terça-feira, 23 de julho de 2013
Cap. 7
Cap. 7
Você Pode Guardar um Segredo?
Katrina raramente passa muito tempo em seu quarto. Também nunca levou um homem em dois meses de vivência no condomínio Beija-flor para visitar sua suíte. Desta vez, entretanto, sua educação recatada está sendo deixada de lado conforme sobe os degraus da escada para o segundo andar. Korapaika a segue cautelosamente, mantendo distância caso ela acabe travando no meio do caminho e os dois terminem se trombando. Não é sua intenção seduzi-la de modo algum.
Nunca em sua vida ele se imaginou precisando pedir a uma mulher que fossem conversar a noite em um local mais reservado para evitar ser ouvido por outras pessoas. Menos ainda pensou em invadir o quarto de uma moça tão pura quanto a jovem a sua frente, girando a maçaneta para entrar antes e convidá-lo formalmente a fazer o mesmo. Mesmo assim, o loiro se debruça devagar e analisa o ambiente com agradável cortesia. A anfitriã observa ansiosa por um julgamento.
Atrás da cabeceira da cama de casal, coberta por uma colcha azul, um espelho se estende do piso de madeira lustrado até o teto e reflete a mesa de madeira encostada na parede.
- Deve ter, no mínimo, duas vezes a largura do banco de frente para a cama. – o rapaz fala em voz baixa e caminha lentamente pelo aposento.
O computador branco quase inutilizável de Katrina está em um canto da mesa e na outra ponta uma pilha de cd’s. No centro dela um pequeno DVD marcando as horas, bem abaixo da TV e alinhado à cadeira de aço com estofado preto. Ao lado da cama um móvel sustenta o telefone e guarda livros de capa grossa organizados por preferência de leitura. No canto oposto uma estante acoplada à parede reserva outros e expõe esculturas feitas à mão.
Frente a ela, duas poltronas de aspecto pouco confortável cercam uma mesinha de madeira com outro vaso enfeitado por flores e iluminado pelo abajur atrás de um dos estofados. A janela corrediça está aberta e traz o aroma da noite para dentro do quarto, assim como a porta que expõe a visão da sacada. É um quarto elegante para uma moradia improvisada. Korapaika estreita seus olhos ao ver as lâmpadas de teto penduradas por fios de cobre e cogita se não é uma prisão de luxo.
A escova carmesim permanece sobre a penteadeira envernizada à esquerda da entrada. Nela o colar em forma de Y reside chamativo e é onde cai a atenção dele instantes depois.
- Foi um presente do meu primo. – Katrina se apressa em explicar ao perceber seu interesse e senta no puff azul-escuro à frente – Ganhei dele quando nos despedimos em York Shin.
- Já esteve na cidade? – ele pergunta aparentando saber sua resposta.
- Sim. Não devo ter chegado a comentar. Ele me acompanhou no Zepelim usado pelo senhor Netero para nos pegar na ilha e me entregou esse colar para ter algo seu de recordação. Como isso fosse necessário. – o sorriso recordativo e divertido no rosto dela faz o coração do rapaz dar brutas e estranhas palpitações dentro do peito, mas elas são ignoradas – Então, sobre o que quer falar?
- Bem... – antes de se dar conta, ele já se acomodou na cadeira – Eu quero pedir desculpas por tê-la aborrecido essa manhã. Não devia ter insistido em saber sobre seus pais.
- Por favor, não diga isso! Eu quem devo me desculpar, por querer impor minhas ideias.
- Você estava certa. – a moça ergue a cabeça com surpresa e mais atenção, o fazendo rir – O tempo que já gastei investindo em caçadas por vingança... Eu provavelmente me esqueci de como é o calor de um abraço, ter uma casa para onde voltar e ser cercado de boas pessoas. Depois de ver tantas coisas ruins, senti necessidade de ter uma licença de Caçador para prender criminosos dos mais perigosos, da Lista Negra. No começo não me importei em conhecer Gon, Killua e Leório. A minha ideia não era fazer amigos, mas isso é uma coisa que não se pode planejar. – os dois riem – Quando consegui passar no teste, me afastei dos três. Cada um seguiu um caminho.
