domingo, 19 de abril de 2015
Cap. 8
Cap. 8
Existem momentos na vida em que você se sente perdendo o controle de tudo, e as coisas viram de pernas para o ar, mas podem nem ser mudanças muito terríveis. Quando você se vê livre do caos, de repente nota o quanto fez a escolha certa quando tomou uma atitude impulsiva pensando que tudo explodiria. Já ouviu a frase “todo mal vem para um bem”? Pois é, minha mãe diz muito isso. Mas é verdade.
Tudo na vida tem uma razão para acontecer, e as coisas boas sempre chegam. Só demoram a vir porque são como o arco-íris depois da tempestade. Deve passar primeiro por experiências ruins, pois sem elas não se aprende lições e não se ganha recompensas. Claro, quem espera demora a receber presentes. É preciso viver se esquecendo de pedir retribuição pelo que faz. Afinal, Papai Noel não vem enquanto estiver acordado. (Risos)
...
Procurando evitar perguntas ou muitas dúvidas, Belinda passara na padaria antes de voltar para casa. Um bolo de chocolate poderia servir como uma boa desculpa pra ela ter se ausentado durante a rápida passada de Enzo no trabalho, mas na manhã gloriosa que fazia a moça também considerou um grande desperdício perder a chance de provar o delicioso chocolate quente servido pros clientes friorentos, então pediu um.
Mal sabia o quanto tinha se beneficiado, pois evitaria uma cena constrangedora ao extremo se chegasse naquele instante. A primeira reação certamente seria a de pânico ao ver seu vaso de flores favorito virado na mesa e a água derramada no chão junto com as rosas. Contudo, em seguida, ela talvez reparasse o quanto a janela da sala estava repleta de embaçados. Mas, por certo, o maior susto estaria atrás do sofá encapado.
- Que droga! – uma voz feminina veio do chão e o corpo dela se ergueu pra sentar – Que horas são? – a jovem procurou seu relógio de pulso e o encontrou logo abaixo do tapete, então pegou em mãos com nervosismo – Meu Deus, já passa das doze!
- E isso importa? – ela se arrepiou com o toque da mão grande deslizando por suas costas e olhou para trás, estremecendo ao ver o sorriso tentador e ao mesmo tempo doce do companheiro igualmente nu no piso de azulejos brancos – Por que não fica aqui mais um pouco e temos outra rodada de diversão?
- Sabe muito bem que eu não posso! – a descabelada mulher puxou a camisa sobre o braço do estofado e vestiu, levantando em seguida – Sabe tão bem quanto eu que nós acabamos de cometer um pecado enorme! – ela começou a recolher suas coisas.
- Ah sim, e eu quero cometer de novo! – ele riu, ficando de pé também sem sair de seu lugar e se debruçando no sofá para chegar o rosto mais perto dela – Você fica muito sexy com a minha camisa, e aposto que disso não sabia.
- Quer parar?! – a aflita moça jogou a sua bolsa na poltrona do canto e correu para o banheiro com as roupas na mão – Vista logo alguma coisa!
- Como eu faço isso se você ficou com a parte de cima? – ela parou no caminho e tirou a camisa, jogando na direção dele e fazendo-o rir – Ainda está sem sutiã.
- E você...! – o insulto travou na garganta quando correu os olhos para a virilha do atraente rapaz, e se sentindo quente de novo decidiu trancar a entrada do banheiro logo.
- Oh, vamos lá querida! – ele andou sem o menor pudor até a porta de madeira ao lado da estante de livros e bateu nela de leve – Você não se arrependeu, certo?!
- Não devíamos ter feito isso! – a jovem respondeu em tom choroso, preocupando o companheiro – Enzo, eu estou noiva!
