atenção do loiro. Ele olha na sua direção e sorri extremamente aliviado quando percebe que ela está acordando.
- Katrina, você está bem? – a voz de Korapaika não passa de um sussurro.
- Korapaika?... – ela pisca os olhos e senta com sua ajuda – Onde... Onde é que eu estou?
- No quarto da Kelly, na casa dos Nikoro. – sorri.
- Mas como foi que eu vim parar aqui? – fita o vestido branco longo que está vestindo.
- Eu te carreguei. – Katrina cora bem depressa – E a Liana te trocou por causa do suor.
- Carregou? – tenta levantar, mas ele segura seus ombros e a impulsiona pra trás devagar.
- Calma, não pode levantar ainda! Precisa descansar mais um pouco.
- O que houve comigo? – o sorriso dele murcha – Ah não!... Aconteceu outra vez, não foi?... – ela vira o rosto – Eu não acredito que desmaiei daquele jeito na frente de todo mundo!...
- Se te faz sentir melhor, os Zaoldyeck e Nikoro não viram nada antes da Kelly avisa-los.
- Sei... – suspira e o encara – Pode me levar até a janela? – ele hesita, mas a ajuda a ir até lá, sentando ao seu lado na poltrona vermelha de couro sobre o banco colado à parede – Eu ouvi sobre a sua corrente... – procura sorri – Fiquei um pouco curiosa. Como é que ela funciona?
- Acho melhor eu te contar depois. Você precisa descansar.
- Ah, por favor, Korapaika! Eu tô cheia de dor! Conversar com você vai me fazer esquecer. – ela sorri, circulando o joelho direito com o braço do mesmo lado e juntando as mãos.
- Tudo bem. – ele sorri e faz suas correntes surgirem, levantando a mão.
- Você pode escondê-las também... Como faz isso?
- Como as correntes são feitas com o Nen, eu posso escondê-las, atacando ou envolvendo o inimigo sem que ele perceba. Cada uma delas tem características diferentes.
- Verdade? Então me diz quais são! – ela desliza sua mão pela dele e segura uma – Essa!
- Essa? – ele segura a do polegar – Bom, para começar você precisaria saber mais sobre o meu Nen e o poder em si. – encara-a e ri quando vê que ela está empolgada – Vejamos... Eu sou um Materializador, ou seja, um usuário Nen capaz de materializar os objetos e faze-los agir de acordo com sua imaginação. Quando os meus olhos estão vermelhos, mudo meu tipo básico de Nen de Materialização para Especialização. Esse estado é chamado de Emperor Time, e permite que eu utilize todos os tipos básicos de Nen a 100% de eficiência. Assim, se caso meu nível em Materialização, numa escala de 0 a 10, fosse 10, meu nível de emissão, o tipo Nen oposto à Materialização, seria quatro, e durante o "Emperor Time", ele seria amplificado a 10. Fora do "Emperor Time", minha força e precisão na emissão seria, no máximo, quatro, causando uma grande desvantagem. Entendeu?
- Acho que sim... E o que faz a corrente do polegar?
- Pra você identificar melhor, possui a ponta em forma de cruz. Ela cura feridas, puxando a habilidade de Intensificação. Quando eu estou no modo "Emperor Time", a habilidade dessa corrente é reforçada, podendo curar ferimentos graves em segundos.
- A Liana gostaria de saber disso. – ela sorri, voltando a olhar os pingentes – E esta?
- É Corrente Guia essa do dedo anelar. Uso essa frequentemente, em situações normais, tanto para fins defensivos quanto ofensivos. Como o próprio nome sugere, ela também é útil pra outras atividades de investigação, como determinar a localização de pessoas desaparecidas em um mapa ou determinar se um indivíduo está mentindo. A bola de metal na ponta se move de acordo com a minha vontade, mas eu não chego a manipula-la para mentir para os outros!
- Eu nem pensei nisso! – os dois riem – E a corrente do dedo médio?
