A Dona do Pedaço

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segunda-feira, 26 de março de 2012

Cap. 7

Cap. 7
Amor

Para Katrina não pode ser verdade o que escutou de Korapaika. Ter alguém que quer ficar perto de si, mesmo com tanto problema e estando doente, além de ser amada pela mesma pessoa?

- Verdade? – ele confirma balançando a cabeça e as lágrimas dela transbordam dos olhos, acompanhadas de um sorriso – Mas e a Neon? – preocupa-se.
- Eu me separei dela. – ele sorri, limpando suas lágrimas – Estou desempregado, mas está tudo bem, desde que aceite ficar comigo! – Katrina começa a rir descontroladamente, descrente.
- Aceito! – os dois riem e se abraçam, ficando assim por alguns minutos até ela lembrar o assunto ainda empatando – Mas... Como fica a minha tribo?
- Quanto a isso, não se preocupe! – Kelly escancara a porta do quarto, fazendo os outros a seu encalço caírem no chão, e se aproxima da cama – Quando você desmaiou, eu avisei Kenan e Calista pelo celular que comprei pra eles e os ensinei a usar, faz tempo. Contei também como o Korapaika parecia preocupado com você, daí os pais dele e o pai dela concordaram em te deixar ficar com a gente. – ri com a surpresa deles – Os dois também concordaram, então fique calma!
- Verdade? – Kelly confirma com a cabeça enquanto os outros levantam do chão e Liana e Leório surgem na porta – Mais que notícia maravilhosa! Então ele finalmente se confessou?
- Confessou-se pra quem? – Leório questiona e Kelly e Katrina riem.
- O Kenan nunca gostou de mim! Nós tínhamos o compromisso de casamento, caso não achasse alguém para casar comigo até meus vinte e dois anos, o tempo limite para a doença me consumir. Mas ele sempre amou a Calista! – os amigos ficam pasmos – Viu? Vocês suspeitam demais das pessoas! – uns segundos de silêncio e todos começam a rir.
- Mas o que o casamento tem a ver com a sua doença? – Korapaika questiona e ela sorri.
- Se eu me casasse com alguém, na noite de núpcias... – cora, desviando o olhar – Quando nossos corpos se ligassem, o meu organismo voltaria à estabilidade normal com troca de fluídos.
- Ah... – Korapaika cora violentamente, e os outros não ficam atrás – Por que não disse?
- Nunca perguntaram! – Gene dá de ombros e eles riem outra vez.
- Então... – o loiro toca a mão de Katrina com ternura – Desde já, você aceita ser a minha esposa? – é instantâneo: as garotas começam a enfartar e os rapazes tentam acudi-las.
- Isso é sério? – ela pergunta quase chorando, colando as mãos dele entre as suas.
- Claro! Agora que eu te encontrei, quero você ao meu lado para o resto da vida!

A emoção toma conta de todos. Gon e Killua pulam sobre Korapaika, fazendo-lhe cafuné, e Leório e Liana se apressam em abraçar Katrina. Gene e Kelly observam de longe, sorrindo, e a pequena então cutuca a Nikoro com o cotovelo. Quando ela a encara, Dilatam faz um sinal com a cabeça para que a amiga olhe o Zaoldyeck, e assim ela faz. O sorriso dele a deixa tremendo.

- Tá bom, tudo bem! – Kelly grita de repente, chamando a atenção de todos, e caminha até Killua, suspirando corada – Nós dois queremos ficar com nossos amigos, então... Vamos casar.
- Como é que é? – Killua grita, mas parando para refletir suspira – Ah, você tem razão! A minha mãe e a sua não vão desistir nunca dessa ideia maluca! – ela suspira também e ergue sua mão para ele apertar – De acordo. – Killua aperta a mão dela – Mas nada de lua-de-mel!
- E não tente invadir o meu quarto de noite! – todos começam a rir da cara feia de Killua.
- Oh, que bonitinho! – Gon pula sobre eles e Gene abraça-os pela cintura.
- Logo, logo nós vamos ter mais um casal no grupo. Não é Lili? – ela cora.
- Gene! – Leório ruboriza também e todos começam a rir.

