
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Cap. 4
Mistérios de Várias Faces

- Desculpe-me, acho que isto começou por minha causa!
- Não! Não foi você! "Eu estou babando? Ele deve ter minha idade!... E além do invocadinho, o único..."
Seria mais um dia normal se não fosse pelo fato de Edgar estar gritando encima de mim que deixo todas as tarefas em que me candidato a realizar pela metade!... Já estamos em alto-mar há mais de duas semanas e eu sou a quebra-galho nos serviços alheios, porque como sei fazer de tudo sirvo para resolver os problemas de todos, mas parece que nunca consigo deixar o "Senhor Pirata" satisfeito o bastante... Edgar, ou Ed para nossos amigos e "feijão" para mim, encontrou uma garrafa com um bilhete pedindo socorro e um mapa para a ilha do Manto Mortal.
Ela tem este nome por ser coberta quase sempre de uma névoa densa e muitos marinheiros desbravantes já morreram, tentando encontrar o incrível tesouro lendário que lá se esconde. Nem sei a razão dele aceitar ir até lá, mas se somente o Ed leu a carta só eu consigo traduzir o mapa também, sendo a única a bordo que lê e fala a língua antiga de Alcheard! No momento, o "tobogã de mosquito" pediu que limpasse o depósito que ele chama de cabine...
- É que ele não gosta que ninguém mexa com as mulheres além dele! Ele só dá liberdade para nós assim quando estamos em locais públicos, como aquele albergue em que você esteve!...
- Está se referindo às mulheres neste navio ou em geral? – ele ri.
- Do navio... É que ele teve um treinamento muito, como dizer...? Ele apenas é educado com todas!
- Ah é... E todas elas são prostitutas, ou alguma perua quarentona já veio atrás? – ele ri de novo – "Será que eu tenho cara de comediante e nem sabia?"
O problema é que o tobogã me pediu na hora em que Alphonse estava me segurando pela cintura, porque me desequilibrei limpando os botes salva-vidas e ia caindo no mar! Claro que ele não entendeu, e achou que nos estávamos "pegando" ao ar-livre sem medo de que alguém aparecesse... Com raiva, e sem querer explicar o porquê dela, ele se trancou e agora preciso ir. Quando entro já me espanto com a sujeira: ele deve ter adotado um gambá! O folgado está relendo a carta da garota com os pés sobre a mesa entupida de papéis. Estico uma bandeja.
Ele pega a xícara com café, põe na larga mesa de metal e faz menção de tocar a travessa de bolo. Eu mesma retiro, corto um pedaço e o entrego. Sem nem ao menos olhar ou agradecer para mim, bebe um gole e se espreguiça com vontade. Admito que, sem a pose de machão, ele até é bonitinho!... Chateado um moleque mimado, rindo um rei orgulhoso, dormindo um irmão relaxado: são as caras que se pode ver nele. Mas...
- "Nunca pensei em ver ele doente ou feliz..." Como ele deve ficar? – sussurro.
- Faltou um pedaço! – interrompe meus pensamentos. Dou de ombros e bato em seus pés, derrubando-os – Ei! O que pensa que está fazendo? – larga a carta emburrado. Quem manda ter pés tão sujos?
- Limpando! Não foram estas suas ordens: limpar a cabine e traduzir o mapa?
- Por falar nisto, qual é a rota que devemos seguir agora?
- Ai só diz: "Siga para o Norte na direção da estrela, além do horizonte."
- Ah! Este pedaço de bolo é muito pequeno! – encara a comida.
- Combina com você! – ele faz uma careta e segura os talheres depois que me afasto.
- Isto não dá nem para encher o buraco do dente! Alphonse deve estar com um pedaço muito maior que o meu!
- Na verdade, tudo é maior do que você! – deixo a bandeja do lado da cintura.
- Tem certeza de que não vai fazer falta? – sorri sarcástico e com ar de quem quer espancar algo ou alguém.
- Não. Por causa do ânimo da Mei, fizemos sobremesa o suficiente para o almoço de amanhã também!