- Aconteceu o mesmo comigo e minhas amigas. Um dia os pais de Gene descobriram sobre a rotineira visita que ela fazia à tribo, e para despistá-los antes de nos encontrarem Kelly retornou para casa. Em questão de dias, Liana me disse que iria se casar. – ela ri melancólica e suspira – E depois de muito tempo, nós nos encontramos de novo.
- É. – Korapaika sorri por simples contágio – Relutei muito antes de ir embora. Quando me dei conta de que precisava aprender Nen, treinei por um tempo com um homem minha habilidade de materializar e acabei focado nesse objetivo de capturar o Genei Ryodan. – suspira, juntando as mãos sobre o colo – Fiquei surpreso quando recebi um convite de casamento do Leório, mas acabei contente por vê-lo tão feliz. Reencontrei Gon e Killua novamente nesse dia, embora nós quatro já tivéssemos nos visto antes em York Shin, durante o meu trabalho para a família Nostrad.
- Eu só pude rever Liana e as garotas depois de ser trazida para cá. Faz algum tempo. Deve estar completando quase três meses. Quando cheguei e nós nos encontramos, fiquei dividida entre morar com elas ou retornar para a tribo. – o rapaz abre ligeiramente a boca em atenção – Tenho a obrigação de tomar conta do meu clã, mas fico triste em ver todos reclusos do resto do mundo. Eu sei que é para nossa segurança, porque nascemos com um dom que devemos preservar... – ela toca os lábios com tristeza, sem perceber como o gesto enche de água a boca do pobre Kuruta – Mas...
- Talvez um dia seu sonho possa se realizar. – Katrina ergue os olhos para ele – As pessoas ainda acham que a tribo Karita se extinguiu ou não passa de uma lenda. Um dia você poderia sair da ilha e viajar pelo mundo. – a loira ri divertida e o faz sorrir.
- Eu adoraria, mas... – seu sorriso murcha – Não vou poder.
- Por que não? Acha que seus tios se recusariam a isso?
- Mesmo se eles permitissem, eu não poderia. – ela pausa e suspira profundamente, ficando ereta – Posso nem sobreviver até lá.
- Não diga isso! Estará segura aqui e depois da primavera...
- Estou condenada a morte Korapaika.
A interrupção para o aviso repentino trava a garganta do loiro. A donzela desvia o olhar no constrangimento, sem conseguir responder a expressão perplexa do jovem. Por sua vez, ele separa as mãos e também endireita a coluna, tentando firmar a nova informação.
- Condenada a morte? – o rapaz repete incrédulo – Como assim?
- Talvez eu não sobreviva mais do que dois anos. – ela reafirma – Você já sabe que eu tenho um corpo geneticamente fraco, mas também desenvolvi a doença da minha mãe. Liana pesquisou uma maneira de me fazer ficar boa. Tenho uma chance de me curar se... Bem... – os dois coram – Infelizmente, caso não me case com alguém, tenho grandes chances de morrer.
- Não pode ser. – Korapaika balbucia ainda descrente – E quem disse isso? Liana?
- No começo era apenas uma hipótese, um receio, mas depois Leório disse a mesma coisa.
- Eles podem ter se enganado! Sua avó e sua mãe se curaram!
- Não completamente! Elas permaneceram com o corpo fraco. As outras mulheres da tribo e as crianças têm a mesma resistência física. Isso é uma característica do clã Karita. O que acontece é que esse vírus invasor herdado pela minha bisavó piora o estado físico das descendentes diretas. Já não é uma teoria e sim a realidade: estou com os dias contados.
- Neste caso, por que não procurou um marido até agora?
- Ano retrasado eu completei a maioridade e meus tios convocaram uns homens da tribo para se apresentarem como pretendentes de casamento. Nenhum deles tinha uma idade ao menos perto da minha! – o casal retém um sorriso – Kenan é o único.
- Então você vai se casar com ele? – Katrina abre a boca e controla as primeiras palavras.
- Provavelmente. A verdade é que não o amo, mas eu devo viver. A tribo precisa de mim.
- Seus tios não podem assumir a liderança em seu lugar?
- Realmente, os dois são os próximos na sucessão se algo me acontecer.
- E por que não pede que eles cuidem do clã?
- Essa é minha responsabilidade Korapaika! – sua voz desce um tom – Os Karita são minha família de sangue. Por mais que ame Liana, Kelly e Gene, eu não devo por meus desejos acima do meu dever! – a sua respiração falha um momento e o loiro levanta rapidamente assustado.