Com tudo preparado, agora o grupo recém-organizado de amigos já pode partir em novas aventuras com a benção das famílias. Os casamentos marcados são apenas um indício do futuro abençoado que os espera, sem ignorar dificuldades, mas que todos enfrentarão com coragem! Ao raiar do dia seguinte, Katrina, Kelly, Gene e Liana estão de malas prontas para acompanhar os parceiros ao porto, e de lá viajarem para um destino incerto. Todos optam por York Shin.

Um ano depois, Leório e Liana já estão namorando e ele prestes a terminar seus estudos e exercer a medicina como um médico respeitado no hospital da cidade. Gon e Gene estão dando o ponto de partida para verem um ao outro como "mais que um amigo", e Killua e Kelly, embora ainda briguem muito, não detestam mais tanto a ideia de casarem algum dia. Quanto a Katrina e Korapaika... Bom, eles marcaram um encontro com os amigos no parque rodeado de prédios.

- É bom todo mundo morar junto, porque nós podemos vir aqui na mesma hora quando a gente quiser! – Gene comenta e sai correndo na frente, na direção do carrinho de sorvete.
- Ei Gene, já disse pra não correr na frente! Isso é trapaça! – Gon grita ao longe, seguindo a garota junto à Killua e Kelly, mas Korapaika impede Katrina de segui-los e segura seu braço.
- O que foi? – ela sorri docemente enquanto ele a observa pausadamente.
- Tem certeza que não vai se arrepender por ter deixado a tribo? – ela suspira pensativa.
- Não. – sorri, passando as mãos pelos ombros dele – Quer dizer... Eu sentirei falta de não ver mais todos eles todo dia, mas fico feliz de estar com você. – os dois olham para seus amigos e riem quando Gene assusta Gon e o sorvete de morango na mão dele cai sobre a cabeça de Killua – Com todos vocês! – ela volta a encará-lo – Porque vocês fazem parte de minha família também. Além disso, nós poderemos visita-los sempre que eu quiser. Certo?
- É claro que sim. – ele sorri e desliza os dedos pela pele alva da noiva – Mas e eu?
- O que tem? – ela ergue uma sobrancelha, até vê-lo tocar o anel dourado em seu dedo, aí sorri – Acha que eu estou arrependida de ter aceitado o pedido de casamento?
- Não quero que algum dia pense que eu estou fazendo isso apenas para livrá-la da doença.
- É claro que não! Eu acredito no seu amor! – ela massageia o mesmo anel no dedo dele – E tanto acredito que prometo nunca reclamar contigo caso tente flertar com outra mulher!
- Com isso você não tem que se preocupar. – Katrina ergue uma sobrancelha.
- Ei gente, vamos voltar para casa! Killua precisa de um banho! – Kelly grita ao longe.
- Tudo bem, vamos! – Katrina grita de volta e corre até eles, parando no meio do caminho e virando o corpo para o noivo – Ei Korapaika, vamos!

Ele a observa acenando e um sorriso desponta em seu rosto. A casa onde eles moram não é enorme, mas é cheia de cômodos e tem, pelo menos, quatro telefones, além de seis quartos e três banheiros: um no fim do corredor acima das escadas, do lado esquerdo da cozinha, outro do lado da sala, embaixo da escada, e mais um do lado da varanda.A mesma é ao lado da cozinha, a entrada perto do jardim que dá pros quartos de Korapaika e Leório atravessando um corredor.

Abaixo da escada, em outros dois quartos junto ao banheiro, dormem Liana e Katrina. Já Gene e Kelly ficam junto uma com a outra em um dos quartos de cima; o outro é dos meninos. Voltando para a casa, enquanto Gon e Killua entram no banho, já que o segundo fez questão de lambuzar o primeiro com o seu sorvete também depois do acidente, Leório se presta ao trabalho de cozinhar. Liana pede sushi e Korapaika trata de ajuda-lo a fazer o prato desconhecido.

Quando todos estão sentados à mesa, eles retiram a tampa da travessa com a comida e uma estranha gororoba branca de peixe surge.

