A Dona do Pedaço

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domingo, 20 de maio de 2012

As Peças do Jogo

Como vão, queridos leitores? Bem, esta fanfic de Code Geass, que foi lançada inicialmente em 2012, está sendo repaginada agora em 2019 para a inclusão de novos elementos, que não foram mencionados da primeira vez, e o melhoramento textual. Então eu planejava manter os 10 capítulos com os quais finalizei o projeto antes, mas enquanto reescrevia as últimas páginas, quando vi já havia criado mais 2 capítulos e 1 especial. Kkk Sendo assim, as cenas mais fofas e calientes deste capítulo foram transferidas para os capítulos seguintes.

No momento eu vou me ocupar com estudos para tentar um mestrado em comunicação, minha área de formação profissional, portanto posso atrasar um pouco o lançamento do final da fanfic, porém não planejo interrompê-la. Lançarei a continuação quando for possível, e por enquanto, vocês podem curtir este capítulo fresquinho. Até a próxima!


Cap. 10
As Peças do Jogo


A noite atual está agitada. Todos os jornais da cidade noticiam, ou já noticiaram, a cirurgia pela qual a reclusa C.C. passa no momento depois de ser baleada por Mao, seu antigo entregador de pizza psicologicamente perturbado. Enquanto muitos aguardam um sinal de boas novas, as roupas da moça são separadas e conservadas para a investigação policial, sendo substituídas por uma camisola hospitalar. Após cerca de meia hora, antes da anestesia local se dissipar, alguns pontos são feitos para fechar a ferida.
Quando a operação termina, o cirurgião que realizou o procedimento aparece na sala de espera com um sorriso, tirando suas luvas enquanto informa o sucesso da ação. A plateia apreensiva, que agora não se trata apenas de Lelouch e os demais conhecidos da ricaça, finalmente suspira aliviada. Repórteres que estavam sossegados, em respeito à tensão coletiva, se apressam em interrogar o Lamperouge no mesmo segundo, curiosos sobre o incidente causador da morte de Mao; algo já facilmente divulgado pela polícia.
Para não perturbar os demais pacientes no hospital, alguns membros do grupo de apoio da jovem vão dar respostas do lado de fora da clínica. Mais tarde, com o alvoroço controlado, o segurança particular da herdeira de Corabelle tem permissão pra encontrá-la na ala de recuperação. Considerando a sua popularidade, a moça está descansando em um quarto reservado, assistindo à um jornal pela televisão suspensa na parede. Ao entrar, ele fecha a porta devagar e senta na poltrona perto da cama.

- Como se sente? – a voz masculina ressoa com delicadeza.
- Como se tivesse tomado um tiro. – o som feminino emite leve aspereza – O que aconteceu? Eu não me lembro de muita coisa.
- Bom, eu acionei a polícia e pedi um uniforme emprestado, pra me disfarçar entre eles e conseguir chegar até você. Foi difícil convencê-los, mas quando eu disse que até poderia ajudá-los a capturar Mao, usando o telão do parque de diversões para transmitir uma gravação distrativa, o delegado comprou a ideia. Eu peguei a sua pistola e guardei em um local seguro, então ninguém vai suspeitar que você pretendia matá-lo.
- Retirou uma prova da cena do crime para me proteger?
- Pois é... – o motoqueiro dá um sorriso de canto – Acho que eu te devia essa.
- E como sabia onde nós estávamos? Você não poderia ter suposto isso.
- Acha que não? – ele abre outro sorriso, agora de escárnio, porém logo suspira ao vê-la franzir o cenho – Eu ouvi a ligação dele. Sempre gravo as ligações que eu faço, ou recebo, no meu celular. – C.C. acena com a cabeça em entendimento e vira o rosto para o outro lado – Eu lamento muito, por tudo que eu disse. Estava nervoso e...
- Não importa. – a voz dela sai fraca – Você tinha razão em ficar irritado. – neste momento, Lelouch pensa no diálogo que teve com Euphemia e sente melancolia.
- Não... Acho que não tinha. – a resposta faz a jovem se virar e observá-lo de lado – Você disse uma coisa antes que ficou martelando na minha cabeça por muito tempo... Como exatamente você planejava me ajudar a dar um bom futuro para Nunnally?
- Ah... Bom, eu ia deixar uma pequena fortuna para vocês se virarem. – escutando isso, Lelouch passa um tempo de boca aberta com o choque, e então começa a gargalhar.
- Inacreditável! – ele coloca a mão direita sobre o rosto – Você não cansa de me surpreender! A herdeira ia deixar uma herança para um mero entregador de pizza? – os risos cessam aos poucos, e quando o segurança retoma o fôlego, seu rosto se entristece novamente – Apesar de tudo que eu fiz... Agindo como se fôssemos peças de um jogo...
- Quer tanto assim saber sobre o passado? – a ricaça pergunta de repente, e apesar dele não responder, ela suspira e continua – Quando eu conheci Mao, ele realmente era um homem muito ingênuo e se aborrecia facilmente com o que as outras pessoas diziam dele. Com o passar do tempo, nós ficamos próximos porque eu o confortava. De alguma forma, devo ter feito com que ele estabelecesse uma imagem de alguém insubstituível na sua vida, porque o ajudava a se esquecer dos insultos e zombarias das pessoas que o achavam estranho, por ser tão resignado... – a mulher dá um novo suspiro – Tudo o que disse a você naquele dia é verdade, mas... Eu ocultei o fato dele ter tentado me violentar.
- O quê? – o Lamperouge ofega e toma fôlego, sentindo as pupilas contraírem – Eu... Eu não fazia ideia. Deve ter sido assustador.
- Eu consegui me defender, então... De qualquer forma, agora você sabe por que Euphemia e eu nos entendemos tão bem quando ela passou pelo mesmo. – o motoqueiro fica inibido, mas C.C. continua séria, fitando uma parede – Talvez eu o tenha amado... – a frase desloca outro choque ao semblante dele – Não tenho certeza... Mesmo assim, nós nem trocamos uma palavra sobre o assunto. Por isso, mesmo ele me tratando como sua melhor amiga e amante, eu na verdade fui sempre uma estranha. – a moça pausa – Você tinha razão... Eu apenas queria ser amada por alguém, porque, afinal, nunca soube como é me sentir assim. Mas eu não pretendia interferir na vida de outras pessoas para isso. Talvez para Mao, eu seja a única pessoa boa que ele conheceu. Eu era tudo pra ele neste mundo, então fazia sentido na sua cabeça passar por cima de todos só para me ter.

