terça-feira, 23 de julho de 2013
Cap. 6
Cap. 6
Saber o Que é a Vida
Korapaika Kuruta se mantem firme diante ao perigo, mas nesta circunstância o motivo da sua paralisia é peculiarmente interessante. Quem diria que Katrina Karita se apaixonaria por sua pessoa. Um sorriso momentâneo, e a ele estranho, surge em sua face. Por um segundo o rapaz se permite curtir a sensação de ouvir da boca de uma mulher, e não qualquer mulher, mas Katrina, que pode estar o visando. Contudo, quais as consequências desse sentimento novo?
Há um minuto contado de silêncio antes de Liana balbuciar um “oi” confuso. A moça a sua frente começa a apertar a barra do vestido com nervosismo.
- Você acabou de me dizer que está apaixonada pelo Korapaika?
- Sim. – a bela admite – E não é apenas uma atração.
- Oh Deus! – Liana procura a cadeira mais próxima e senta – Isso há quanto tempo?
- Não sei. Na verdade, acho que posso estar gostando dele desde que o vi.
- Isso é natural. Korapaika é um homem bonito, atraente. Mas você acabou de dizer que não é apenas uma atração. Está mais do que apaixonada por ele? – Katrina abaixa a cabeça, tentando esconder o rosto rubro – Você o ama Katrina? Não pode! Vocês se conhecem há cerca de uma...
- Eu sei que faz pouco tempo, mas Liana, ele é tão gentil e doce! Fiquei comovida enquanto o Leório falava sobre ele, e os meninos também o elogiaram muito.
- Ah, eles abriram a boca, só podia! Eles, por acaso, te incentivaram a isso?
- Claro que não! Ninguém sabe o que eu sinto, estou contando apenas para você!
- E tem certeza do que está me dizendo Katrina? Não é um assunto para brincadeiras!
- Eu sei e tenho certeza absoluta! Até tentei ignorar, mas sempre que ele sorri meu coração se desmancha. – atrás da parede, o loiro começa a respirar com dificuldade – Nós conversarmos à tarde na loja, antes de nos encontrarmos com vocês, e ele me contou da sua família.
- Então você já sabe sobre a tribo Kuruta. – a loira acena em afirmativo – E o que acha?
- Korapaika sofre demais. Ele ainda não superou a morte da tribo e tem certeza que vingar o seu assassinato vai trazer paz às suas almas. Liana, o que eu devia fazer?
- Sinceramente querida, eu sei tanto quanto você. Se quiser respostas, devia conversar com Leório e os meninos. Pergunte a opinião deles.
- Mas eu já perguntei. Quando falei do Korapaika para eles, os três me contaram coisas bem dramáticas sobre o Exame de Caçador, mas me disseram muitos pontos bons dele.
- Nesse caso então, entreviste os vizinhos. Eu soube pelo próprio Leo que vários deles são os competidores do exame da época em que ele e os meninos participaram.
- E por que você acha que eles saberiam mais sobre o Korapaika do que os amigos dele?
- Disso não sei, mas custa tentar? Os vizinhos podem dar um ponto de vista diferente.
Antes que Katrina responda, o loiro se distancia da cozinha com maior nervosismo. Com as mãos em incessante movimento, ele pega o celular do bolso e clica um número da discagem rápida, indo à varanda e fechando a porta corrediça. Após uns segundos, alguém na outra linha atende.
- Senritsu, sou eu. Nós temos um problema. Katrina está querendo saber mais sobre mim.
- “Ora, e isso deveria ser um problema?” – o loiro se encabula.
- É claro que isso é um problema! Ela quer conversar com a vizinhança! Você sabe bem que a maioria dos Caçadores aqui quer usá-la. Eu vou tentar impedir, mas precisarei de ajuda. Ligue para a o senhor Nostrad o mais rápido possível.
- “Para o senhor Nostrad? Mas por quê?”.
- Esse lugar não é seguro para Neon. Eu tentarei convencê-la a ir para casa. Também vou pedir um favor ao Killua; talvez precisemos de proteção extra. Estou começando a suspeitar que alguém possa estar nos observando, contudo, não tenho mais certeza se é o Genei Ryodan.
- “Você descobriu algo mais sobre aquele grupo de quem suspeita?”.
- Pelo que Katrina me disse, podem ser os assassinos dos pais dela. A essa altura, o senhor Netero e os ex-examinadores já devem estar sabendo e achando isso também.
- “Mas você viu alguém suspeito rondando por aí?”.