- Eu sei... – a voz dele ficou mais fraca ao recostar a testa na porta – Mas eu tinha que tentar Kimi. Estou louco por você. – como ela permaneceu quieta, resolveu ser todo sincero de uma vez – Quando nos encontramos naquele restaurante, o seu perfume fez o meu corpo se excitar na mesma hora. Seus cabelos me cegaram de luz, seus lindos olhos me hipnotizaram e no instante que você sorriu pela primeira vez eu soube o quanto meu coração tinha se amarrado ao seu. – ele pausou e sorriu – Kimi, eu não posso mais fingir que sou indiferente ao seu encanto. A sua presença já me deixa nervoso, feliz e quente, tudo ao mesmo tempo. Mesmo que esteja assustada, por favor, não me pede para ir. Não sei se consigo sobreviver longe do seu corpo, do seu cheiro, seu sorriso... De você.
Mais nenhum som foi ouvido por alguns segundos, excerto a respiração de ambos, então finalmente Kimi abriu a porta. Ela estava enrolada em uma toalha e absurdamente corada, tentando ainda não fazer contato com os olhos dele ou mirar suas partes baixas.
- Você... Não disse isso só pra conseguir se deitar comigo de novo?
- Não, é verdade. – a moça o encarou com a mão sobre o peito, apertando a toalha com a outra – Eu sinto por você algo muito maior do que uma mera atração carnal. Nem consigo mensurar o tamanho do meu desejo, e eu estaria mentindo se dissesse que você não me atrai, mas não é só paixão. Na verdade... – ele sorriu – Eu estou seguro do que é, e poderia dizer agora, mas não quero. – ela fez uma careta involuntária, atiçando-o.
- Por que não? – de repente a jovem percebeu um nível alto de curiosidade como nunca sentira antes remoendo seu ser, e a palpitação acelerada de seu coração declarava que se em troca de contar esse segredo ele quisesse dominá-la mais uma vez, tudo bem.
- Eu quero te ouvir falar primeiro. – a resposta a surpreendeu, tanto que ela nem se mexeu quando Enzo começou a se aproximar – Eu sei que sentimos a mesma coisa, mas só vou dizer em voz alta os meus sentimentos por você depois de te ouvir gemendo meu nome novamente enquanto conta os seus. – os pelos do corpo de Kimi se eriçaram numa velocidade súbita, e conforme seus lábios tremiam o rapaz aproveitou para sussurrar um pouco no ouvido direito recém-mordido – Esquece o resto do mundo e me faz feliz mais uma vez. Eu quero fazer amor com você enquanto passo minhas mãos bem devagar pelo seu corpo, ensaboando cada pedacinho seu, e depois te devorar todinha.
Ela queria dizer alguma coisa, só não conseguia. Seu corpo estava reagindo a cada palavra dele, com espasmos involuntários, e a respiração dos dois logo se misturou feito o encontro de duas nuvens de tempestade, deixando choques por onde as mãos famintas passeavam. O beijo era necessitado de ambas as partes, e naquele instante a moça teve a certeza de que jamais conseguiria mantê-lo longe. Seria suicídio para os dois.
Quando conseguiu segura-lo por um instante, apenas pra tomar fôlego, notou seus lábios vermelhos em desespero para serem consolados e sorriu. Ele falara a verdade. De fato, a exatidão incontestável de estar louco por ela, de ser incapaz de viver longe da sua presença, no máximo sobrevivendo. Kimi não quis priva-lo disso, sabendo que também se desesperaria se fosse condenada a eterna ansiedade de abraça-lo sem nunca poder.
- Parece que o meu coração não quer se desprender do seu. – os dois riram de leve e se abraçaram com mais força, ela circulando o pescoço dele e arranhando suas costas e ele envolvendo a cintura dela – Enzo... Eu te amo. – o sorriso do rapaz aumentou – Quer fazer mais uma loucura comigo, debaixo do chuveiro?
- Pensei que nunca fosse me convidar. – ambos sorriram e a jovem mulher deixou seu amante guia-la, tremendo com o choque térmico da água quente quando o chuveiro foi ligado e pelo abraço recebido por trás, reconhecendo a proeminência que exaltava na parte superior de seu bumbum – Seus seios preenchem completamente as minhas mãos.
- Na verdade, acho que é o contrário. Suas mãos os abarcam por inteiro.
- Não importa a ordem. O caso é que fomos feitos um para o outro.
- E como ficam o Nick e a Bel? – Enzo a virou de frente.