Um pequeno silêncio se instala. Lelouch continua com o olhar fixo na patroa, mas ela não se presta ao trabalho de encará-lo, provavelmente porque não consegue. A franja da jovem cobre parte de seus olhos marejados.

- Mas você também é importante para mim, C.C. – ele nota a pele dela se arrepiar antes de complementar – Você e Nunnally. Então, eu decidi que vou cumprir ambos: o seu desejo e o meu. O contrato que Mao foi incapaz de cumprir, eu o tornarei possível.
- Lelouch... – a ricaça o interrompe, virando-se de lado seriamente – Você está me consolando ou tendo pena de mim? – o segurança abre a boca durante a pausa, todavia é parado de novo – Ou você está gostando de mim? – um curto silêncio invade o local.
- É um contrato. Desta vez, eu serei aquele que o propõe para você.
- Bem... E o que esse contrato determina quanto as suas exigências?
- Nós seremos cúmplices, guardando os segredos um do outro. É certo que nossos amigos conhecem boa parte deles, mas certas coisas que aconteceram... – a insinuação perdura enquanto eles se fitam, relembrando os amassos anteriores à última briga até o envergonhado motoqueiro tossir – Certas coisas deviam ficar somente entre nós. Dessa forma, precisamos firmar um pacto mais forte. Se algum dos dois não quiser respeitá-lo, desfaremos o contrato, sem queimar a imagem um do outro. Mas enquanto estivermos juntos... Vamos nos dedicar a realizar os nossos desejos.
- Oh... Então não deveríamos incluir Nunnally e os outros nessa proposta?
- Não é necessário. Agora eu tenho mais de um desejo egoísta para realizar, e... A maioria não inclui os outros realmente; só você. – ouvindo isto, a mulher sorri conforme se volta completamente para o rapaz inesperadamente mais maduro e atraente.
- Certo. – ela estende a mão direita com deleite – Vamos firmá-lo, esse contrato. – os dois apertam as mãos lentamente, e então os dedos dele recaem sobre o braço direito da moça, que observa seu olhar de preocupação – É provável que fique uma cicatriz. – C.C. dá um sorriso fraco – Mas tudo bem. Não seria mais desagradável do que esta. – a jovem passa os dedos sobre a região abaixo do seio esquerdo, recordando certos eventos.
- Eu não acho “desagradável”. – o Lamperouge toca o mesmo lugar sorrindo.
- Você sabe mesmo qual é o meu verdadeiro nome?
- Sim. A madre daquela igreja deixou escapar mais de uma coisa sobre você. – ele se aproxima da orelha direita dela e sussurra o nome, lhe causando um arrepio caloroso.

