A Dona do Pedaço

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cap. 5

Cap. 5
Um Casal Quase Perfeito


Não é muito longe a minha casa, é até na mesma cidade natal do Korapaika, e se na época eu soubesse disto teria me recusado mais ainda a não vir para cá. Leório nos leva no seu carro por mais ou menos umas duas horas em linha reta e duas curvas para direita e esquerda até o mar.

Do outro lado da praia há uma moradia suspensa sobre a água: meu antigo lar. Somos recebidos pela minha família e a do Killua, que chegaram antes. Vendo como minha mãe e a dele se deram bem, fico sem vontade de dizer mais nada entre “Vou vomitar!” e “Elas vão mostrar fotos antigas nossas...”.

Gene olha tudo ao redor bem animada com o Gon. Pelo lugar onde está localizada, não tem portões em casa, mas os lobos de guarda chamam a atenção do Killua. É aí que nos vêm uma surpresa: meus irmãos trouxeram Bosom e também os linces a mando da minha avó. Ela aparece num corredor.

Vovó sempre soube que gosto de lobos, então a minha alegria não foi uma surpresa para ela. Korapaika e Katrina abraçam seus amigos enquanto Leório e Liana verificam os quartos onde vão ficar; todas as portas são direcionadas para o mar e os corredores são bem longos, toda a casa de madeira.

Na verdade, posso dizer que está mais para uma casa de praia do que para uma normal. O caso é que Tamer, o lobo que o Killua conhece, veio também e logo se acostumou tão bem com a Bosom que ela se separa de mim logo quando o vê vir por trás do Killua, ao meu lado no meio do caminho.

- Olha só, não é que o Tamer gostou da Bosom?
- Ah, cala a boca! – indago. Andamos até os fundos da casa, onde nossas famílias estão junto da Gene e dos outros.
- Kelly, meu amor, como é que você está? – a mãe do Killua me abraça. Consigo ainda encará-lo de leve, mas não sei se ele está rindo ou entediado – Fiquei tão preocupada em saber que você e Killua tinham saído da cidade.
- Oh mãe, pára com esse drama, ok?
- Mas Killua, como você esperava que eu reagisse?
- Tudo bem querida. Vamos agradecer por eles estarem a salvo, não é mesmo? – o pai dele chega perto de nós sorrindo.
- Mas então, por que não vamos comer? – vovó corta.
- Ótima idéia mãe! Venham todos para a mesa.
- Eu dispenso. – Killua e eu falamos juntos.

Antes que alguém tenha tempo de questionar, nós nos mandamos na maior velocidade que conseguimos. Paramos na entrada da sala de jogos, do outro lado da varanda onde é a sala de jantar. Killua suspira e coça a cabeça.