- Eu não tenho nada sério com a Belinda. Somos amigos.
- Mas você chegou a dizer que estava esperando ela pra saírem juntos.
- Nós só precisávamos nos distrair depois daquela confusão no seu jantar de noi... – ele pegou ar – Nem consigo dizer isso sem querer vomitar.
- Bobo. – ela riu e segurou o rosto dele – Eu falo com Nick e você diz a Bel...
- Vai por mim, você não precisa se preocupar com ela. Na verdade, a sua decisão acabou de tornar as coisas mais fáceis pra todo mundo.
- Como assim? – Enzo tomou as mãos de Kimi e beijou seus dedos.
- Logo você vai entender. Agora se prepare querida, porque eu vou te deixar com as pernas bambas. – a moça riu de novo ao prender as pernas ao redor da cintura dele.
- Não será uma batalha tão fácil assim pra você, amor.
No final, quando Belinda chegou, a sua amiga já não estava mais ali. Ela aceitou a sugestão do rapaz para cancelarem a tentativa de união, pois não conseguiam sentir algo além de amizade. E reparou nos vidros embaçados. A justificativa dele foi o ar frio. Nas próximas horas, não houve nenhuma notícia dos noivos pra alegrar o casal. Felizmente, durante a noite a criatividade de Belinda fora aflorada demasiadamente.
Na manhã de segunda-feira, ela contou ao amigo sua ideia a caminho da empresa publicitária e ele concordou que poderia ser uma ótima sugestão pra dar a chefe durante a reunião, como não havia enviado por e-mail no domingo. Contudo, na hora marcada a única pessoa na sala pronta para receber os clientes de moda era a jovem. O grupo levou o atraso tranquilamente, até se passar vinte minutos e ninguém ter comparecido.
Sendo assim, Belinda agiu rapidamente e relatou aos presentes todo planejamento descrito pela senhora Postile na reunião da sexta, contando com sua ideia extra. Em dez minutos havia acabado e foi quando os clientes estavam saindo do setor que a equipe de publicitários chegou, acompanhados por uma mulher franzina, ruiva com o coque quase desfeito e os olhos castanhos aflitos de nervosismo e raiva.
- Senhor Hilton! – ela dirigiu-se ao homem gordo e barbudo dono da empresa de sapatos – Senhora Dulmor. – e olhou em seguida para a quase aposentada de óculos que respondia por mil lojas de moda espalhadas apenas em seu próprio país – Obrigada por virem. Eu só preciso pegar uns arquivos e podemos começar a apresentação...
- Já terminamos. – o sorriso de Postile decaiu com a interrupção.
- Senhor Hilton, por favor, o elevador ficou preso e...!
- Não precisa falar. – Dulmor rebateu – A senhorita Roald acaba de descrever sua estratégia publicitária. É brilhante! Principalmente a parte sobre a festa.
- Uh! Ah... – a mulher piscou confusa enquanto o grupo saia e se virou – A festa?
- É, o baile de máscaras. – ela respondeu de novo – Eu adorei!
- Oh, gostou mesmo é? – a senhora prosseguiu ainda confusa.
- É. Boa maneira de mostrar talento e deduzir do Imposto de Renda, e apoiar uma boa causa. – Hilton concordou – Estaremos aguardando notícias suas. Até. – os dois mal saíram e Postile se voltou a Belinda, cruzando os braços.
- Um baile de máscaras? – a moça abriu a boca com aflição e gaguejou.
- Ah, eu sinto muito senhora Postile. É... É que eu já tomei nota de outras reuniões e depois foi só improvisar, sabe. – a chefe a olhou de cima a baixo e sorriu.
- Bom... Acho que tem uma grande festa pra planejar.
- Ah... – a jovem encarou Enzo, parado todo contente perto da porta, e enquanto a senhora se afastava ela sorria mais – Tá, tá certo.
- Vai precisar do seu próprio escritório. – a novata piscou algumas vezes.
- Quem, eu? – e apontou para si mesma, ainda confusa.
