A Dona do Pedaço

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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Cap. 5

Passado Obscuro Investigado


- Izumi, poderia me dizer qual a sua relação com Edgar? – sorrio, sentada em uma poltrona ao seu lado. Eu bebo minha xícara de café e ela a sua, cruzando as pernas.
- Bem, não se pode afirmar que nós temos muita afeição um pelo outro, mas ele consolidou certo respeito por mim desde que entrou neste navio... Ele era meu pupilo!
- Jura? – largo a xícara – Você era sua professora?
- Sim! E ele não era um aluno fácil de lidar, com certeza!
- Edgar é muito arrogante e se acha o maior navegante dos sete mares! Parece mais é o "pequeno cão do mar".
- Você acha? – ri – Ele é como qualquer outro homem que trabalha nas forças marítimas, a única diferença é que ele ao menos sabe o bom valor de uma mulher! – faz uma pausa e bebe.
- Sim... E Alphonse também me disse o mesmo... Mas eu não acredito! Ele é terrível!
- Ora... E o que ele fez de tão terrível assim para você?
- Ele... Bom, ele... "O que eu posso dizer?... Tão terrível, não! Mas..." Ele me força a trabalhar demais! Mal consigo respirar!... E nunca está satisfeito, faz brincadeiras de mau gosto, vive pegando no meu pé e...
- Se irrita fácil quando está do seu lado? – paro de balançar os braços.
- Sim. Como sabe? – ela ri e recolhe nossas xícaras para uma cesta cheia de utensílios de cozinha em um canto.
- Eu sei, porque ele já ficou assim por outra garota, que abandonou há muito tempo...! – volta a sentar.
- Mesmo? Pode me contar como era ela? – Izumi inclina-se na cadeira.
- Eu não a conheci. Edgar vivia em um reino muito bonito, em que recentemente assumiu outro governante. 
Na verdade, ele foi capturado por mim em um ataque e eu exigiria uma recompensa, mas quando observei o modo como ele se comportava acabei desistindo! – ri – Ensinei para ele tudo o que sei, mas o principal foi o modo de como se comportar com uma jovem... E foi então que, depois de mais um treinamento com a espada, ele me disse: "Eu já amei uma garota uma vez... Ela tinha os cabelos dourados como os meus e olhos da cor do céu, uma pele macia e quando cantava parecia um anjo. Não sei o que aconteceu com ela, mas acho que continuo a amando!".
- Nossa...! – junto minhas mãos e esfrego uma na outra – Ela devia ser muito importante para ele.
- Com certeza era... Mas depois que você chegou, ele andou se comportando do mesmo jeito de quando eu o conheci ainda criança. Não sei se percebeu, mas eu acho que ele deve estar com ciúmes de você!
- De mim? – levanto incrédula – Como poderia? Ele vive dizendo que não precisa de mim, que pode se virar!...
- Mas considere que ele pede muito para que faça os trabalhos mais pesados, como você mesma disse... – faz uma pausa, apreciando meu silêncio – Não acha que ele está sendo contraditório, falando e agindo?
- Talvez... – sento novamente, de uma vez – Izumi, não pode me dizer o nome do reino do qual ele veio?
- Ah, me desculpe, mas isto eu não lembro! Mas o Alphonse também veio do mesmo lugar.
- O Al? – surpreendo-me – Eles se conheciam, já eram amigos antes, então?
- Sim, desde crianças! Eu mesma ensinei aos dois como lutar, mas Alphonse embarcou pouco depois.
- Pois então eu vou investigar o passado do Edgar! – levanto-me em direção à porta – Muito obrigada Izumi!
- De nada! Eu geralmente passo muito tempo no meu quarto: quando quiser conversar, é só vir me procurar! – a primeira pessoa com quem preciso falar é Sheska. Sendo a sabe-tudo do navio, ela pode dizer o nome dos reinos que tiveram novos governantes recentemente! Ando rápido e entro no quarto entupido de livros dela.
- Sheska? Você está aí? – saio chutando alguns livros grossos pelo chão. De repente escuto um gemido – She... Sheska? É você? – ando devagar até uma pilha derrubada perto da janela. Do nada um braço sai da pilha e eu grito.
- Wendy, sou eu! Ajuda, por favor!... – pede, com a voz falhando. O nervosismo passa ao desespero e começo a rebolar os livros para todo canto feito louca tentando tirá-la. Finalmente consigo puxar seu braço e ela respira nervosa – Ah, como é bom sentir o ar fresco! – levanta – Muito obrigada! Achei que fosse morrer sufocada...
- E você iria se não tivesse chegado! Por que não arruma um pouco este quarto, seria mais fácil até para ler!
- Acho que você tem razão... É que eu me animo tanto com todos os livros que eu arrumo que me esqueço de todo o resto e começo a ler! Mas eu concordo que ser chamada de "traça" é meio embaraçoso! – rimos.
- Vem! Eu te ajudo a arrumar tudo. – seguro um livro azul.
- Mesmo? – abraça-me – Ah, muito obrigada Wendy! Nem sei o que eu faria sem você! – rio.