- Que diabo é isso? – Kelly levanta da cadeira, apontando para o prato.
- Sushi prensado. – Korapaika responde naturalmente, sentado entre Katrina e Leório.
- E onde vocês acharam que isso era comestível? – Killua os encara e eles suspiram.
- Não fiquem desanimados! – Gene tenta confortá-los enquanto Gon ri.
- Eu vou cozinhar. – levanta-se e caminha até a cozinha.
- Ah, espera aí Killua, eu vou junto! – Katrina afasta a cadeira e o segue.

Depois de mais um tempo, o verdadeiro sushi, além do coquetel de camarão com bolinhos de arroz, é devorado. Tarde da noite, Killua e Kelly sentam no sofá para assistir algum filme ao lado de Gon e Gene, sentados no tapete, enquanto Liana está lavando a louça junto de Katrina. De repente alguns gritos chamam a atenção de todos. Katrina abre a porta e eles vão pra fora.

- Enganada uma ova! Estavam espiando sim! – a vizinha, só de toalha, grita.
- Acredite em mim, eu não tava espiando! – Korapaika fala nervoso ao lado de Leório e faz cara educada – Eu nunca me sujeitaria a um ato vergonhoso de me insinuar pra uma mulher!
- Mas pera aí, que é isso? Agora você quer tirar o seu da reta? – Leório grita furioso.
- Não tem desculpa! – a atraente mulher grita de volta e atira neles todas as facas ao seu alcance até os dois darem a volta na casa e entrarem pelo jardim.
- Que é isso! Aquela mulher é louca! – Leório comenta, mas quando eles estão prestes a se aproximar da porta corrediça de vidro nos fundos para entrar no corredor e chegar aos quartos, Liana surge com os braços cruzados e Katrina batendo um pé, ambas de sobrancelhas arqueadas.
- A culpa foi do Leório! Eu não tive nada a ver com isso! – Korapaika levanta as mãos.
- Aquela era a Mench? – Gon surge por detrás delas junto aos outros.
- Quem é ela? Vocês conhecem? – Gene o encara.
- Ela foi uma dos nossos examinadores no teste de caçador. – Killua responde.
- E ela é nossa vizinha? – Kelly estranha – E por que estavam espionando ela?
- Não estávamos! – Leório grita nervoso – Acontece que nós a vimos regando as plantas no jardim hoje à tarde, a reconhecemos e pensamos em passar para cumprimenta-la!
- E não sabiam que ela estava no banho? – Liana range os dentes.
- Por que nós faríamos questão de ir espia-la se sabemos que caso vocês nos pegassem nós íamos acabar morrendo? Além disso, a Mench só vai ficar na cidade por um tempo!
- Leório, você não tá ajudando! – Korapaika suspira de olhos fechados, enfezado.
- Não tem motivo pra mentirem a esta altura do campeonato do nosso relacionamento. – a mão de Katrina sobre seu ombro acalma a enfurecida Liana e ela descruza os braços.
- Tem razão. – suspira, mas ainda lançando um olhar maléfico para Leório – Entrem!
- Sim! – os dois correm para dentro sem pestanejar, fazendo os mais novos rirem.

No dia seguinte, Liana e Katrina vão visitar Mench e pedem desculpas a ela pelo péssimo entendido, levando uma caixa de bombos como compensação pelo vexame. Quando entram em casa, se deparam com todos acomodados na sala vendo TV. Liana suspira e senta entre Leório e Korapaika. Katrina se acomoda ao lado do noivo, rindo do aparente cansaço e mau humor dela.

- O cheiro da comida que vinha da casa de Mench estava bom demais! Ela é uma caçadora Gourmet muito boa! – Katrina comenta.
- Devo admitir: Mench é uma mulher perigosa! As facas que jogou em vocês ontem estão espalhadas pelo quintal e algumas pararam no nosso jardim, mas eu as recolhi e devolvi a ela.
- Viu se ela tinha uma máscara de Serial Keller, Liana? – Kelly ri e os outros a seguem.
- A propósito, por que deram uma caixa de bombons de chocolate pra ela?
- Porque, graças ao seu "amor ao próximo" pelos vizinhos, ela poderia pensar mal de nós também! – a namorada se aborrece.
- Eu sou um médico! Tenho que ser gentil com os outros!
- Isso lá é justificativa! – Liana grita de volta.

