A Dona do Pedaço

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Cap. 6

Cap. 6
Confrontando o Passado


- Katrina, você está bem? – da porta consigo ouvir o que parece ser o Korapaika conversando com a Katrina, que deve ter acordado, mas fica difícil quando Killua, Gon e Gene também estão encima.
- Korapaika?... – ela responde; é um bom sinal – Onde... Onde é que eu estou?
- No seu quarto. – abro a porta um pouquinho e começo a olhar pela pequena fresta junto dos outros. Ele está sorrindo.
- Mas como foi que eu vim parar aqui?
- Eu te carreguei. – a Katri cora bem depressa.
- Você me carregou? – tenta levantar. Ele segura os seus ombros e a impulsiona para trás devagar.
- Calma, não pode levantar ainda. Precisa descansar mais um pouco pelo que o médico disse.
- O que houve comigo? – ele tira o sorriso da cara – Ah não, aconteceu outra vez, não foi?... – vira o rosto – Eu não acredito que agi daquele jeito na frente de todo mundo...
- Se te faz sentir melhor, as famílias do Killua e da Kelly não viram nada antes dela te golpear.
- Sei... – suspira – Korapaika, eu te fiz alguma coisa?
- Não, não fez... – ela olha para ele desconfiada – Mas, eu nunca te vi daquele jeito e eu queria saber o que aconteceu.
- Nada. – ela responde quase na mesma hora que ele – Não precisa se incomodar comigo, eu já disse isso faz tempo.
- E eu também já disse a você o que eu sinto. – Killua, Gon e Gene, que até então estavam discutindo sobre quem ficaria com a melhor visão encima de mim, se calaram.
- Por favor, eu não quero ter que falar sobre isso...
- Katrina, eu pedi que você me dissesse alguma coisa àquele dia; se não gosta de mim eu vou entender.
- Não... – ela murmura, e, com as bochechas vermelhas, suspira e aumenta o tom de voz – Não é que eu não goste.
- Então o que é? Não precisa mais se preocupar com a aranha que guardava em Tive!
- Sim, mas mesmo assim eu não posso ficar com você.
- Por quê? – ele levanta e começa a se alterar – Eu... Eu só não entendo por que você se recusa a me dar uma resposta.
- Korapaika... – dá para notar que ela está tentando ao máximo engolir o choro – É por gostar de você que eu não posso me deixar trair assim, entende? – ele fica mudo e bem surpreso, então em um encarar, nós nos intrometemos.
- Licença... – abro a porta, carregando a bandeja que já devia ter deixado no quarto com o café – Ah, Katrina, você acordou? Que bom, parece ótima!
- Ah, é... – ela tenta esconder as lágrimas – Estou sim.
- Korapaika, vem ajudar a gente com o jardim.
- Mas Gon, é que... – Killua agarra o outro braço dele.
- O Leório está ocupado, então vamos! – quando os dois o arrastam para fora a Gene fecha e tranca a porta e nós duas sentamos na cama ao lado dela.
- Por que arranjaram esse pretexto?
- E por que você acha que era um pretexto? – rio.
- A sopa está totalmente fria. – nós nos olhamos e ela ri.
- Ah Katrina, desculpa, mas a gente escutou a conversa.
- Tudo bem Gene. Achei estranhas aquelas sombras...
- Você gosta mesmo do Korapaika, certo? – ela não me responde – Então por que está botando obstáculo?
- Não quero que contem para ninguém... Mas eu só não consigo ficar perto dele.
- Como assim? – a Gene está mais confusa do que eu.
- É que, quando eu olhei para a aranha e logo depois ele, senti uma forte pontada no peito. Todas as lembranças do massacre na minha tribo voltaram à minha mente, mas foi diferente de antes... Acho que, perto dele, eu fico pior.
- Quer dizer que a esquizofrenia piora só de você olhar para o Korapaika? E como não teve esse problema antes?
- Não sei Gene, acho que foi porque eu vi aquela aranha.
- É mesmo, você detesta qualquer tipo de aracnídeo.
- Kelly, melhor a gente não deixar a Katrina ver outra aranha de novo! – rimos.
- Mas Katri... – continuo – Você fez a mesma coisa com aquela tal de Neon, que era namorada do Korapaika antes. Não pode deixar que tudo vença e passe por cima de você!
- É sim Katrina, senão você não vai ser feliz!
- Mas o que eu posso fazer se eu tenho medo?...
- Katri, você vivia me dizendo que eu devia perder o medo de enfrentar os meus pais e eu fiz isto ontem; quando você desmaiou, eles começaram a reclamar que eu não devia te ajudar, mas eu disse que não ia mais aturar ordens deles!
- Verdade? Disse assim, com esta frieza?
- É sim, a Kelly mandou os seus pais pararem de tentar controlar a vida dela e disse que não ia casar com ninguém a menos que ela mesma escolhesse.
- E o que os pais do Killua disseram disto?
- Killua também reclamou e nós dois chutamos o balde!
- Estou surpresa! – ela ri – E também muito orgulhosa.
- Pois é... Então, viu só? É isso que eu quero dizer. Se eu, que sempre fui a mais medrosa do grupo, consigo, por que você não? E se é do seu passado que está se escondendo, pode contar ao Korapaika que ele vai te entender.
- Eu não sei; mesmo ele já tendo passado por isto eu acho que estaria o envolvendo nos meus problemas e já basta que vocês estejam se preocupando comigo.
- Mas se ele gosta de você, ele tem que se preocupar!
- Viu? Até Gene concorda! – nós levantamos – Não tem mais ninguém que te ama como ele, eu tenho certeza.
- Obrigada meninas... E podem levar isso?
- Certo, eu vou pedir para a Liana fazer outra, ok?
- Obrigada Gene. – ela sai na frente – E obrigada Kelly.
- Os amigos não são para essas coisas? – paro na porta.
- Kelly, de quem é aquele livro? – olhamos para uma poltrona encostada na curva da parede onde está a cama dela, ao lado da janela – Não me lembro de ter lido nada.
- E não leu! – rio e pego o livro – É do Korapaika. – aparentemente, eu a surpreendo – Ele passou a noite aqui.
- Ah...! – dou o livro e ela segura – Eu devolvo depois.
- Certo. Mais tarde nós vamos passar na reserva para ver a Excuser e os outros. Quer vir com a gente?
- Vou tentar me recuperar antes de saírem.
- Então vai logo! – rimos antes de eu fechar a porta – E a Liana ainda dizia que eu era problemática... – suspiro.