- Esta é a Corrente do Aprisionamento, com a ponta em forma de gancho. Eu criei essa corrente especificamente para lutas contra os membros do Genei Ryodan. Ela pode aprisionar o inimigo e forçá-lo a um estado de Zetsu, uma técnica que fecha a sua aura, impedindo o uso de habilidades Nen. A única maneira de uma pessoa escapar da corrente é se quebrá-la através da força bruta, algo que Ubogin, o membro fisicamente mais forte do Genei Ryodan, foi incapaz de realizar. A fim de atingir esse nível de poder para a Corrente do Aprisionamento, era necessário que eu implantasse uma "Corrente do Julgamento" em meu próprio coração, para definir uma limitação a esse poder. A regra é que a Corrente do Aprisionamento só pode ser utilizada contra membros do Genei Ryodan. Se eu violasse essa condição, meu coração seria instantaneamente esmagado pela Corrente do Julgamento. – Katrina faz que sim com a cabeça já desempolgada.
- A "Corrente do Julgamento" é a do dedo mínimo, a que possui uma lâmina na ponta?
- Sim. Sua principal característica é de entrar no peito da vítima e envolver o seu coração. Com isso, eu posso estabelecer duas condições, e se a vítima violar qualquer uma delas, esta corrente esmaga seu coração, matando-a. Ela só pode ser usada enquanto meus olhos estão na cor vermelha. – Katrina faz que sim com a cabeça, suspirando, e ele também já está deprimido.
- Eu ouvi que você a perfurou no coração de Okamoto e Kuroro. Eles não podem utilizar Nen? – ele afirma com a cabeça – Korapaika, você já sabe sobre o motivo dos meus desmaios?
- Bem... – ela olha para ele desconfiada – Sei. As suas amigas nos contaram na manhã em que descobriram a sua fuga.
- Por que não me disse nada? – ele engole em seco, abaixando sua cabeça, e ela suspira – Mas não precisa se incomodar comigo. – quando o rapaz ergue a cabeça, a garota abaixa a sua – Eu já disse isso faz tempo... – Killua, Kelly, Gon e Gene chegam neste momento e escutam atrás da porta o diálogo, abrindo-a para observar por uma fresta.
- E eu também já disse que quero te ajudar. – os olhares dos dois se cruzam; ele está sério.
- Por favor, eu não quero ter que insistir nisso!... Se você tivesse ido embora quando pedi...
- Katrina, eu estou com você porque quero! – interrompe-a – E eu suspeitei que estivesse tentando se livrar de mim com aquele monte de desculpas.
- Não... – ela murmura, e, com as bochechas vermelhas, suspira e aumenta o tom de voz – Não eram bem desculpas... Eu só fiquei com medo de contar sobre a minha doença. – abaixa seu olhar – Eu temi!... Achei que quando você soubesse, iria querer se afastar de mim, então preferi afastá-lo antes. Também pensei que podia sentir pena. A minha família já se preocupa demais, e as meninas também, e eu não queria envolver mais ninguém na minha dor!
- E por que achou que eu iria me afastar ou ter pena de você? – ela levanta os olhos e o vê sorrindo – Podem existir muitas pessoas que fariam isso, mas não sou uma delas.
- Korapaika... – dá para notar que ela está tentando ao máximo engolir o choro – É por gostar de você que eu não posso me deixar trair assim, entende? – ele fica mudo e bem surpreso.
- Você gosta de mim? – ainda de cabeça baixa, Katrina soluça e confirma a balançando.
- Eu acabei me apaixonando por você, mas meu medo me calou, então... – antes que possa finalizar, inesperadamente, ela se sente ser abraçada calorosamente por um Korapaika bem feliz.
- Eu fiquei assustado pra dizer a você também, mas... – abraça-a mais – Eu te amo. – com a velocidade da luz, Katrina se afasta dele, o quanto ele deixa agarrado a sua cintura, e o encara.

Continua...

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