- Está no comando. A ideia é sua. Sara! – a assistente se virou com a prancheta na mão – Um novo escritório pra Belinda e um cartão de crédito.
- Obrigada senhora Postile. – ela quase pulou de alegria.
- Ah, por favor, Belinda! De agora em diante é Rita. – Belinda acenou em acordo – Não se preocupe querida, estarei de olho em cada movimento seu. Vamos Sara.
- Sim senhora. – quando as duas se distanciaram, alguns novos membros do setor parabenizaram a moça e logo Enzo também se aproximou.
- Quer saber, acho que podemos esquecer o plano de fuga. “Sara” não combina de jeito nenhum contigo. – a jovem riu com gosto.
- Sim, eu não gostaria de trabalhar como assistente de alguém por cinco anos sem nunca ser promovida! Tadinha da Sara.
- E veja quem está se divertindo! Parece que você não se sente mais tão mal perto das pessoas com aura iluminada. Tornou-se uma delas.
- É que eu ainda não acredito, deu tudo certo mesmo! E agora, o que eu faço?
- Fique calma, você já fez o suficiente por enquanto. Deixe o resto comigo e com os diretores de criação e arte. Vamos procurar um lugar para o evento e depois faremos uma apresentação para a Dama de Ferro. – os dois riram.
- Pelo amor de Deus, não deixe ela te ouvir falando assim!
- Eu não trabalho pra ela mesmo, sou assessor de comunicação do Carlton. E entre os dois, com certeza prefiro o Carlton... Ei, nós nos encontramos no almoço então, para conversar melhor. – a amiga concordou e cada um voltou ao seu posto.
Mais tarde eles se encontraram na lanchonete da esquina, como sempre faziam na pausa, e enquanto comiam começaram a compartilhar novidades.
- Então, por isso você fugiu antes de eu chegar. Estava com o Nicolas.
- Eu nem fugi, tá legal?! Ele só queria conversar e você mesmo disse que eu devia dar uma explicação decente pros dois. Só falta falar com Kimi.
- Quanto a isso, acho que pode relaxar. – Belinda levantou uma sobrancelha e não disse nada até ele terminar o gole do suco – Kimi passou na sua casa quando eu cheguei.
- Sério? E por que não me disse na... – a moça se interrompeu e largou os talheres no prato – Enzo... Você por acaso dormiu com ela?
- Não. – quando ela começou a tomar fôlego por um alívio momentâneo, ele fez o complemento – Não chegamos a dormir, só fizemos amor loucamente.
- AI! – a jovem espremeu os lábios e as mãos em punhos, fazendo-o rir – Não ria disso, seu idiota! Enzo, você tem noção do que fez?
- Claro que sim, acabei de dizer. – o rapaz deu de ombros, continuando a comer.
- Como pode responder tão despreocupadamente? VOCÊ DORMIU COM UMA MULHER COMPROMETIDA, A MINHA MELHOR AMIGA!
- É, e graças a você todo mundo já sabe agora. – ela olhou em volta para os outros clientes e colocou a mão de um lado do rosto enquanto ele tomou mais um gole do suco – Não esquenta. Depois a gente procura outro lugar pra comer.
- Enzo... Não está nem um pouco preocupado com o que fez?
- Não. – respondeu sorrindo – Eu sei que a Kimi também me ama.
- É sério? – com a confirmação dele o sorriso de Belinda cresceu – Então nós dois podemos ficar com quem amamos e...! Ei, desde quando você gosta dela?
- Desde... Bom, desde que eu a vi. – a moça piscou surpresa e deu de ombros.
- Ok... Ah, agora entendi por que você vestiu a camisa do avesso. – ele riu – E por que a sala estava com um cheiro esquisito. E aqueles embaçados na janela... – o rosto da jovem foi se contraindo numa careta enquanto as risadas dele aumentavam – Seu porco!
- Porco?! Você fez drama, mas também entrou nessa, cínica! Eu podia te matar!
- Ah tá! Olhe, eu não posso pagar para ser prejudicada, eu tenho um evento maior pra planejar. Ah! E nós temos uma demonstração com a Rita em dez minutos. Vamos!
Continua...
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