A Dona do Pedaço

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cap. 3

Cap. 3
Querer é Poder


Entre o Killua bonzinho e o malvado, eu diria que o bonzinho não é meu tipo e o malvado é assustador demais para mim. Sei que a conversa soa estranha, mas são meus pensamentos mais puros e limpos sobre meu mais novo colega de quarto! A idéia da Liana de nos juntar...

Por que eu tive que concordar em ceder meu quarto por um dia para ele enquanto a cama ia para a reforma? Gene dorme tão bem com o Gon, agarrada nele igualzinha a um coala enquanto ele se sacode durante a noite, que agora ela economiza e eu fico com o abacaxi de aturar o faniquito dele!

- Kelly, quando é que você vai tomar banho?
- Quando me der na telha! – respondo para ele da janela.
- Mas se você não for vai ter que tomar comigo.
- Quem disse que é o que eu quero? Seu garoto irritante! – ele entra no quarto e aperta minha cintura.
- Ou você passa na frente ou me espera terminar de tomar o meu banho. – agarro suas mãos antes que ele consiga me fazer mais cócegas e soco sua cabeça, jogando-o no chão.
- Não se atreva a fazer isso outra vez, senão você morre, entendeu? – ele só balança a cabeça fazendo que sim antes que eu pise nela, pegando a toalha sobre a cama – Vou tomar banho, e se você tentar entrar de novo, eu garanto, não verá outro nascer do dia!

Durante meu tempo de banho mergulhada na banheira não escuto um ruído do lado de fora, excluindo, entretanto, as gargalhadas de todos no churrasco que estão fazendo na varanda ao lado da cozinha, a entrada perto do jardim que dá para os quartos do Korapaika e do Leório...

- Claro, por que eu não pensei nisto antes? – levanto de uma vez e me enrolo na toalha – Como eu sou idiota!... – entro no quarto e troco de roupa, enxugando o cabelo – Já que os meus pais vêm me ver, se eu disser que meu quarto é do lado para a varanda, e como o corredor está em reforma, eles não passarão e não vão precisar saber que eu estou dormindo com o Killua! – paro no meio das escadas – Nossa... Isto soou muito estranho.
- O que soou? – Katrina passa por mim e eu a sigo até o quarto da Liana – Estava pensando alto de novo?
- Katri, diz para mim, o que será que meus pais querem me seguindo até aqui?
- Kelly, seus pais são “corujas” mesmo te tratando como adulta. O seu problema é não conseguir dizer não para eles...
- Claro que não! Eu nem cogito essa idéia.
- Exatamente. – ela vai para a cozinha segurando um pano de louça – Se cogitasse não estaria me perguntando.
- Ok, então pode pedir uma coisa para o Korapaika?
- O que é? – cochicho minha idéia no ouvido dela – Tudo bem, eu acho que não terá inconveniente para ele.
- Obrigada! – indago antes de ela voltar para a varanda. Vejo de relance o Killua pegando uma carne com o garfo.

No dia seguinte, dopada pela festa de ontem, em comemoração ao aniversário da Liana, acabo dormindo até mais tarde. Quando acordo, completamente despenteada sinto alguma coisa macia me abraçando. Acabo lembrando que a Gene está com o Gon e que durmo numa cama de casal.