- Hoje pela manhã ela saiu cedo para trabalhar naquela loja de flores. Quando cheguei lá o lugar estava lotado. Em alguns momentos eu tive a sensação de sentir uma pessoa se escondendo entre as outras no festival. Você também estava lá. Não ouviu nada estranho? – ele resmunga.
- “Havia muitas pessoas com o coração perturbado, mas a maioria estava feliz”.
- Eu entendo. Nem sua audição aguçada daria conta dos gritos. – o loiro sorri com graça – Se tiver mais informações eu aviso. Precisamos nos adiantar, afinal, daqui quatorze dias iremos embora. Quando Katrina descobrir quem nós somos não vou culpa-la por ficar aborrecida. É uma pena. Talvez você consiga continuar sendo amigo dela.
- “É claro que eu gostaria. Isso me faria muito feliz, mas por que você acha uma pena? Está se sentindo triste por achar que ela não vai mais falar com você?” – Korapaika cora.
- Não fale besteira Senritsu! O meu objetivo é recuperar os olhos vermelhos da tribo Kuruta.
- “Mas você não pode ter outros objetivos? O que vai fazer depois disso?” – o loiro emudece estático e se lembra da mesma pergunta saindo dos lábios da bela Katrina – “Korapaika?”.
- Por favor, faça o que eu pedi Senritsu. Até. – ele fica cabisbaixo, pensativo, um instante, e então a porta do jardim é aberta abruptamente.
- Interrompi alguma coisa? – o rapaz abre a boca surpreso.
- Kelly? Estava escutando? – ela caminha devagar em sua direção com os braços cruzados.
- Não era minha intenção. Fui pegar um livro na estante quando o ouvi mencionar Katrina. Você deixou a porta entreaberta. – o loiro desvia o olhar e volta a encará-la sério – Não fique me olhando assim. Não pretendo contar nada para Katrina, mas quero saber quem é você e seu amigo Senritsu. – ela mesma fecha a porta e se volta a ele batendo o pé direito.
- É melhor você não saber. Mesmo sendo amiga da Katrina...
- Eu sou filha da família Nikoro, os caçadores de recompensa mais famosos do mundo. Meu carinho pela Katrina é maior do que você pode imaginar, e, se for necessário, com os treinamentos e ensinamentos aos quais fui submetida desde criança eu vou defendê-la com unhas e dentes! Bem agora desconfio de você. Se não me contar sua verdadeira identidade, acredite, eu vou te matar!
- Se achar que pode. – Kelly contorce o rosto em fúria e separa as pernas, erguendo as mãos abertas em posição de ataque – Não quero machuca-la. Katrina ficará chateada se brigarmos.
- E ficará ainda pior se souber que abriu as portas da sua casa para um mentiroso.
- Eu sou mesmo um mentiroso. – ele ri com desdém – Mas estou do lado de vocês.
- Prove. – Korapaika suspira e senta em uma das cadeiras debaixo do guarda-sol, erguendo a mão para a outra em frente como convite e espera Kelly se acomodar – Pode começar.
- Eu sou um Caçador da Lista Negra. Comecei a trabalhar há um tempo para Light Nostrad, o pai de Neon e o líder de uma das famílias mais famosas da máfia. Disse à Katrina que me demiti depois da interrupção do leilão na cidade de York Shin, quando os artigos foram roubados e houve o assassinato dos dez anciões. Era mentira; eu não me demiti. Na verdade, o senhor Netero, líder dos examinadores no Exame de Caçador, me procurou e pediu pessoalmente para ajuda-lo.
- Então ele te contratou para vigiar a Katrina?
- Não apenas ele. O próprio primo dela, Kenan, me pediu o mesmo.
- E você suspeita que seja o Genei Ryodan quem está a perseguindo? Mas eles não tinham morrido na confusão do leilão? Foi essa a informação divulgada.
- Eram corpos falsos. – o semblante do rapaz se contorce a cada palavra – Eu mesmo tentei captura-los. Consegui forçar o líder, Kuroro, a se afastar dos outros membros, mas apenas isso.
- E como fez isso? – Korapaika permanece quieto e a garota suspira, voltando a cruzar seus braços – Sei que você tem uma rixa com essa trupe de palhaços. Killua me disse. – o loiro a encara aborrecido – Pode culpa-lo se quiser, mas tanto ele quanto Gon e o tio velho gostam de você. – ele ri levemente e desperta um sorriso nela – Sabe... Existe mais alguém que pode estar atrás dela.
- Eu sei. Ela comentou o nome: Sedie Havre. O que sabe sobre eles? Nunca ouvi seu nome.