Os amigos se entreolham e saem de perto na mesma hora. Já sabem que quando eles dão a partida de uma briga, vão reclamar um do outro até cansarem e começarem a se agarrar. Sem a menor dúvida, nenhuma das duas cenas seria satisfatória de ser vista!... Alguns dias depois, já chega o mês de abril. Faltando três dias para o aniversário de Korapaika, Katrina e Gene tomam conta da casa com preparativos misteriosos enquanto Killua e Liana fazem encomendas secretas.

Gon e Kelly cuidam dos enfeites e Leório pega a missão de distrair o aniversariante com desculpas furadas para tanta agitação até o dia. Chegado quatro de abril, ele recebe uma "Festa do Coelhinho". Com exceção de Leório, Liana e Katrina, os outros estão fantasiados com roupas de coelho. A loira vem da cozinha com um vestido vermelho e um bolo de chocolate e chantilly, colocando-o na mesa e abraçando Korapaika. Ele, que estava na rua com o médico até a hora, ri.

Entre as piadas com as "orelhinhas" de Killua e o ataque esfomeado de Gene aos doces, o aniversariante assopra as velinhas no fim da festa e faz um pedido silencioso, recusando contar a Kelly e Gon quando eles perguntam qual foi. Liana manda as "crianças" para a cama tarde da noite e deixa os noivos a sós, saindo com Leório para uma caminhada até o cinema.

- Não vai contar nem pra mim o que você pediu de aniversário?
- Não. – ele ri quando ela faz um bico de desagrado, mas se encosta ao seu ombro feliz pra assistir ao filme passando na TV – Se eu contasse não seria surpresa. – Katrina suspira.
- Comi muito chocolate. – ela abraça sua cintura e ele encosta o queixo no topo da cabeça dela, acariciando seu braço – Não devíamos ter deixado o Killua encomendar os doces!
- Ouvi o Gon reclamando disso antes de irem dormir. – os dois riem.
- Mas eu confesso que nunca me diverti tanto!
- Nem eu. Acho que conviver com vocês vai me deixar muito mimado!
- Mas nós temos que comemorar o dia em que você nasceu!
- Falando nisso, o que quer no seu aniversário?
- Ainda está longe! Nem sei se quero uma festa.
- Mas e a conversa de "temos que comemorar o dia em que você nasceu"? – ela ri.
- É que todos os anos a Kelly prepara alguma gincana que me deixa envergonhada. Você e os outros viram o que aconteceu ano passado: ela encheu um pote com queijo em spray, jogou o bolo de cartões com prendas daquele jogo de "Verdade ou Desafio" do Gon e da Gene dentro e a gente precisou melecar as mãos pra pegar nosso desafio quando não quiséssemos falar a verdade!
- Foi nojento e engraçado! – eles riem de novo – Mas isso é o que faz a festa divertida!
- É verdade!... – ela suspira confortavelmente – Se você continuar me acariciando assim, eu vou dormir logo. – ele ri e Katrina levanta o rosto para encará-lo – Gostou do seu presente?
- Espadas novas? É claro! – ela ri – Eu senti uma considerável falta das minhas antigas...
- Pois é. Os meninos me disseram que você tinha duas espadas, mas elas quebraram lá na época do exame de caçador, e eu não pensei em nada melhor pra te dar.
- Mas eu gostei. – ambos sorriem e começam a se olhar, ignorando o filme completamente.
- Eu estou com o rosto sujo? – ela pergunta de repente, passando a mão na bochecha.
- Só o nariz, melado de chantilly. Quer que eu tire?

O ritmo da conversa, claramente, está avançando, mas os dois preferem se esquecer disso, de tudo!... Korapaika toca a bochecha de Katrina e, com o polegar, retira o chantilly, mas não se afasta depois. Alguns segundos encarando um ao outro, as respirações começam a cortar, pior o caso dela, e os seus corpos esquentam rapidamente. Por um momento, ele sente ela se arrepiar. Korapaika chega mais perto de Katrina, respeitando seu espaço, embora não saiba mais limitá-lo.