Mesmo com nossa união ontem, Killua e eu continuamos na relação de capacho e dona. Ainda sim, apesar da cara de tédio e das reclamações, ele me obedece. No instante em que volto do banheiro e ele do jardim com o Gon e o Korapaika, pára no caminho e fica me encarando em pé nas escadas.

- O que foi? – faço uma cara feia – Algum problema?
- Não... – é o que ele sempre responde.
- Você anda me olhando desse jeito faz um tempão e toda vez que eu pergunto por que você nunca diz nada!
- É porque eu não tenho nada para dizer! – ele entra na cozinha e pega uma maçã.
- Você é tão diferente do Gon, como podem ser amigos?
- E o que diz de você e da Gene? Não é a mesma coisa?
- Não! Gene e eu somos... Somos ligadas desde crianças!
- Então eu não preciso falar de mim e do Gon.
- Só porque eles são parecidos não quer dizer nada. Alías, a Gene é até mais madura do que o Gon.
- E também mais do que você! – ri. Em um ranger de dentes, seguro sua blusa e começo a sacudi-lo.
- Você está mesmo com vontade de me irritar?
- Não tenho culpa se você é tão sensível. – só nesta frase o meu corpo se arrepia e perco força nos braços, soltando ele.
- O que foi que disse? – ele estranha a minha expressão, mas não se preocupa muito.
- Que você deveria pelo menos fingir ser mais severa. Por isso que os caras daquela vez tentaram se aproveitar.
- E como reparou que eu só finjo ser má?
- Em uma coisa nós concordamos: somos parecidos, não?
- É... – abro um pequeno sorriso – Killua, eu... – ele joga o talo da maçã no lixo e volta a me encarar – Não tem mais que ser meu escravo. Eu te deixo livre.
- Sério? Mas por que mudou de idéia agora?
- Não interessa! – cruzo os braços e me viro – Eu vou chamar o Gon e a Gene para irmos logo visitar a Bosom e os outros. – saio andando o mais rápido que posso, aí esbarro com Gene perto dos copos-de-leite – Ai Gene, desculpa.
- O que aconteceu, por que tanta pressa? – ela me ajuda a levantar – Está fugindo de alguém?
- Do Ki... – pauso e sacudo a cabeça – Não, de ninguém!
- Então tudo bem. Quer me ajudar a regar as flores?
- Sem problema. – seguro o regador – E cadê o Gon?
- Ele me disse que ia procurar algo e não voltou.
- Pessoal, venham aqui! – grita e leva todos para a sala.
- O que foi Gon? – Leório ainda estava fazendo a barba.
- Eu tenho uma surpresa. – ele sorri e balança um papel.

Continua...

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