A Dona do Pedaço

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domingo, 1 de novembro de 2009

Cap. 9

Cap. 9
A Escolha Dos Rapazes


Passar Neon a Katrina tirou de letra, mesmo depois de quase ter tido um infarto quando viu o vídeo que fizemos na manhã seguinte e ainda dizer que não se lembra de aceitar o pedido de namoro do Korapaika, mas pelo transtorno que o Leório trouxe é mil vezes mais complicado!

Explicando melhor, ele tinha saído ontem de noite para comprar umas frutas que a Liana pediu e estava voltando para casa quando viu um garoto bem estranho pedindo uma informação a um policial sobre a Katrina. Ele estava vestido com a mesma roupa que ela usava quando o chefe a adotou.

Sem fazer idéia do que ele poderia estar querendo com ela, o Leório disse logo que a conhecia e trouxe o ruivo dos olhos negros para casa. Bruto como só a reencarnação do meu avô, ele foi chegando e perguntando pela Katrina. Quando ela apareceu, segurando a mão do Korapaika, ele se enfureceu.

Não digo nem que pulou, porque o cara mais que voou encima dele e levantou uma adaga, direto para o seu pescoço. Todo mundo logo se alarmou, claro, mas assim que começou a dizer que era para a Katri se afastar que ele cuidava do Korapaika ficamos mais confusos que assustados.

Boiamos por um tempinho até que ela conseguiu acalmar o indivíduo e nos sentamos ao sofá para conversar. Nossa, aja explicação para matar do coração uma pessoa com a notícia de que o primo da sua melhor amiga está vivo! O indigente se apresentou devidamente e pediu desculpas.

O caso foi ter visto no Korapaika o caçador que ele é. Até sabemos que a Katrina e ele se conheceram assim, na base da surpresa, mas o rapaz exagerou na agressividade! E, para piorar, completou o impacto jogando uma enorme bomba de um casamento marcado com a própria prima!

Precisamos jogar o maluco no quarto do Korapaika pela noite e agora de manhã a Katrina nos disse melhor o que está acontecendo. Ela foi adotada pela tribo Karita também, e da mesma maneira como foi em Tive. O que ela se lembra do seu passado antes dos karitas é de ter estado vagando por ruas.

Órfã, traumatizada e marcada por um casamento futuro foi o que a levou a se esconder do Kenan, seu primo, e não nos dizer nada sobre sua existência por todos esses anos. Como a filha do chefe, mesmo que por adoção, ela tem a mesma responsabilidade que eu tinha antes de sair de Tive.

Tanto porque, por ter os olhos e boca vermelhos também é a única viva que pode dar continuidade a tribo Karita! Esta última parte, mas claro, não deixou nosso querido Korapaika muito feliz... Melhor dizendo, NADA feliz. E na situação presente, eles já quase saíram na pancada.

Bastou o Kenan tentar tocar nela que o Korapaika ficou igualzinho ao Sinner atrás da Excuser na reserva, deixando longe os outros machos. Leório e os outros meninos levaram Kenan para bem longe e o Korapaika está mais de vigia do que de ouvinte-espião no meio da conversa entre nós.

- Katrina, você acabou de começar um namoro que foi difícil de sair com o Korapaika, não pode ceder só por causa do seu primo... Arranje outro jeito.
- Falou bem Liana! E ele nem é seu primo para começo de conversa! – vou apoiando – Ele que se arranje.
- Mas Kelly, a Katrina também não pode dar as costas para a família dela assim.
- O que aquele cara quer é formar uma com ela Gene!
- As duas têm razão. – Katrina nos interrompe – Afinal, vocês fazem parte de quem considero a minha família e eu não quero deixar o Korapaika.
- Então o que pretende fazer? – pouco antes de Liana ser respondida, o Gon aparece na porta da sala.
- Gente, nós temos um problema com os irrigadores!
- Parece que aquele cara quebrou a fonte. – Korapaika complementa. Todas nós saímos para dar uma olhada, mas eu continuo na porta assim que ele sai para sentar junto dela.
- Não quero que fique com raiva dele.
- E como não quer? Ele veio aqui tentar te tirar de mim.
- Mas Korapaika, sua luta não é com ele! Não quero que briguem, e ainda mais se for por minha causa.
- Não posso ficar de braços cruzados vendo ele te levar embora, Katrina! – seguram as mãos – Não quero te perder!
- Você mudou bastante... – ri – Quando nos conhecemos você mais me inspirava medo que confiança e não parava de falar nos assassinos da sua tribo. Mas agora...
- Eu mudei por sua causa, e não me arrependo!...
- Eu sei... – toca seu rosto com as mãos dele – Eu sei e eu te amo por causa disto. É o motivo pelo qual eu peço que não faça nada contra o Kenan! – ele não parece conformado, mas continua olhando quieto para ela – Promete? Por favor...
- Certo. Eu prometo. – rapidamente, ela o beija e levanta – O que você vai fazer sobre isso?
- Não se preocupe, eu darei um jeito.

