A Dona do Pedaço

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Cap. 3

Maltrate, Maltrate ou Ame


- A dona Pinako pediu carecidamente que eu fique para divertir os clientes, Mei está triste pela exigente mulher ter gostado mesmo da minha voz e quando fui perguntar a Edgar se ele poderia reconsiderar a minha venda o tratante foi embora! "Deu para descobrir quando as prostitutas começaram a chorar lágrimas de crocodilo!"
- Ora, parece que você é mesmo tão dura como ele comentou!... – meu ouvinte ri – O que você quer?
- "Agora não consigo raciocinar... O que faria se fosse com eles? Não posso mais matar Envy, mas tenho a oportunidade de caçar Edward! Aquele príncipe mimado pode estar em algum reino próximo; o jeito mais rápido de chegar viajando é mesmo de navio. Talvez, se eu trabalhar em algo, como Sheska com livros e mapas e Mei em sua mania de limpeza, eu possa ficar no navio de Edgar e velejar em busca dele para conquistá-lo e tomar o trono, por direito, da minha mãe, como era mesmo o plano original..."
- Senhorita Wendy? – escuto o "armário" me chamar. Minha cara desanimada sobre o balcão o faz rir, talvez pela careta que faço vendo e ouvindo gritarem do Star Gold que vão embarcar.
- Ah... Armistrong... – começo. E nem sei se é bom perguntar a ele!...
- Pode me chamar somente de Alex; era o primeiro nome de meus antepassados já faz cinco gerações!
- Ok...! – pisco algumas vezes – Por um acaso os piratas fizeram algo bom para essa gente estar os venerando?
- Ora, vê-se logo que você não conhece bem a lenda que fizeram em torno de Edgar.
- "E, por um acaso, eu deveria saber?" – apóio o queixo na mão e ponho o cotovelo no balcão.
- Eles roubaram vários navios militares desde alguns meses, sempre entregam o ouro que conseguem para os que precisam e doam mais uma parte de outros materiais necessários sem nunca pedir nada em troca!
- Nossa!... – comento tão animada quanto o bêbado atrás de mim – E ele já teve quantas mulheres?
- E por que pergunta? – retiro os braços do balcão para ele passar um pano molhado sobre o vidro.
- Importa muito? E eu perguntei primeiro! – e o "senhor risinho" ataca de novo!
- Mas se ele tiver lhe proposto algo, acho melhor...
- O quê? Nem que me cobrissem de ouro sou capaz de dormir com aquele... Safado! – emburro-me. Então me toco: falei, ou melhor, gritei alto demais! Tapo a boca envergonhada e olho ligeiramente para os lados.
- Bem, sempre que ele aparece por aqui as mulheres o enchem de beijos e carícias, mas que tenha visto nunca correspondeu de mão firme nenhuma. Só diversão...!
- "Sabia: ele só podia ser um safado de marca maior!" E... – penso duas vezes antes de continuar – O que você faria se tivesse de procurar pelo amor da sua vida e o único jeito fosse embarcando no navio de um pirata detestável?
- Eu entraria! – faz uma pausa e se aproxima – Se for seu caso, eu lhe darei um conselho: aproveite a oportunidade. Às vezes, o amor que procuramos está além mar! – sem entender bem, simplesmente levanto e corro.
- "Eu não tenho escolha, mas não sei se quero outra!" Obrigada Alex, até!
- Até bela Wendy! – acenamo-nos e me viro novamente. Do ponto Star Gold começa a navegar, mas consigo saltar e entrar a tempo antes que a âncora se erga completamente.

Edward foi meu melhor amigo, mesmo eu sabendo que não podia ser. Tudo era mentira: quanto mais afeição nós tivéssemos mais rápido nos casaríamos e eu faria o típico golpe do baú. Por alguma razão, entretanto, nossa amizade alimentou um sentimento que ainda existe em mim. Não sei o que fazer quando, e se, ele retornar a despertar.

Porém, agora, encontrá-lo virará minha nova meta! De repente, olhando para cima, um rapaz me estende a mão. Eu a seguro sem pensar duas vezes, cativada por seu sorriso. Meu Deus: ele é lindo! Ai Edgar se aproxima pasmo e a minha felicidade acaba, porque o cara gracinha larga a minha mão e os outros chegam perto curiosamente, e tão surpresos quanto, eles me abraçam e dão as boas-vindas.