Com vigor nós prendemos os cabelos, colocando lenços sobre eles, e começamos a tirar o pó de cada exemplar. É difícil achar as estantes, quanto mais organizar por número, autor...! Mapas, canetas e outras coisas reboladas pelo chão vão para cima de uma mesa, e depois de esvaziar algumas pilhas, Sheska arruma em ordem suas anotações enquanto eu dou um brilho ao mofado aposento. Conseguimos encontrar até a maquiagem com a qual Mei tinha a presenteado em seu aniversário passado e ela nunca usou! Logo que terminamos percebo que já se passaram horas.

- Ai, que dureza! – jogo-me no sofá e ela faz o mesmo, enchendo dois copos de vidro com a água de uma jarra.
- É, acabamos com tudo! – rimos. Ela me entrega o copo – Obrigada, eu não conseguiria sozinha!
- De nada... – bebemos e enchemos os copos de novo – A propósito, por que nunca usou esta maquiagem?
- Ah, eu nunca gostei de me enfeitar muito! Na verdade, sempre esqueci de que eu também sou uma mulher; sempre me viram como uma "traça sabe-tudo", e eu acho que sou mesmo...
- Ah, não é verdade Sheska! – largamos os copos e seguro suas mãos – Você é bonita sim, e tenho certeza de que se usar ao menos um batom você irá chamar a atenção dos rapazes!
- Acha mesmo? – confirmo com a cabeça – Bem... Talvez eu deva mesmo me afastar um pouco dos livros. Mas só um pouco! – rimos – Ah, é mesmo! Você não disse por que veio aqui.
- Ah, é... – solto suas mãos – Teria como você me arranjar os nomes dos reinos que tiveram governantes novos?
- Recentemente? Olha Wendy, eu não sei... – levanta e pega um mapa com alguns cantos circulados – Eu marquei aqui o nome de alguns reinos que já visitamos, mas a maioria dos reis de agora não têm nem filhos!
- Sim, mas por acaso nenhum perdeu o trono? – ela faz uma cara pensativa.
- Ah sim, tem três! – mostra no mapa – Tem o reino Edônio, que não é muito longe da rota em que estamos. Sofreu uma forte guerra faz uns anos e o rei morreu. Mas o novo rei é bem bondoso!... Aí vem o reino de Wined, ao oeste, que era muito bonito e cheio de fartura, mas depois que seu rei faleceu viúvo o herdeiro que devia assumir não se sentiu preparado para governar e o seu tutor foi ao poder. Por último tem o reino do qual você veio, Alcheard. O que houve lá?
- Bem... – tento não aparentar tristeza – Eu não sei direito, mas o novo rei confrontou o antigo e assumiu bem.
- Então ele é um rei bondoso? – estranha – O Edgar comenta que ele é o rei mais desajuizado que já conheceu!
- Edgar conhece o rei Roy? – viro-me para ela – Desde quando, como?
- Bom, eu escutei da Izumi... – pára – Ah, você não a conhece, não é?
- Na verdade, conheci agora a pouco. Saí do quarto dela!
- Mesmo? E conversaram sobre o quê? – anima-se.
- Sobre o Edgar. Ela falou que era sua professora, que o Al é amigo de infância dele...
- Pois é. Ela disse que o Edgar era um mauricinho mimado! Desde que entrou no navio ele treina com espadas, sorri e detesta a realeza, mas às vezes ficava meio triste. Izumi disse que era por causa de uma garota de quem ele gostava... Mas o mais engraçado é que ele parece que se esqueceu dela depois que você chegou!
- Todo mundo anda dizendo isto... – bufo – Espera! Então quer dizer que ele era da realeza e renegou?
- É! O que é uma coisa que ninguém aqui entende bem, afinal, porque ele iria querer largar uma vida tão boa?

Continua...

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