- Killua?... – abro um olho. Ele geme e é quando eu levanto de uma só vez – Killua! – empurro-o para fora da cama. Ele acorda e levanta massageando a cabeça.
- Ei, Kelly, que idéia foi essa de...
- Eu é que digo isso, seu pervertido de uma figa!... – começo a socar o travesseiro nele e o derrubo no chão – Como é que você ousa tocar em mim?
- Mas eu não fiz nada! – com o barulho todo, os vizinhos abrem a porta para ver o que está acontecendo.
- Kelly, que zona é essa agora de manhã?
- Gene, ele tentou... – acabo me tocando – Que horas são?
- Agora devem ser umas sete e meia. – Gon responde.
- Ai, meu Deus! – passo por cima do Killua e pego meus produtos de cabelo. Katrina aparece na porta.
- Kelly, eu posso saber por que todo este alvoroço?
- Meus pais disseram que estariam aqui às oito! Eu tenho que me arrumar. E você, pelo que fez, vai ajudar. – agarro Killua pela blusa, arrastando para fora após levantá-lo.
- Eu? Mas Kelly... – antes que diga qualquer outra coisa, nos tranco dentro do banheiro e jogo o sabonete especial que uso e todo o resto sobre ele – O que você vai...
- A partir de agora você vai virar meu capacho pessoal.
- Como é? Está brincando? Eu estou fora!... – agarro-o pelo colarinho no mesmo instante em que ele dá os dois primeiros passos na direção oposta.
- Escute bem: se meus pais descobrirem que eu estou dividindo um aposento com um homem que não é meu irmão ou qualquer outro parente, vão enlouquecer. Eu já cuidei para que não encontrem nosso quarto, mas se você não colaborar eles vão descobrir e será pior se pensarem que eu estou sendo maltratada, porque irão me levar de volta para casa no mesmo instante. Então – aproximo nossos rostos, com uma cara que o faz se assustar -, se não quiser ver todos sofrendo por eu ir embora, é melhor começar a se mexer, ok?
- Tudo bem, eu entendi...! – ri pelo canto da boca. Solto ele e entro logo na banheira, fechando a cortina – O que... O que eu faço? – vou tirando a roupa e jogando para ele.
- Segure e ponha tudo para lavar. – antes de tirar as duas últimas peças de roupa, pauso a mão nas costas.
- Kelly... Não estão faltando duas coisas?... – sem nem pensar duas vezes, atiro o pote vazio de creme nele.
- Vai jogar isso fora e volte com água quente! – grito.
- Certo! – ouço-o abrir a porta e sair correndo.

Envergonhada, desligo o chuveiro e sento na banheira. Acabo me encolhendo em um canto dela com o frio, mas a raiva que sinto dele me aquece um pouquinho. De certo modo, não consigo reclamar em ver que Killua é tão diferente das pessoas com quem já convivi ou conheci. Logo ele volta.

- O que eu faço com a água? – vejo-o levantar a chaleira pela sua sombra na cortina.
- O que mais, seu idiota? Jogue a água na banheira!
- Mas... Você está aí dentro. – devagarzinho, noto minha respiração se tornar cada vez mais cortada.
- É só... É só não olhar. – ele não diz mais nada, apenas abre um pouquinho da cortina do lado dos meus pés e joga a água. Não dá para ver se ele não está mesmo olhando, mas quando termina de despejar tudo o escuto sentar perto – O que... O que é que você está fazendo?
- Esperando você terminar o banho. Se eu sair daqui você depois vai me chamar quando for sair, não é? Então estou poupando os meus pés.
- Mas... – a minha voz não sai mais além dessas palavras.
- Não se incomode; eu juro que não vou olhar!

A voz do Killua, por um breve momento, me parece bem sincera. Logo que lavo meu cabelo e o resto do corpo debaixo do chuveiro e volto para a banheira escuto sua voz de novo.

- Seus pais são bem parecidos com os meus.
- Talvez um pouco... Mas por que diz isso agora?
- É que estou me lembrando do que a minha família disse antes de virmos para Cadmio.
- E o que foi? – começo a me interessar pela conversa.
- No dia que eu saí de casa, minha mãe não queria que eu fosse embora, mas meu pai deixou na boa. Só que, quando eu resolvi sair da cidade, ele não pareceu ter a mesma opinião.
- Que opinião? Sobre você poder se cuidar sozinho...?
- Não... Sobre eu poder me tornar uma pessoa como as outras. – meu coração de repente vai aumentando a força. A minha boca fica seca rápido – Aparentemente, um assassino não tem escolha sobre com quem quer ficar.
- Ah... Então também disseram isso para você?
- O que... Ah, Kelly, te falaram a mesma coisa?
- Se houver saído da frase “Você foi, é e sempre será uma assassina, e aconteça o que acontecer nada mudará isto”...!
- Bom, parece que nos vêem da mesma maneira.
- Só que eu não me vejo assim, e... Quer saber, você também não é deste jeito.
- Será que estou sentindo vir um elogio?
- É. – rio – Você está me ajudando de boa vontade afinal, e eu tenho certeza que, se quisermos, vencemos nossa família!
- Então... Tudo bem se nós pudermos recomeçar?
- Por mim, sim. – levanto e ele me estende a toalha, também me ajudando a sair – Amigos? – apertamos as mãos.

Continua...

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