A Dona do Pedaço

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Cap. 10

Cap. 10
A Paixão de um Assassino


Sendo bem rápida com o resumo, foi por causa do barraco todo que criaram o Korapaika e o Kenan que nós esquecemos que o aniversário da Gene era no dia e comemoramos tudo de última hora. Mesmo assim foi divertido... O Leório e a Liana até anunciaram que estavam de casamento marcado!

Deu para entender tanto mistério de ficarem trabalhando altas horas da noite se não era ficha de emprego... Duas semanas após foi o da Katrina e no dia os dois fizeram as pazes. Pode-se dizer que foi estranho o Kenan ter ficado com Neon, mas vá saber como cabe tanto ego em uma relação...!

A Katrina e ela também se entenderam quando seu primo, que é definitivamente estranho, trouxe a pessoa para apresentar para a gente sem saber que já nos conhecíamos. No final, agora todos estão felizes e é chegada a minha vez! Amanhã é meu aniversário e todos me receberão com festa.

- Killua, traz logo a minha toalha! – grito pela cortina da banheira. Ele vem correndo e me estende ela.
- Por que você precisa me chamar sempre? Não pode você mesma pegar a toalha, para variar?
- Se você é o meu capacho eu não vejo por quê.
- E aquela história de “só fingimento para os meus pais não descobrirem nada”? Se eles já sabem de tudo você não pode me liberar disso? – no mesmo instante em que saio, ele se vira – Avise quando vai sair!
- Eu estou de toalha, então não tem problema!
- Pensei que se incomodasse se eu visse...
- Não ligo mais para você. – passo por ele e entro no quarto. Ele continua do lado de fora.
- Ah, é assim? Não vai nem considerar o que eu fiz por você durante o ano todo?
- Eu considero, não quis dizer isso. É só que não ligo para o que pensa de mim.
- Quer dizer que você me arrasta por tudo que é canto, me forçando a fazer as coisas mais loucas por sua causa, e agora não liga mais para mim?
- Exatamente! – começo a pentear meus cabelos – E você pode entrar aqui? É ruim falar com a porta.
- Certo. – ele escancara a porta e em seguida fecha rápido.
- Vai devagar ou a casa não vai agüentar!
- Vou começar a agir com calma quando eu terminar de falar com você. – cruza os braços e senta na cama.
- E sobre o que quer falar? – solto a escova e me viro.
- Até o Gon e a Gene se entendem melhor do que a gente e os dois não fazem a menor idéia de como ficaram amigos!
- Mas nós nos entendemos: eu mando e você obedece!
- Não digo esse tipo de relacionamento.
- Já entendi, não precisa ficar bravo. – rio.
- Então será que não dá para agirmos como amigos?
- Não estou acostumada a ter amigos como você.
- E o Gon e os outros? Eles não são seus amigos?
- Sendo mais específica, quero dizer amigos iguais a você, que é como eu. Mas posso saber por que está se incomodando com isto agora, depois de tanto tempo?
- É porque eu fiz uma surpresa para você e não quero ter que entregar sem que nós sejamos, pelo menos, amigos.
- Tem uma surpresa para mim? – sorrio, mas logo faço uma pausa – Por que precisa que sejamos amigos?
- Digamos que é uma recompensa pelo meu esforço.
- E você não vai me dar nem uma pista?
- Não! – sorrindo, ele vai para a porta.
- Ah, não seja mal Killua! Diz o que é, vai?
- Você vai me tornar um amigo seu? – vira o rosto.
- Vai usar a chantagem comigo logo amanhã?
- O que tem de mais amanhã? – o choque das palavras me pega desprevenida e eu me afasto surpresa.
- Você não lembra logo que dia é amanhã? – ele parece confuso com o que estou falando – Eu não acredito!
- Tinha alguma coisa que eu tinha que fazer?
- Bom... Não só você, todo mundo, mas eu achei que pelo menos você fosse se lembrar, não é?
- Mas eu não me lembro de nada para amanhã.
- Ah é? – franzo o cenho. Ele só confirma com a cabeça – Pois agora mesmo é que eu não quero saber de ser sua amiga!
- Mas o que foi que eu fiz? – jogo ele para fora do quarto.
- O problema é o que você não fez! – bato a porta.