- Eu posso? – ele sussurra, fazendo a respiração dela ficar ainda mais entrecortada.
- Pode... – a voz dela quase não sai, mas só por leitura labial o consentimento é entendido.

Korapaika escorrega a mão para trás dos cabelos da noiva e termina com a distância com um toque leve em seus lábios. Ambos de olhos fechados aproveitam a sensação diferente e nova. Katrina se agarra aos ombros do loiro para não cair com tanto tremelique! Tão sem jeito quanto ela, o inexperiente jovem morde o lábio inferior da amada e treme junto dela. Korapaika tem um momento para aprofundar o beijo quando a loira abre a boca inconscientemente. Ótima chance!

Eles permanecem assim, esquecendo tanto da TV ligada quanto do resto do mundo, até o outro casal entrar pela porta rindo e cantarolando qualquer coisa. Os dois se afastam na hora.

- O que aconteceu? – Leório estranha o clima silencioso e comportado.
- Nada! – eles falam ao mesmo tempo, então Liana se aproxima do sofá.
- Ah é? E sobre o que é o filme?
- É um cara que conheceu a mocinha e se apaixonou por ela. – Katrina responde rápido e se levanta – Eu vou dormir!
- Ah tá, então eu te acompanho. – Liana ri baixo enquanto Leório senta com Korapaika.
- Boa noite! – o médico ergue a mão e elas acenam de volta, Katrina trocando um olhar de cúmplice com o noivo e rindo baixinho.

Meses mais tarde, dia quatro de setembro, uma nova confusão começa. Dois dias depois é aniversário da bela Katrina. Ela sabe que os amigos estão planejando a festa, mas está pensando demais em outro assunto para se preocupar em descobrir qual será o tema deste ano: Korapaika.

- Ele não se lembra do seu aniversário? – Gene repete com surpresa e sentada na cama da loira ao lado dela – Que bobagem Katri! Por que acha isso?
- Ele esqueceu! – ela insiste, batendo as mãos nos joelhos – No dia do aniversário dele, me perguntou o que queria de aniversário. Você sabe que eu não tenho coragem de pedir nada para ninguém, mesmo se gostar muito de alguma coisa, e nem sou materialista, mesmo recebendo os presentes lindos que ganhava durante os meus aniversários com os Karita – olha para o colar de formato felino sobre a penteadeira, o mesmo consigo quando encontrou Korapaika pela primeira vez – e convivendo em uma ilha repleta de pedras preciosas!... Mesmo assim, fiquei curiosa pra saber qual presente ele compraria para mim, então fui procurar no quarto dele por uma caixa, o pedaço de um papel de presente, qualquer coisa, e não achei nada. Até aí tudo bem, mas quando eu fui perguntar para ele se lembrava do dia de amanhã, me disse que não!
- Korapaika deve estar te enganando, pra fazer uma surpresa!
- Só sei que se ele tiver esquecido, eu vou ficar muito magoada!

Na manhã seguinte, Katrina é a primeira a acordar e sai abrindo cortinas da casa inteira, função de quem levantar antes todos os dias. Por um estranho motivo, Killua está dormindo no sofá e Gon na poltrona. Quando escutam o som da chaleira apitando e o cheiro do pão quente, eles tratam de abrir os olhos num instante. Gene desce as escadas saltitando e Kelly já estava na cozinha, sentada à mesa e tomando café antes de Katrina chegar.

- Katrina? – Korapaika surge na porta com cabelo bagunçado – Por que levantou tão cedo?
- Ah, sabe que eu não sei! Senti vontade! – ela responde meio áspera e os amigos notam.
- Está fazendo torradas? – Killua tenta pegar uma do cesto sobre a mesa, mas a loira bate na mão dele na mesma hora.
- Você vai esperar todo mundo vir para a mesa! – o garoto recolhe a mão e se afasta.
- Katrina, pode pegar um copo para mim, por favor?
- Tome Gon. – ela sorri e o entrega, sentando junto aos outros na mesa – Ei Leório! Tome um pouco mais de cuidado para não sujar a mesa inteira com sal! – ele larga o saleiro na hora.
- Não acha que está sendo muito mandona? – Korapaika ri.
- Estou antecipando o meu direito, mas já que você não sabe por que vamos só aproveitar o dia, certo? – aos poucos ele fica bem mais confuso, mas a irritação dela não diminui só por um simples remorso – Este suco está azedo...! – suspira desanimada.