- Que ótimo... – segura a xícara – Diz para mim... Se eu te atirar pela janela, você acha que vai fazer falta?
- Para os outros talvez nem tanto, mas para você vou sim; você ama minha companhia!
- E por que você faria falta para mim? – sorrio e ele recua um pouco a cabeça.
- Porque, se tivesse que passar mais um dia sem mim, não iria ficar com toda esta mordomia desde que cheguei!
- E como tem certeza que é desde que chegou? Eu sou acomodado bem antes!
- Há! – aponto e sorrio – Acabou de se alto-declarar um reprimido! – ele cospe o café.
- Eu não sou reprimido! Muito ao contrário de você, que nem ao menos consegue realizar uma simples ordem.
- Mas eu estou obedecendo tudo o que você manda desde que entrei neste navio! O que quer que eu faça?
- Poderia ser mais útil! – levanta e agarra meu pulso.
- Ai! Está me machucando! – sem dizer nada, ele me prende contra a parede – O que está fazendo? Eu ainda tenho trabalho!... "O que é que ele tem estes dias? Todos dizem que ele se irrita facilmente, mas anda insuportável!"
- Você sabe o quanto é bonita? – sussurra, imprensando meus braços com mais delicadeza.
- "Ok, que história é esta?" Ed... Acaso você se drogou? – ele ri – "Devo ser mesmo comediante...!"
- Ora, você parece ainda não notar o que eu sinto... – aproxima-se mais.
- O que deu em você? Solte-me! Esta brincadeira não tem... – antes que termine, ele me beija.
Minhas lembranças começam a vagar pela minha mente. O beijo é roubado sim, mas ao mesmo tempo carinhoso e desejoso; gentil demais para ser dele! E Edgar não me suportava antes? Não disse em entrelinhas que não precisa de mim? Mas... Por que todo o estresse repentino e o aumento das minhas tarefas? O que eu tenho a ver com ele?... As perguntas começam a me atormentar até que o empurro e ele sorri, limpando meu brilho dos lábios.
- O que significa isto? "Idiota! Deveria ao menos ter esperado um pouco mais...! Custava?"
- Eu somente a mantenho ao meu lado para ter uma distração pela viagem. Não se ache importante, então também não tenha dúvida – vira-se -: no dia em que houver oportunidade, vou saciar os meus desejos com você! – sai. Ainda fico paralisada um momento: nem sei se consigo mover os pés!
- "Que idiota... No que eu pensei? Estava mesmo achando que um pirata como ele poderia ser um cara bom?"
- Wendy?... – Alphonse entra – Tudo bem? Ouvi uma discussão: estava brigando com o capitão?
- Não!... Bem... Mais ou menos; ele só disse que eu devo me esforçar mais...!
- Sei... Mas não fique muito chateada, com o capitão... Afinal, ele cresceu um pouco desde a sua chegada!
- Sério? – cruzo os braços – Para mim nem em tamanho físico, quanto mais mental!
Um tempo depois eu vou ao depósito, na primeira porta do corredor onde é o quarto da Mei e ao seu lado o meu. Após jogar umas garrafas vazias resolvo circular. Uma porta que sempre está trancada como as outras me incomoda, já que certa vez observei uma luz vir do aposento. Tentando abrir nem ao menos preciso fazer força: ela finalmente está entreaberta! Entro devagar. O quarto de Mei parece um closet, o de Sheska uma biblioteca e este uma verdadeira sessão de achados e perdidos! Tanto que encontro meu pente desaparecido há dias...!
- Olá? – indago, já guardando o pente no bolso – Tem alguém aí? – detrás do sofá sai uma mulher bonita, mas com olheiras tão grandes que me assusto e dou um salto para trás.
- Oh, me desculpe!... Assustei você? – chega mais perto.
- Não!... "Só completamente...!" Mas... Quem é a senhora?
- Senhora não querida, por favor! Eu não sou tão velha assim; trate-me por você. Meu nome é Izumi!
Continua...
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