Crise de Dupla Personalidade
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Cap. 7
Cap. 7
Crise de Dupla Personalidade
Crise de Dupla Personalidade
O Plano de Não-estresse Emocional, ou só OPNE, como a Gene gosta de chamar, é a ideia que ela e o Gon tiveram para nos animar quando ele ganhou na força um desafio de braço-de-ferro voltando da padaria com o Korapaika outro dia ainda nesta semana. O prêmio é: entradas para seis no circo.
Como Leório e Liana não quiseram vir, porque tinham que fazer umas pesquisas medicinais na internet, a Katrina e eu resolvemos acompanhar os outros. Como chegamos mais cedo, e a apresentação é perto de uma praça com carrinho de cachorro-quente e pipoca e um shopping, estamos curtindo!
- O Killua e o Gon não vão parar nunca de correr?
- Acho que os dois tomaram muito sorvete.
- Mas e você, quando vai falar com o Korapaika?
- No dia em que eu conseguir me livrar do meu trauma.
- Quer esperar a sorte ao invés de enfrentar de uma vez?
- É melhor do que ter que arriscar uma recaída.
- Agora lembrei porque eu ainda sou mais ligada com Gene do que com você, apesar de contarmos tudo uma para a outra... É porque nós duas vamos à forra para derrubar tudo!
- Já que é assim, aproveita que ela está conversando com o Korapaika e leva os dois para comprar alguma coisa para o show. – desistindo, acabo me rendendo ao algodão-doce e levo tanto ela quanto o Gon e o Killua na direção do tio que está passando, mas deixo o Korapaika com ela de propósito.
- Não estamos atrasados para o espetáculo? – Killua olha para a lona estendida não muito longe.
- Acho que não, mas é melhor irmos logo daqui.
- Killua, qual o chocolate que você vai querer?
- Oh Gon, não era para comprar o algodão-doce?
- É, mas o chocolate vem de brinde.
- Ah bom, então eu vou querer esse aqui.
- Você muda de humor muito rápido!... – suspiro vendo a cara de bobo-feliz dele. Olhando para o outro lado observo que a Katrina nem tem coragem de olhar para o Korapaika.
- O que está olhando Kelly? – Gene me chama.
- Depois que a Katri perturbou a Liana para falar o que ela tinha feito com o Korapaika, ela não consegue mais agir da mesma maneira perto dele.
- É. Eles estão parecendo você e o Killua!
- Eu e o Killua, como assim? – cochicho de volta.
- Vocês dois também se gostam, só que não conseguem admitir, não é? – sem responder, ela alarga um sorriso – Viu aí? Eu acertei! – começo a apertar com os punhos das mãos a cabeça dela, e é quando os meninos se voltam.
- O que vocês estão fazendo? – Gon estranha.
- Ah, deixa elas. Vamos logo para não perdermos o show.
- Espera aí! – solto a Gene e tomo o sorvete dele.
- Ei, devolve! Eu acabei de comprar ele!
- E você estava me devendo do último que eu paguei.
- Nem pensar, eu disse que ia te pagar depois!
- E sua hora chegou. – saio correndo e ele atrás de mim.
Assim passamos o espetáculo: entre nossas gargalhadas e o silêncio chato do Korapaika e da Katrina. Pode até ser só impressão minha, mas o Gon e a Gene, com a insistência de ficarem em cadeiras uma ao lado da outra, deixam eles um ao lado do outro como Killua e eu durante toda a apresentação.
No final, a última cena é uma peça com os palhaços. O negócio fica feio quando uma mulher vestida igual Katrina quando foi achada em Tive e usando lentes vermelhas chega. Notamos que a peça se trata sobre a tribo Karita. Prefiro não dizer nada assim que ponho os olhos nela e a vejo pasma.
- Katrina, você está bem? – Gene tenta chamá-la.
- Eles estão... – é só o que ela sussurra antes de cinco segundos, quando fala de novo – Não foi assim, não foi!... Aquilo não teve graça, não é?
- Katrina, não perca o controle. – mesmo com as minhas palavras, ela não reage.
É aí que Korapaika acaba chamando a atenção de todos nós segurando a mão dela, o que a faz parar de falar. No momento da explosão para os sons das armas, ela fecha os olhos e se encolhe junto dele, que levanta ainda abraçado a ela e sai andando pela fileira de trás, sinalizando para sairmos.