Prefiro não falar nada sobre o que vi a ninguém e deixo o dia passar. Katrina fica mais tempo enfurnada no quarto da Gene do que conosco e o ciúme do Korapaika vai piorando na medida em que o Kenan fala pelo jantar todo das dificuldades enfrentadas para encontrar ela. Praticamente se fuzilam!

No dia seguinte, bem cedo, Gene vem me acordar. Escuto só então o alvoroço de todos em não encontrar a Katrina, Kenan ou mesmo o Korapaika pela casa inteira. Em todos os lugares possíveis resolvemos procurar, entretanto, só vamos conseguir descobrir onde estão os fugitivos pela televisão.

- Mais o que diabos ela está fazendo ali dentro? – Liana se desespera ao chegarmos do lado de fora da reserva, quando vemos a Katrina dentro dela com o Korapaika e o Kenan.
- Katrina! – experimento chamá-la, mas nenhum dos três nos escuta – Não me digam que ela está fazendo um ritual?
- Então era sobre isso que ela estava falando...?
- O que você sabe sobre isso Gene? – Leório pergunta.
- É que a Katrina mandou eu não dizer que tinha me perguntado, mas ela queria saber todos os detalhes sobre o ritual de separação de Tive.
- E você contou para ela! – começo a gritar e sacudi-la – Gene, agora ela vai fazer mesmo!
- Kelly, se a... – viro-me com um olhar que o faz se calar.
- Não se atreva a me pedir calma, Killua, eu não posso mais ficar quieta e fingir que não está acontecendo nada!
- Ela tem razão. Temos que ajudar eles! – Gon concorda.
- Como é esse ritual de Tive? – interrompe Leório.
- O de união foi onde vocês nos pegaram da última vez, quando a Katrina estava fazendo. – Liana começa a contar – Ela não pegou a flor antes, e acho até que é por causa disto que ela não queria um relacionamento com o Korapaika.
- Como assim? – Killua permanece boiando.
- Quando se faz o ritual de união – prossigo -, existem duas regras a se cumprir: pegar um membro dos guardiões da aldeia, que seriam ou os lobos ou a Excuser, que também foi adotada como parte do grupo, e um item de valor da floresta. No caso da Katrina foi uma flor vermelha de espinhos azuis que cresce na margem do lago da cordilheira onde estivemos, mas ela não completou a missão.
- Por isso ela não seria, em Tive, consagrada como uma esposa apropriada até refazer o teste no ano seguinte. – Gene continua – Para alguém como a Katrina, que sempre fez parte de uma tribo no alvo de caçadores e mercenários, não ter conseguido passar naquela tarefa deve ter significado uma decepção muito grande!... O Kenan deve saber disso.
- Quanto ao ritual de separação – Liana recomeça -, é bem mais complicado. Como a Katrina faz parte das duas tribos, é de se esperar que ela vá querer seguir as duas regras.
- E quais são elas? – Gon interrompe desta vez.
- O que eu sei é que na regra de Tive, para se separar de alguém, ela não precisa fazer nada e sim o homem de quem se separa e o que aceitar o desafio de tomar responsabilidade por ela. – Gene volta a contar – Os dois se enfrentam e lutam.
- Então os dois estão travando uma luta?
- Isso aí Leório! – confirmo – Mas vá saber o que a Katri pretende depois que o confronto terminar.

Em todo o nosso diálogo a Katrina continua observando de longe, junto de Excuser e Sinner, a luta dos dois bobos. Os repórteres e curiosos começam a se amontoar encima de nós e somos obrigados a nos afastar, só esperando o melhor.

Continua...

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