Passo quase toda noite em claro, deitada na cama e com a porta trancada. Aquele cabeça-de-vento deve ter dormido no sofá, mas como eu realmente não me importo trato de fechar os olhos, virar de um lado e pegar no sono. A questão é que não consigo, por mais que eu queira dormir!

Sem que eu perceba, continuo pensando na festa por um bom tempo e o presente-surpresa dele vem na minha cabeça. Se ele não se lembra do meu aniversário, o fato de ter feito um presente para mim nem deveria existir. A não ser que ele seja por outro motivo. E se eu tiver esquecido uma data?

Impossível, já que eu sou a que sempre está assinando no calendário as datas mais importantes do ano e desde que os meus pais lembravam tudo o que eu me esquecia de anotar eu jamais deixo de circular meu aniversário nele! Ainda sim, na dúvida, resolvo levantar para revistar o quarto na parte dele.

Não consigo achar nada mais além de barras de chocolate e revistas de anúncios espalhadas pela gaveta, até que um papel marcando uma página de uma delas acaba por chamar a minha atenção. Quando abro vejo um círculo na notícia de esportes e a matéria diz algo sobre a talentosa atleta Kate.

- Então é isso? Aquele safado estava planejando me levar junto com ele para chamar a atenção da Kate? – espremo a revista entre as mãos – Com certeza ele lembrou que ela é fã de patins e deve ter imaginado que eu poderia apresentá-lo em um comentário sobre eu também adorar patinar! Mas do meu aniversário ele não lembra? – soco a revista de volta na gaveta – Deixe estar... Amanhã ele vai ver uma coisa.

Na manhã seguinte eu sou a primeira a acordar e saio abrindo as cortinas da casa inteira, função de quem levantar antes todos os dias. Como imaginei, Killua está dormindo no sofá e quando escuta o som da chaleira apitando e o cheiro do pão quente ele trata de abrir os olhos num instante.

- Kelly? Por que você levantou tão cedo?
- Ah, sabe que eu não sei? Senti vontade!
- Está fazendo torradas? – tenta pegar uma do cesto sobre a mesa. Bato na mão dele na mesma hora.
- Você vai esperar todo mundo vir para a mesa.
- Não acha que está sendo muito mandona?
- Hoje eu tenho direito, mas já que você não sabe por que vamos só aproveitar o dia, certo? – aos poucos ele vai ficando cada vez mais confuso, mas a minha irritação não diminuiu só por um simples remorso. Quando todo mundo está pronto para comer eu tiro ele da mesa com um puxão – Vamos sair.
- O quê? Mas eu ainda nem tomei o café!
- Você toma comigo no shopping. Quero fazer compras!
- Você parece empolgada Kelly. Tem um motivo?
- Talvez Gene, você vai descobrir mais tarde. Vamos!

Forçadamente eu arrasto o Killua por mais uma vez por todas as lojas que encontro pela frente. Fazemos um pequeno lanche e quando dá o momento da “grande estrela” surgir vamos à loja esportiva. Tudo que é tipo de fã está pedindo autógrafos dela, que é uma das artistas que eu mais gosto.

Usando de “argumentos convincentes”, os seguranças nos deixam passar e logo que o Killua toma um autógrafo nós saímos sem demora. Quando chegamos logo em casa está tudo escuro, mas quando entramos sou recebida com confetes na cabeça e um bolo.

- O que é tudo isso? – entregam-me um buquê variado.
- Sua festa-surpresa, não gostou? – Killua sorri e põe o braço no ombro do Gon – Eu tinha que te manter distraída pela tarde, então soube que a Kate ia estar lá no shopping e resolvi te levar, mas eu acho que você foi mais rápida!
- Então aquela era a surpresa que tinha para mim? – começo a rir e me aproximo dele – Posso te perguntar algo?
- Até já sei: quer que te perdoe e quer ser minha amiga?
- Na verdade, eu ia perguntar se quer ser meu namorado!

Fim

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