- Está tudo bem? Parece um pouco pálida. – a moça ergue uma mão e nega com a cabeça.
- Estou bem sim. Se me acha pálida agora, imagine quando neva. Durante o inverno, você mal me veria! – ela ri momentaneamente – Às vezes fico um pouco anêmica, mas é só.
- Tudo bem. – ele volta a se sentar e puxa o ar ausente de volta para o pulmão.
- Embora queira me casar... – Katrina recomeça tocando o peito e respirando devagar – Não quero que Kenan se sacrifique por mim. E também... Tenho medo.
- De quê? – a loira ri fracamente e aperta um pouco os olhos.
- De muitas coisas, mas principalmente de ser mãe. – os dois silenciam por um tempo – Eu sei que minhas antepassadas só sobreviveram porque passaram sua doença para a primogênita. O meu receio de ter uma filha supera a vontade de constituir família.
- Você pode ter um menino. – Korapaika ressalta um tanto chocado pelo rumo da conversa.
- É questão de probabilidade, e, acredite, existem mais mulheres do que homens no meu clã. Além disso, Kenan e eu somos primos. Quando o sangue é próximo, isso prejudica a criança.
- E se tivesse uma mínima chance de você casar com alguém de fora? Talvez um Caçador.
- Seria maravilhoso. – ela confessa sorridente – Kenan demoraria a aprovar a relação, mas o restante da tribo confia nas decisões dos meus tios e respeita meus desejos. Sei que ficariam felizes.
- Neste caso, use seu tempo procurando um bom pretendente. – ele se levanta – E viva.
- Você tem razão. Posso até começar por um dos vizinhos.
- Melhor não se aproximar deles! – as pequenas rugas de preocupação no rosto dele surgem – Muitos daqueles Caçadores podem ser perigosos!
- Ora, todos foram muito gentis na minha festa de aniversário, e alguns têm tentado cortejo, acredito. – ri divertida – Por que eles me fariam mal se não sabem sobre mim?
- Podem saber. Melhor prevenir do que remediar.
- Está preocupado comigo Korapaika? – as bochechas do pobre Kuruta esquentam rápido.
- Estou tentando evitar um desperdício de tempo e esforço.
- Obrigada. – ela segura um riso nervoso ao vê-lo desviar o olhar – Espere aí! Você não está pretendendo desviar minha atenção, ou está? Sabia que eu queria perguntar algumas coisas a eles?
- Sobre mim, certo?! – a loira é quem fica desconcertada desta vez – Desista.
- E qual é o problema de querer saber mais sobre você?
- Não estávamos nos desculpando meia hora atrás por extrapolarmos nossa curiosidade?
- Tem razão. Desculpe. – a donzela suspira descontente e conformada – Que vergonhoso... Acho que estou tão ansiosa para conhecê-lo melhor porque gosto de você. – o silêncio reside até o rosa das maçãs do rosto da bela intensificar como as dele – Quero dizer, simpatizo com você!
- Obrigado. Então, eu vou deixa-la descansar. Boa noite. – ela retribui o cumprimento.
Cinco semanas mais tarde e a rotina de Katrina e Korapaika se baseia em acordar cedo para receber a visita constante de seus amigos antes de Kelly sair da cama, isso até Gene resolver tirá-la. Todo dia tem sido uma alegria sem fim na residência 202, algo comum aos moradores vizinhos sabendo a existência das amigas da bela loira, mas o sorriso estampado no rosto de Korapaika ao longo do tempo é o que mais preocupa os ex-examinadores. O senhor Netero resolveu ignorar.
Ou apenas observar momentaneamente. E isso se provou mais fácil do que parecia, excerto a insegurança de ainda precisar lembrar ao jovem vingador do dia de sua despedida. Senritsu, de todos, é o mais incomodado com a afeição repentina do rapaz pela moça e o doce ambiente familiar, embora se sinta feliz em vê-lo sorrindo a cada canção da loira enquanto a acompanha no piano de cauda branco em algumas visitas. Esse apego já limitado pode prejudicar bastante seus corações.