- Ah, eu detesto reunião de família...
- Sério? Do jeito que a sua família é, eu até trocaria.
- Trocaria? – vira-se e me olha – Como assim?
- Você vivia dizendo que a sua família é como a minha.
- Para mim eles parecem iguais.
- Mas eles não têm nada parecido! – pauso – Quer dizer, fora o fato de serem assassinos... Acho até que é por isso que se gostam tanto. Só que não vem ao caso...
- Então você acha minha família melhor que a sua?
- Ainda pergunta? – rio – Sua mãe parece se preocupar muito com você, dá para ver só de observar como ela te trata e aos seus irmãos. Eu daria qualquer coisa para que a minha mãe fosse assim; ela só se interessa em me ver em casa porque acha que se eu for bem aplicada para assassinatos eu posso arranjar um bom marido! Eu tenho cara de quem quer casar?
- Acho que não... – ri – Mas olha, a minha vida também não era assim tão boa quanto imagina.
- Me dá um exemplo. – cruzo os braços.
- Bom... – ele põe as mãos nos bolsos – Ah, já sei! Eu te contei que eu tinha fugido de casa, não é?
- Sim, e o que tem a ver? – começo a bater um pé.
- Quando eu voltei para casa minha mãe mandou o meu irmão me impedir de passar para ela falar comigo. Eu não queria ter que aturar as reclamações da minha família, então eu resolvi receber a punição que ele queria me dar.
- Meus irmãos tentaram fazer isso comigo quando meus pais foram me buscar em Tive. Qual foi sua punição?
- Ah, ele me chicoteou. – sorri. Talvez ele não esteja notando a minha sobrancelha erguida, mas é melhor que ignore mesmo – Não doeu nada, para falar a verdade eu até dormi, mas eu fiquei bravo com ele quando disse que ia tentar ferir o Gon, o Korapaika e o Leório.
- Como, então eles estavam lá também?
- Sim, eles tinham ido me visitar. Aí eu disse para ele que se tocasse em algum deles eu matava ele.
- Ameaçou seu irmão de morte? Você é estranho...
- Você parece estar impressionada; não disse que seus irmãos tentaram te punir também?
- Verdade, mas até aí acho que é passatempo de qualquer caçula de família assassina. Agora, tentar matar ele?
- Eu só disse aquilo brincando. Ele ia ligar para a minha mãe, e eu não podia deixar, não é?
- É... – acabo lembrando – Espera; o que isso tudo tem a ver com a nossa conversa, afinal?
- Olha... – ficamos num silêncio – E sobre o que a gente estava falando mesmo? – começo a me irritar de novo.
- É por isso que estou dizendo... – bato os pés – Se eu ao menos fingisse que ia tentar enforcar mesmo um dos meus irmãos, a minha mãe ficaria louca! A palavra “família” para a minha, quer dizer tudo!
- Olha o lado bom: se você precisar, eles vão te ajudar!
- Pode ser... – sorrimos – Um momento. Por que eu estou falando com você? – ele estranha – Estamos brigados, e eu não quero mais ser sua amiga! Você só será meu escravo.
- E quando eu disse que ia ser seu escravo?
- Quando apertou minha mão enquanto eu estava na banheira ontem de manhã.
- Mas aquilo não contou; eu estava desprevenido!
- Então quer dizer que você olhou mesmo, não é?
- Não me interessa ver você nua! – noto-o ruborizar.
- Sério? – começo a rir – Não é o que está parecendo...
- Kelly, Killua, a gente estava procurando vocês.
- O que foi Gon? – Killua volta sua atenção para eles.
- O Leório e a Liana conseguiram com que você fique com a gente! – Gene me abraça e comemoramos.
- Isto é ótimo! Muito obrigada, mas como conseguiram?
- Pois é... Tem um pequeno problema. – Liana continua.
- Seus pais concordaram em deixar que ficassem com a gente, mas se vocês ficarem juntos.
- Você viu? Eu disse que tínhamos que ser amigos.
- Ok, se é o único jeito, eu aceito. – suspiro e sorrio.
- Não é bem isso... – Gon ri, olhando para Gene.
- Então o que é? – começo a estranhar quando demoram a responder o Killua – O que foi?
- É que a sua mãe gostou tanto do Killua, que acabou que eles concordaram que seria ótimo se vocês...
- Se nós O QUÊ, Liana? – engrosso a voz.
- Casassem! – todos nos falam em uníssono.
- O QUÊ? – Killua e eu vamos com a mesma onda.
- Que gritaria é essa? – Katrina fala e chega junto do Korapaika – Kelly, você está branca.
- Katrina, me diga que não é verdade!
- Que não é verdade o quê? Você está me assustando.
- Minha mãe disse que quer que eu me case!
- Ela o quê? – Korapaika interrompe – Com quem?
- Ele! – eu e o resto apontamos para o Killua.
- Isso é sério? – Korapaika volta a falar após um tempo de silêncio. Leório e Liana só confirmam com as cabeças.
- Eu vou tirar isso a limpo! A minha mãe que se cuide!
- Pensei que tivesse medo de enfrentar sua família.
- Acabo de perder esse medo Katrina! – antes que eu me mova dois passos Gene olha para o chão.
- Katrina, cuidado, tem uma aranha perto do seu pé. – mal ela termina de avisar e Katrina já olha horrorizada para o animal e se afasta rapidamente para trás, no que Korapaika o mata com sua corrente e ela fica paralisada o encarando.
- Ei, Katrina, tudo bem com você? – Gon pergunta.
- Ai, meu Deus, de novo não! Liana... – volto e ando com Liana até ela – Katrina, ei Katrina!
- Não... Por favor, não! – a escutamos sussurrar.
- Vai começar outra vez... – Gene suspira – Fique calma!
- Eles vão me matar! – ela aumenta o tom – Saiam!
- O que deu nela? – Leório tenta entender a situação, mas não fica pior do que Korapaika quando tenta tocá-la.
- NÃO ME TOQUE! – ela grita após bater na mão dele. Quando seus olhos ficam vermelhos eu acerto seu estômago.
- Por que você fez isto? – Killua continua nos encarando.
- Porque a Katrina é esquizofrênica. – respondo.

Continua...

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