Na manhã seguinte, Katrina acorda com febre. Liana vez ou outra passa no quarto dela para trocar sua compressa, e enquanto os outros terminam os preparativos da festa, Korapaika prepara a comida favorita da noiva, distraído com o corte dos legumes. Fora o sushi, ele é um bom cozinheiro...! De repente, passando pela sala, Kelly vê a loira chegando perto dele. Detalhe que a criatura ainda está enrolada nos mesmos lençóis de ontem que a Liana usou!...

Em alguns segundos não acontece muita coisa; o que ela faz é ficar encarando pelas costas. Então, do nada, o cutuca. Como era de se esperar, a pessoa se assusta e vira para ver o que ela quer. O que ela diz? Uma frase de arrepiar: "É só que... De repente me deu uma vontade de te tocar!". O pobrezinho sai correndo da cozinha todo arrepiado, vermelho, ofegante, e dá umas voltas pela casa tomando o trabalho de Killua e Gon fora o almoço! Katrina sorri como boba.

Falar com a Liana e o Leório não dá um único resultado, tanto porque os dois estão muito animados com a situação, independente das reações estranhas da Katrina. Sendo assim, resta à Kelly esperar a doente sair do banheiro para preparar os eficazes testes que planeja entre os dois sem que nenhum saiba. Quer dizer, ela vai usá-la mesmo, mas a loira está muito dopada com as dosagens de analgésicos para reparar!... O objetivo é fazê-la ficar longe da organização da festa.

Kelly começa a descer as escadas, segurando pelo braço da criança com medo de que ela vá cair. Agora os nerds estão trancados no quarto do Leório, ocupados com os trabalhos. Numa última conferida, a Nikoro vê Gon, Gene e Killua sentados e relaxando na varanda, jogando as cartas. Pudera!... O pobre Korapaika está terminando de estender as roupas no varal, que é na direção da sala de jantar olhando da janela, então eles não precisam fazer mais nada!...

- Muito bem Katrina, você sabe o que fazer?
- Sei! – ela sorri, movendo a cabeça para os lados.
- Ok... – suspira; não há o que dizer deste jeito infantil, a não ser que ela está fora do seu normal – Vai lá. – Katrina caminha até o noivo.
- Korapaika! – ela o abraça por trás e o prendedor que ele estava segurando sai voando.
- Ah Katrina? O que foi? – vira-se de uma vez, abrindo o maior sorriso que consegue e tirando as mãos dela de cima.
- Eu quero sair com você. – ele murmura um "Ai, meu Deus!".
- Mas você não está totalmente recuperada!
- Tudo bem, você me protege! – ela volta a agarrar seu braço.
- Não sei... E se você acabar piorando?
- Aí você me traz para casa no colo! – ou a Katrina é uma atriz maravilhosa ou a dosagem do remédio deixou ela doida!
- Eu... Eu vou falar com os outros, certo? – ele tira o braço dela devagar e sai correndo.

Uns minutos mais tarde e Kelly está seguindo o casal pelas ruas, escondida. Korapaika já devia imaginar que ninguém estava com vontade de impedir um passeio romântico, mas é claro que um não incluiria perseguição de dois indivíduos estranhos!

- Por que eu tive que vir junto também?
- Porque eu narro toda história e você vai gravar para mostrar pra ela. Tenho certeza que amanhã estará melhor!
- E está pretendendo matá-la de vez com essas gravações?
- Killua, cala a boca e continua filmando!

A versão de dois casais entra no shopping: um de verdade e muito lindo e o outro formado por uma estrategista maravilhosa e um assassino idiota. O filme vai rodando em torno deles, mas Killua vai passando a câmera pelo lugar pra alimentar a mentira grossa. Eles vão entrando em diversas lojas a mando de Kelly por fones de ouvido e Katrina se empolga fazendo compras! Quando Korapaika já está carregando um peso enorme em cada braço, ela pára na lanchonete.