O loiro parece alheio a isso, mesmo alguém casualmente o lembrando das suas prioridades. Faltando apenas um dia para o fim do prazo, com o tempo frio de outubro anunciando o início do inverno, o grupo se reúne na sala da casa 202 para assistir um filme na televisão. Katrina não recorda a última vez em que teve tanto gosto de preparar três bacias de pipocas para se acomodar na sala em uma noite gelada, do tipo de dar vontade de jamais sair debaixo das cobertas na cama.
Ela senta ao lado de Korapaika no sofá enquanto os amigos deitam ou sentam sobre o tapete. Frequentemente, Kelly pede favores a Killua com tom de ordem no meio da sessão.
- Kill, passa o refrigerante. – ele estende a garrafa ao seu lado e volta a assistir o filme, mas logo ela o cutuca novamente – Kill, passa o sal. – o garoto repassa o saleiro já aborrecido e então, minutos mais tarde, a Nikoro o chama outra vez – Kill, passa mais um cobertor.
- Por que não pega você mesma? – seu grito se sobressai ao volume da TV e assusta Gene.
- Se achou ruim podia ter dito. – ela dá de ombros e se levanta para buscar outro lençol.
Kill é o apelido carinhoso de Killua, recém-batizado pela arqui-inimiga Nikoro, já nem tão rival assim. Gon se diverte com a cena e ri junto ao seu inseparável braço direito, Dilatam. Com o tempo eles se tornaram como unha e carne. Liana já trata a todos como uma mãe, praticando para o dia em que descobrir ser uma de verdade. E talvez a surpresa não demore muito.
- PESSOAL! – o grito masculino assusta todos os presentes no exato momento em que uma bomba explode no filme, então Korapaika abaixa o som da televisão.
- Ficou louco Leório? Assustou todo mundo! – o loiro reclama.
- Desculpem, mas nós temos uma novidade sensacional! – detrás dele Liana se aproxima.
- O cinema foi bom? – Gene pergunta – Vocês demoraram.
- É, deve ter sido para o Leório voltar com essa cara. – Killua dá de ombros – Nós não fomos convidados, então nem posso dizer algo.
- Preferia ficar segurando vela? – Kelly questiona e os dois riem maliciosamente.
- Pelo amor de Deus, vocês podiam ter ido junto. – Liana suspira sorridente e pendura seu casaco no cabideiro atrás da porta – Mas se tivessem ido desta vez, não teria surpresa mesmo.
- Ora, então vocês digam de uma vez qual é a surpresa.
- Quer contar Leo? – o médico nem espera um segundo convite e abre os braços.
- VAMOS TER UM BEBÊ! – ele grita novamente e desta vez Kelly e Gene o acompanham.
- Sério? – Korapaika ri surpreso – Nossa! Meus parabéns.
- Valeu. – os dois trocam um aperto de mão e Katrina se apressa em abraçar o casal, assim como as garotas – A gente passou em uma clínica depois do cinema para a Liana confirmar.
- Confirmar? Então já estava suspeitando? Poxa, vocês podiam ter nos contado logo então!
- Ora Gon, eu precisava ter certeza, e não queria dar falsas esperanças ao Leório. Por isso o coitado só ficou sabendo agora a pouco também. – todos riem do falso bico de tristeza do homem – Mãe do céu, eu estou morrendo de fome! Podem ir passando a pipoca!
- Ah claro, aproveite agora porque brevemente vai estar redonda como uma bola.
- Vai rindo que logo será a sua vez Kelly. – a mais velha senta na poltrona vaga.
- Boa tentativa, mas eu não tenho tendência a engordar. – com exceção de Liana, todos riem.
Uma hora mais tarde a sessão de cinema acaba e todos começam a se aprontar para dormir. Gon e Killua foram convidados a montar acampamento na sala com as garotas e logo os quatro se aconchegam debaixo dos lençóis sobre os colchões infláveis. Leório se apressa em beber água antes de sair e deixa as chaves do seu carro já em mãos. Liana resolve se despedir de Katrina e sobe para o segundo andar sem avisá-lo. Quando chega à porta do quarto da moça, anda silenciosamente.
Em dez segundos ela não escuta nenhum som, mas não demora até que ruídos conhecidos a alegrem. Sorrindo maliciosamente, a médica dá meia volta e leva o marido embora o quanto antes. No dia seguinte, com a luz do sol quase ausente, o casal invade a residência por volta das nove horas. O quarteto na sala continua descansando e a mulher encabe ao homem acordá-los, subindo outra vez para o andar de cima ao constatar que o loiro da casa está preparando o café-da-manhã.