- Não é comum a quase ninguém. A maioria das pessoas nem deve ter ouvido falar deles. A causa é sua discrição. Tenho certeza que o maldito Okamoto mal liga se for caçado. É conveniente permanecer à surdina só porque a meta da vida dele é conseguir a Katrina.
- Então por que ele não a capturou no ataque que fez à tribo Karita?
- A intenção inicial era matar todos e vender seus olhos no mercado negro. Além disso, toda mulher tem lábios carnudos e vermelhos também, como a Katrina. Quando o Sedie Havre atacou, Okamoto roubou um diário antigo do avô dela e ficou sabendo sobre o imenso poder adormecido e da doença que assola seu corpo fraco. Ela já te contou sobre isso?
- Liana me disse. – ele confessa constrangido e interessado ao mesmo tempo.
- Pois é... Para aquele canalha é melhor ninguém mais saber da tribo Karita. Até mesmo o velho médico que cuidou da Katrina quando ela ficou doente aos doze anos eles mataram tentando garantir a segurança da localização deles. Por um lado é bom, porque sempre estarão protegidos.
- Mas esse é um tipo de proteção que eles não precisam.
- Exatamente. Não sei bem o que Okamoto realmente pretende com a Katrina, porém, se eu estiver certa, ele deve estar pretendendo mata-la para conseguir os olhos vermelhos depois de...
- Depois de quê? – Kelly cora e contorce o semblante em raiva ao mesmo tempo.
- Após engravidá-la. – Korapaika assume uma expressão de pânico e também se envergonha – Imagino que a Liana deva ter te contado da suposição dela sobre a origem da doença da Katrina.
- Sim, disse. – ele procura ficar calmo – Se ela casar...
- Casar está fora de questão! Os Karita jamais aceitarão casá-la com um Caçador, e é um caso compreensível, afinal, todos os seus problemas começaram por culpa deles. Infelizmente essa doença só iria sumir assim, mas pode diminuir se ela apenas perder a virgindade. – Kelly espia de canto o rapaz e ri – Está parecendo um tomate. Por acaso você ainda é...
- Não estamos falando de mim e sim dela! – o loiro eleva a voz, envergonhado.
- Sim, você é. – Kelly diagnóstica e sorri vitoriosa quando o vê desviar o olhar – Bem, o caso é que ganha quem chegar primeiro. Acredite, eu apostaria em você.
- Do que está falando? E não estava agora a pouco desconfiada de mim.
- Fiquei desconfiada dos seus reais interesses com a Katrina. Faz tempo eu notei o quanto os vizinhos estavam empolgados para chamar a atenção dela com agradinhos e elogios, mas você não parecia atraído por ela mesmo tentando desviar a sua atenção dos outros.
- É claro que sim! Para começo de conversa, eu sou amigo do Leório, o marido da sua amiga, e estou morando de favor na casa dela. Além disso, não sou homem de me insinuar para mulher.
- Espera um pouco. Acabou de dizer que está morando de favor? – ela ri – Agora eu percebi! Se Leório e Liana arranjaram para você ficar aqui, com a desculpa de estar descansando, é porque sabiam da sua missão! E eles não me contaram nada?! Desgraçados!
- Essa é uma informação secreta. Os dois só souberam para me ajudar a conhecê-la. Espere... Você me disse que apostaria em mim? Como assim?
- Mesmo estando aqui por vingança, ou por um simples serviço, você gosta da Katrina.
- Como é?! – ele quase grita – Quem disse isso? De onde tirou essa ideia?
- Eu não sou boba, nem nasci ontem. Percebo com que cara você fica quando olha para ela, e quando os dois conversam parecem estar sozinhos no mundo.
- Não nego que gosto de conversar com ela, mas é apenas isso.
- E vai me dizer também que a Katrina não é bonita.
- Ela é sim. Afinal, qual a sua intenção nessa história? Pretende juntar nós dois?
- Seria uma opção interessante. – Kelly ri – Não fique aborrecido. Estou sendo sincera.
- Não foi você mesma quem disse a pouco que os Karita jamais aceitariam casá-la com um...
- Caçador, é, mas você não é um mero Caçador. Ter pertencido a uma tribo semelhante traz vantagens. Além disso, tenho certeza, eles prefeririam vê-la casada contigo a ser violentada pelo assassino dos líderes do clã. Kenan é cabeça quente. Felizmente, os pais dele, tios da Katrina, têm bom senso e não generalizam as coisas. Eles sabem que nem todos os Caçadores são ruins.