- Por que voltou? – recepciona-me muito gentilmente – Pensei que tivesse ficado com a...
- Eu sei, mas pensei em navegar com vocês! – sorrio, com as mãos atrás das costas.
- Você é impossível!... – aproxima-se – Antes tivesse ficado lá e fosse prestativa!
- Prestativa como? Estava esperando que me formasse em prostituísmo e esperasse feliz você voltar? – os outros riem e fazem um som desaprovador. Peguei! Edgar bufa e sorri.
- Pelo menos ia conseguir satisfazer algum dos bêbados daquele albergue!
- Está insinuando que eu não sirvo para fazer homem nenhum feliz?
- Você que está dizendo, se a carapuça servir!... – dá de costas – Pelo menos as mulheres me amam!
- Elas não amam, apenas gostam do dinheiro que você gasta com elas para satisfazer seus desejos insatisfeitos!
- Como é que é? – estou irritando ele? A melhor notícia da minha vida...
- Senhor! – o bonitinho chama meio receoso. O nanico o encara.
- O que é? – ele vai voar! O outro loirinho aponta para o leme sem ninguém – Ei, o que estão esperando seus idiotas? Vamos de uma vez! Precisamos chegar ao reino do sul até amanhã! – os outros correm para suas posições – Alphonse! – chama nervoso – Ajude a puxarem a âncora!
- Sim capitão. – afasta-se e me acena. Metade da minha atenção está voltada ao emburrado baixinho, e eu rio.
- Wendy, ajude logo a Mei no jantar! – pára de andar ao pensar que não escutei – Agora!
- Sim anão! – faço continência rapidamente e saio rindo. Ainda que de leve, o escuto gritar um "É capitão!".

Mais tarde sou a desocupada que tem que levar a comida do a... Digo... O jantar do capitão!... Ele está confortável dentro da cabine, que é bem maior que a do Envy e no chão da proa, passando por portas de uma forte madeira e em uma entrada no centro de um pequeno corredor com várias outras portas; estes são os quartos dos piratas. Para minha surpresa, Alphonse está com ele, mas vestindo uma enorme armadura. Só reconheço pela voz!

- Que demora! – grita, largando pelo chão os papéis que segurava. Al começa a juntar.
- Por favor, capitão, não saia atirando tudo que eu organizei! – reclama, mas sorrindo!
- Não reclame comigo! Mei esqueceu o ingrediente principal e ao terminarmos precisamos fazer tudo de novo!
- Não sei para quê tanto perfeccionismo!... – segura o copo com a bebida e sai da mesa para sentar no chão com Al, perto da mesa de madeira pequena no centro da sala – Pelo menos ela lembrou que eu gosto de comida japonesa.
- Mais alguma coisa? – estendo a bandeja até as pernas.
- Sim... Você é protética, não é? – engole um camarão e larga os palitinhos na mesa.
- Sou, e não é para me gabar, mas sou muito boa!... – desfaço o sorriso vitorioso – Quem te contou?
- Sheska... É que... – levanta as mangas e estira a perna – Eu estou com um probleminha de junta aqui!
- Espera um pouco. – saio. Depois de um tempo vasculhando minhas coisas encontro minhas ferramentas.
- Você tem ferramentas para concertar próteses? – pego seu braço e a chave-de-boca.
- Claro! Que tipo de garota despreparada acha que sou?
- Ah capitão! Achei que seria melhor falar nisto depois, mas eu encontrei um gatinho perdido no albergue!
- Está com este bicho dentro da armadura desde que embarcamos? – indaga ao ver o animal.
- Ah, mas ele é uma gracinha! – sorrio e faço carinho.
- O que acha que vamos fazer com um gato, Alphonse?
- Ele podia ser a mascote do grupo! Todos adorarão!
- Ah não Al, todo mundo já gosta desta pentelha aqui!
- Espero que não esteja falando de mim... – levanto o punho com a chave – Estou arrumando suas próteses!
- Bom... Pelo menos achei uma utilidade para você! – acerto a chave na sua cabeça – Qual o seu problema?
- Você! Mas ao contrário, você deve me amar! – rio.
- Só se eu fosse cego! – e recomeçamos a brigar.

Continua...

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