- Katri, já passou! – tento conversar outra vez, agora que estamos do lado de fora. Só de tentar tocá-la, ela se agarra no Korapaika mais ainda.
- Por que fizeram aquilo? – continua falando frases sem sentido – Não foi assim!...
- Eles sabem disso, fica calma. – Korapaika passa a mão na sua cabeça – Eu vou levar ela para casa. Podem ficar.
- Será que você pode sozinho? – Killua se admira com a tremedeira que Katrina está sentindo.
- Posso sim, não se preocupem; se quiserem continuem o passeio que eu aviso quando ela estiver melhor. – sorri.
- Então cuida dela Korapaika. – pede Gon.
- Certo! Tchau. – os dois saem andando, e ele continua acariciando a cabeça dela.
- Eu não pretendia que eles ficassem juntos assim, mas acho que foi até bom que ela tivesse visto aquilo.
- Kelly, não diga isso! A Katrina ficou mal!
- Sim Gene, eu sei. Mas e aí? O que vamos fazer?
- Eu que não quero voltar lá para dentro.
- Estou com o Gon. Vamos ver o fliperama!
- Killua, espera! – os dois saem correndo – Vamos Gene, eles não vão fugir da gente!
Dois minutos após tomarmos fôlego do último dos seis jogos diferentes que passamos toda tarde jogando, Killua e eu nos desafiamos para uma partida de boliche em outro lugar. Uma hora depois e eu estou ganhando por dois pontos!
- Admita Killua, você vai perder e vai ter que me pagar uma rodada do especial lá na lanchonete do shopping!
- Ainda não. – ele segura a próxima bola e se posiciona. Olho para Gene, solto um riso e chego perto dele devagar.
- Killua – estendo seu nome e sussurro no ouvido dele -, se você me pagar o especial eu te dou um beijo!
- O quê? – o braço esticado dele vai para frente em um só impulso e a bola voa na direção das canaletas da outra pista.
- Ih Killua, você errou! – Gon aponta para a bola.
- Eu sei! – ele grita. Aos risos, Gene e eu comemoramos batendo as mãos – Isso não é justo, você me distraiu!
- Eu sei. – deixo-o com ainda mais raiva – Então, vamos comer? – vou andando para a saída. Quando sentamos para comer e eu estou mastigando algumas batatinhas meu celular toca – Alô? – uns segundos – E como ela está? Ok, tchau!
- Era o Korapaika? – Gene adivinha – Como a Katri está?
- Bem. Ele disse que o mesmo médico que consultou ela antes tinha avisado para o Leório que o problema da Katrina podia ser só um trauma reversível, e não esquizofrenia em si.
- Mas a Katrina não viu nenhuma aranha hoje, então por que ela ficou daquele jeito?
- Parece, Gon, que ela pode sofrer esses ataques sempre que alguma coisa a fizer se lembrar da sua tribo. A Liana e o Leório ficaram em casa justamente vendo o que poderia levar ela a se acalmar, e quando o Korapaika passou para a Liana ela me disse que acha que o Korapaika possa ser responsável pela mudança do comportamento dela.
- Tipo quando ela gritou com ele naquele dia?
- Exatamente! – respondo Killua – Mas ele também pode influenciar na melhora dela, só que ela não falou como.
- Não é melhor voltarmos para casa? – sugere Gene – Aí sabemos do que ela estava falando e vemos como a Katri está.
- Certo. Killua, você paga e nós vamos antes! – levanto.
- Ei, vocês têm que me esperar! – ele tenta acompanhar.
Precisamos pegar um táxi para chegar bem em casa antes de escurecer, entretanto, quando chegamos encontramos a muito feliz Katrina, sentada no sofá e abraçada no Korapaika, que já nem parece mais ter olhos vermelhos e sim ser um pimentão ambulante. As luzes apagadas e um filme na tevê.
- O que é que está acontecendo aqui? – vou direto com os outros para Liana e Leório, observando e rindo das escadas.
- É a minha terapia. – ela responde – O especialista que veio aqui antes disse que, se o Korapaika muda o humor dela, deveríamos tentar ver se eles se entendem. Assim a presença dele se tornaria um bem, daí eu resolvi formar um clima.
- O Korapaika não parece muito à vontade.
- Ah Gene, ele se acostuma. – Leório responde – Pensem nisto, se isto ajudá-la, nós podemos utilizar o mesmo método no Killua! – nos entreolhamos e rimos da cara feia dele.
Continua...
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