- Estou em dúvida se isso foi um elogio ou uma escolha entre o ruim e o pior ainda.
- Acredite, dizer que você seria um bom marido para a Katrina é o mais perto de um elogio que vai conseguir arrancar de mim. Sua personalidade vingativa dificulta as coisas, mas Katrina poderia te colocar na rédea curta. Ela sabe convencer as pessoas.
- Agradeço o elogio então. – ele se levanta – Mas pode tirar essa ideia da cabeça. Não posso e nem quero me comprometer com alguém agora.
- Ela não vai ficar solteira para sempre. – Korapaika ignora o comentário e caminha para a porta, então Kelly se vira ainda sentada e sorri maliciosamente – Sabia que o Kenan gosta dela? – o rapaz para de andar e vira o rosto calmamente – Ele pretende se casar com ela para salvá-la. Foi Katrina mesma quem me contou. Kenan tem permissão dos pais.
O loiro não diz nada. Ao invés, entra na casa e encontra Gon vendo TV com Gene na sala.
- Vocês sabem onde está a Liana? – os dois desviam a atenção para ele.
- Ela saiu faz pouco tempo. Acho que voltou para a casa dos Kenedy. – Gene responde.
- Obrigado. – ele se dirige à porta e para na soleira – E Katrina?
- Foi tomar banho. – é a vez de Gon falar – Aconteceu alguma coisa Korapaika?
- Não, tudo bem. Quando ela sair do banheiro, peçam que me espere aqui. Vou sair.
Os dois concordam com um aceno e ele então fecha a porta, passando pelo portão e andando devagar pela rua até chegar à casa de tijolos vermelhos e pretos dos Kenedy. Leório está sentado no banco de madeira em frente à janela de três divisórias à esquerda da porta, enfeitada por vasos de plantas, e ri de alguma coisa enquanto lê o jornal não lido de manhã. Korapaika sai da calçada de ladrilhos amarelos e pisa nos azulejos de tom bege, chamando a atenção do médico.
- Como vai?! – ele sorri e desdobra as pernas – O que veio fazer aqui?
- Preciso conversar com a Liana. Onde ela está?
- Provavelmente tomando banho. – o loiro suspira – Sente aqui. Ela não deve demorar.
Sem responder, Korapaika se acomoda de costas para o médico e abre um livro de bolso. Ao lado da porta, a lâmpada grande e redonda começa a piscar em alerta automática ao pôr-do-sol. O telhado branco se ilumina de laranja enquanto o vento balança as folhas vinho dos arbustos. Logo que some o entardecer, a sombra de um rosto feminino surge na janela em losango da porta dupla verde e branca. A maçaneta gira e empena a placa presa por uma corda, onde diz "alugada".
- Ah, você ainda está aí Leório? – a silhueta de mulher se faz presente – Olá Korapaika.
- Oi Liana. – ele fecha o livro e se levanta – Gostaria de falar com você.
- Tudo bem. – ela se volta para o sofá da sala – Killua, por favor, abra a janela de cima!
- Qual? – o jovem grita de volta e consegue sua resposta ao vê-la erguer o indicador para a ventana retangular acima da losangular – Isso é exploração! Você alcança aquela!
- Pratique o bem e seja cavalheiro. Eu vou conversar com o Korapaika. – Leório compreende o sutil olhar da esposa e entra na casa, cedendo privacidade e espaço para sentar no banco – Então pode me dizer, qual o assunto? Eu suponho que deva ser importante.
- Sim. É sobre a Katrina. – Liana sorri de lado e recosta na madeira – Ela não pode bater de porta em porta perguntando aos vizinhos sobre mim, e por dois ótimos motivos!
- Eu sei disso. Sua missão e a possível probabilidade de mais da metade desses homens aqui quererem ataca-la, seja em qual sentido for. Leo me contou sobre as suspeitas.
- Então por que sugeriu isso a ela? – a mulher o encara aos risos.
- Você está me repreendendo? Estava escutando escondido a nossa conversa!
- Eu sei. Desculpe por isso. – ele diz corado – Nós tivemos uma briga de manhã, então...
- Queria se certificar de que ela estava bem? – o loiro fica quieto, mas Liana acena como se o filósofo mais sábio tivesse acabo de passar na sua frente – Amor jovem.
- Como disse? – a expressão assustada e ao mesmo tempo raivosa dele liberta um riso dela.
- Nada. Diga-me Korapaika, por que acha que foi convocado para proteger Katrina?
- Talvez porque fui o único a conseguir capturar o líder do Genei Ryodan.