Chegando ao quarto da moradora principal, Liana bate devagar na porta semiaberta e a voz que permite sua entrada a indica o tamanho sono da amiga. Certamente, Katrina acordou tarde.
- Muito bom dia. – a mais velha fecha a porta com cuidado e segura um riso ao ver a loira – Está parecendo cansada querida. Já são nove horas e você ainda estava dormindo?
- Não consegui dormir antes das três. – a médica reprime um sorriso malicioso.
- Oh sei. E que atividade da madrugada foi essa capaz de deixa-la tão cansada? – o evidente rubor no rosto da linda moça e o desvio de seu olhar confirmam todas as suspeitas de Liana – Ah Katrina, você está dormindo com o Korapaika, não é?!
- CLARO QUE NÃO! – ela grita sem convencimento e suspira para tentar se acalmar.
- Eu estou grávida. Não pode me enganar. – sorrindo, a mulher a guia até o espelho e toma suas mãos, abraçando-a de lado com o rosto colado ao topo de sua cabeça – Você amadureceu.
- Oh Liana. – a jovem choraminga – Foi impossível resistir!
- Minha querida, você não fez nada de errado! – Katrina repuxa o colete azul decorado com a barra de cor laranja que está usando e suspira com ar reprovador.
- Como não? Compartilhei minha cama com um homem com quem não sou casada! E até estou usando suas roupas. Sou noiva do Kenan! Isso faz de mim a pior de todas as mulheres!
- Não meu amor, isso faz de você humana. Além disso, seu noivado com Kenan foi sugerido, não oficializado. Agora tem uma oportunidade a se apegar para desistir de seu posto como líder.
- Não posso abandoná-los! – a moça exclama nervosa e com pesar ao mesmo tempo.
- Jamais os abandonará, e nem eles a você. Mas seus pais gostariam de vê-la feliz. Construa um lindo futuro com a sua segunda chance de viver. Esse não é o conselho que dá ao Korapaika?
Diante o sorriso de Liana, a loira se vira e a abraça aos prantos. Sua amiga resguarda todas suas dúvidas e lágrimas até que se acalme e depois a coloca novamente de frente com o espelho.
- Confie em si mesma minha querida. Sua felicidade depende de sua próxima escolha.
- Qual? – ela pergunta num fio de voz e a médica sorri.
- Precisa decidir se quer ficar com Korapaika. Conte seus verdadeiros sentimentos.
- Tenho medo Liana. E se ele não me quiser? – a gestante arruma os óculos no rosto e sorri.
- Como poderia não querer esse rostinho lindo?
- Mas Korapaika aceitou ser meu. Deixou pertencermos um ao outro por mais de uma noite. Temo que tenha sido apenas isso: noites de primavera.
- Os encantos desses dias jamais se perderão. Irão durar em suas lembranças para sempre.
- E as dele? Se não for meu rosto resguardado em sua mente, como vou viver?
- Ele teria que ser muito louco para recusá-la, minha querida. Você acredita nessa recusa?
- Quero mais do que tudo a sua aceitação! Preciso saber se me ama e matar essa dúvida!
- Então corra até ele! – Liana afaga seus fios dourados – Mostre sua determinação.
- E o que dirá meu clã? O que dirão meus tios? E Kenan?
- Antes essa não era sua maior preocupação e nem deve ser agora. Você tem direito a essa alegria! Seja corajosa e prove que o amor pode vencer todas as barreiras da vida!
Lentamente, as pupilas de Katrina de dilatam, dando ao azul mais cor. Compreendendo sua surpresa, a mais velha aprecia o brilho da inocência no corpo de menina, já mulher feita.
- Amor? – a loira repete com doçura – Eu o amo mesmo, não é?! E estamos mesmo juntos?
- Não é um sonho Katrina. Mas antes de realiza-lo, compartilhe com seu amado.
- Está bem. – ela sorri e caminha em direção à porta, parando na soleira – Obrigada Li.
- De nada. – responde rindo ao vê-la correr e se volta ao reflexo – Tão menina, tão mulher.
Continua...
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