- Por que eu tive que pagar? – Killua reclama, sentado com Kelly a duas mesas deles.
- Não reclame, faz parte do meu teste!
- E o que está pesquisando, como me fazer ficar pobre?
- Não. O caso é que eu estou incomodada com a maneira com a qual a Katrina está agindo perto do Korapaika! Gene me disse da suspeita dela que ele esqueceu o seu aniversário.
- Isto foi o que você me disse antes de sairmos.
- Então... Eu quero deixa-los mais a vontade. Além disso, enquanto nós saímos os outros podem terminar os preparativos da festa!
- Não acha que eles vão se zangar por você estar usando os dois?
- Claro que não! É pelo bem da Katri, porque já sabemos que eles se amam, mas se não der pra superar os seus problemas, o relacionamento deles não vai progredir! O Korapaika precisa e tem direito de saber como lidar com a Katrina quando está doente.
- Ah é!... – Killua termina em um gole o refrigerante – Isso acontece sempre?
- Ela desmaia quando fica assustada e com febre se está chateada. Basta uma mudança de comportamento... Se ela ficar muito emocionada, o corpo enfraquece.
- Que chato...! Talvez seja bom pro Korapaika saber lidar com isso mesmo... Ah vem! Eles estão se levantando. – os casais se levantam e recomeçam a andar.

No fim do dia, prestes a voltarem, Katrina já está menos febril. Com a paciência de Kora, ela além de melhorar está mais contente; ele também! Killua e Kelly encerram a gravação ao verem os dois dando um selinho na última loja de bijuterias que resolvem visitar, batendo suas mãos e dando o caso por encerrado. Quando os quatro retornam, Killua e Kelly fingindo ter ido ao cinema e chegando, "coincidentemente", junto com eles, está tudo escuro.

Mas, ao entrarem, Katrina é recebida com confetes na cabeça e um bolo sobre a mesa.

- SURPRESA! – os outros quatro já dentro da casa gritam contentes.
- O que é tudo isso? – ela ri impressionada, recebendo um buquê de rosas bem variadas de Korapaika e sorrindo comovida.
- Sua festa-surpresa, não gostou? – Kelly sorri, pondo o seu braço no ombro de Gon – Eu tinha que te manter distraída pela tarde, então chamei o Killua e te convenci a levar Korapaika para o shopping, também pra melhorar seu humor. – Katrina cora.
- Ai meu Deus! – ela começa a rir – Oh gente, me desculpem! Eu fiquei insuportável, né?
- Só um pouquinho. – Killua dá de ombros sorrindo e Gene chuta sua perna.
- Korapaika... – ela se volta para o sorridente noivo – Eu sinto muito.
- Está tudo bem Katrina. – ri, segurando as mãos dela – A culpa também foi minha, pela brincadeira de fingir que tinha esquecido o seu aniversário.
- Quem será que deu essa ideia de jerico? – Liana encara Leório e ele desvia o olhar.
- Ei Leório, isso não foi bonito! – Gon o repreende – A Katrina não pode se exaltar!
- Foi só uma brincadeira! E eu só sugeri... – Liana puxa sua orelha e os outros riem.

Um tempo mais tarde, quando a comemoração termina, os noivos vão para a varanda pra Korapaika entregar o tão misterioso presente de Katrina. Detrás das costas, ele retira uma caixa branca retangular e a entrega. Ela sorri e a abre, encontrando dentro uma rosa vermelha e uma caixinha igualmente forrada de veludo e com formato facilmente conhecido por casamenteiros.

- É um anel lindo Korapaika! – ela sorri, segurando algumas lágrimas que querem descer – Para eternizar o nosso casamento... – encara-o – Como sabia que eu queria ganhar uma rosa?
- Porque eu sou como você. – Katrina puxa ar dos pulmões, tentando segurar a chuva de felicidade saltando de seus olhos, e abaixa a cabeça para dois segundos depois encará-lo de novo, sentindo o rosto formigar quando ele toca sua bochecha esquerda com sua mão – Eu adoro a cor dos seus olhos. – Korapaika alarga seu sorriso – Mas... Por enquanto estou mais interessado em beijar estes lábios rubros, cor de rosa. – e com os corações acelerados, um beijo doce é selado.

Fim

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