- Pode ser. Não teria mais nenhum motivo? Por exemplo, por que Kenan aceitou o contrato dos seus serviços? Não seria por ter passado pela mesma experiência que ela sofreu?
- E como isso ajudaria a protegê-la?
- Não esqueça que eu passei um tempo na tribo Karita com Gene e Kelly. Mesmo gostando muito da Katrina, não servimos de muita ajuda quando ocorreu aquela tragédia seis anos atrás. Da minha parte, pude curar os membros do clã, mas não acalmar o coração dela. Você poderia.
- Por favor, Liana, não crie expectativas. Sou o menos indicado para fazer o que me pede.
- Acha mesmo? Não o conheço há tanto tempo quando o Leo e os meninos, contudo, consigo dizer com certeza que se os dois passassem um tempo juntos...
- Já conversamos hoje de manhã e você viu no que deu.
- Bem... – ela ri – Se escutou a conversa, sabe mesmo a consequência da sua presença.
- Sei. – ele cora – E não me agrada nada essa ideia.
- Pare de ficar se torturando, pensando na opinião das outras pessoas! Depois de tanta dor e amargura, tem alguém além dos seus amigos que quer o seu bem com sinceridade. Você consegue esquecer sua sede de vingança se quiser, e ficará apenas com boas lembranças do passado!
- Eu não posso fazer isso! – o loiro se levanta e aperta os punhos – Não vou abandonar meu clã! Seus olhos vermelhos ainda falam comigo, pedindo que os encontre e me vingue em seu nome!
- Isso é besteira! – Liana também levanta aborrecida – Acha mesmo que seus pais iam pedir para seu filho sacrificar a própria vida prendendo assassinos? É a sua vontade, não coloque culpa nos mortos! – o loiro cerra os dentes, zangado, mas ao mesmo tempo espreme os olhos com dor e surpresa evidentes – Korapaika, apenas vocês dois podem curar o coração um do outro.
- Só porque você é médica, não tente força-lo a fazer uma coisa que não quer com esse papo. – os dois de repente se voltam à voz e vêem Killua parado na soleira da porta, de braços cruzados.
- Para você está bom deixar as coisas como estão? – o jovem coloca a mão direita no bolso da calça e se aproxima sério – Ele agora nem sabe o que é viver! Killua...
- Sabe Liana, o Korapaika veio aqui para te perguntar algo. Não vai responder? – pelo canto dos olhos, a mulher vê o marido esperando onde antes o Zaoldyeck estava e suspira indignada.
- Muito bem. Essa intervenção vai acabar custando caro mais tarde. Korapaika, eu só falei à Katrina para conversar com os vizinhos porque Kelly e Gene já fizeram isso. Pela própria vontade, as duas saíram de porta em porta interrogando os vizinhos usando as aventuras do Gon como sua desculpa. Ele também foi junto e pode te contar tudo que elas disseram.
- É verdade. – Killua prossegue – Elas fingiram interesse em conhecê-los e acabaram pondo o nome da Katrina no meio das conversas, para ver a reação deles quando falassem dela. Nenhum dos Caçadores têm intenções ruins. Pelo menos foi o que a Kelly me disse.
- E se sabia disso, por que não contou nada Killua?
- Eu ia saber que a tia aqui ia dizer para ela falar com eles?!
- Você vai ver quem é a tia mais tarde. – a médica ameaça sinistramente e ele ri temeroso – Escute Korapaika... – ela se volta mais calma – Se quiser, pode ignorar meus conselhos, mas nada vai mudar os sentimentos da Katrina agora. Eu sei, pois a conheço faz tempo. E isso você não vai conseguir ignorar. Kenan jamais te deixará em paz se machuca-la. Ele pode até dar a sua vida!
- Para evitar tudo isso eu pretendo me afastar o quanto antes dela.
- Boa tentativa, mas agora já é tarde. Uma hora ou outra você vai ter que falar com ela. Até esse momento chegar, eu te desejo boa sorte. Vai precisar quando olhar nos olhos dela.
Sem entender bem o aviso, o loiro se despede e volta para a residência 202. As garotas estão na varanda, jogando cartas com Gon, e a dona da casa termina de arrumar o seu novo arranjo de rosas brancas sobre a mesa da cozinha. Ele se aproxima devagar e para ao vê-la sorrir por sentir a sua presença. Em dois segundos seu coração falha uma batida. Korapaika então constata: Liana, Senritsu e os demais têm razão. Será muito mais difícil do que pensava se afastar da bela Karita.
Continua...
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