Neste instante, um simpático clínico geral entra na sala, carregando uma prancheta. É o mesmo médico que atendeu a paciente no dia do seu desmaio.

- Ora, vejo que está com visita. – o homem cumprimenta Lelouch, que se levanta da poltrona – Trago boas notícias. Eu conversei com o meu colega, o seu cirurgião... A senhorita vai ficar bem. – a dupla se entreolha e sorri aliviada para o profissional alegre – Felizmente esse infortúnio acabou só com um susto. Se alguma bala tivesse atingindo uma região crucial do seu organismo, isso prejudicaria o feto.
- O quê? – o casal pergunta ao mesmo tempo, com surpresa e confusão.
- Ah, vocês ainda não sabem. Bom, é compreensivo com tudo que já passaram. Eu soube que a polícia interditou os telefonemas e a correspondência destinados à senhorita Corabelle enquanto procuravam aquele criminoso, então é óbvio que a notícia não seria recebida. Se tivéssemos o contato do senhor Lamperouge, teria sido informado do caso.
- Mas do que você está falando afinal de contas? – a ricaça questiona.
- Então... A senhorita está grávida. – a resposta deixa os ouvintes mais absortos, e somente quando o doutor chama seus nomes pela terceira vez eles despertam chocados.
- Perdão... Acho que eu não ouvi direito. O que disse? – o Lamperouge indaga.
- Imagino que estejam surpresos, mas não há engano quanto a isso. Os resultados dos exames mais recentes confirmaram os antigos, realizados há seis dias. – ele fita seu relógio de pulso, marcando meia-noite – Agora já são sete dias.
- O senhor tem certeza disso? Digo, os exames de antes foram iguais aos de agora?
- Sim. Como a senhorita Corabelle sofreu um desmaio repentino, e... Bem, havia especulações sobre um relacionamento amoroso entre vocês, eu solicitei que os exames feitos da primeira vez fornecessem uma quantidade mais específica de informações para determinar uma possível gravidez. Um hemograma, por exemplo, não pode confirmar a suspeita de uma gestação, mas um exame de sangue do tipo Beta HCG consegue dizer se uma mulher está realmente grávida com mais precisão que um teste comum. E já que o segundo teste confirmou o primeiro, eu asseguro: vocês, realmente, vão ter um bebê.
- Oh Deus! – o segurança cai sobre a poltrona, respirando de um modo irregular enquanto a moça distraída olha a parede – Então ela desmaiou por causa da gravidez?
- Sim. Isso é comum no primeiro trimestre da gestação porque ocorre um aumento da necessidade de sangue, crucial para suprir a circulação sanguínea da mãe, da placenta e do pequeno embrião. Além disso, as alterações hormonais também fazem com que os vasos sanguíneos fiquem mais relaxados, de forma que o sangue consiga chegar mais rápido à placenta. Então, por ambos os motivos, a pressão pode ficar intensamente baixa em determinadas circunstâncias. Não há como prever um desmaio, mas dá para prevenir uma queda com alguma ajuda, e ainda bem que esse foi o caso no dia em questão.
- Sim. – o motoqueiro prossegue respondendo entre pausas – Então está tudo bem?
- Apenas um obstetra pode confirmar isso. Embora, após o “incidente” decorrido, podemos supor que a senhorita deve passar tranquilamente pela maior preocupação em uma gestação, que é, no habitual, mantê-la durante o primeiro trimestre. Francamente, me admira você não ter tido um aborto espontâneo apesar do estresse, e de ser baleada. Contudo, para que essa boa sorte se mantenha, precisa descansar. Combinado? – ainda surpresa, C.C. concorda com a cabeça antes do seu acompanhante ficar de pé.
- Bom, então eu vou... Eu vou... Vou falar com os outros. – ele aponta para a porta e gesticula durante a justificativa – Eles devem estar preocupados, querendo saber como você está. É... Doutor, obrigado por tudo. Eu vou... O senhor vai sair agora ou...?
- Lelouch, você está bem? – o rapaz olha do médico para a ricaça.
- Sim, é claro! – sua mão direita segura a esquerda para cessar o cumprimento que fazia ao doutor – Então, eu posso acompanhá-lo até a porta? Ah, eu já volto!

Inesperadamente, Lelouch beija a testa da patroa e a deixa paralisada sobre a cama conforme sai do quarto junto ao clínico. Chegando na sala de espera, ao ver os amigos e a irmã ansiosos por uma notícia, ele abre a boca diversas vezes, mas nada sai. É quando o médico se aproxima e dá uma risada.

- Parabéns! – o homem bate de leve no ombro do Lamperouge e se afasta.
- Irmão? Irmão! – Nunnally consegue despertá-lo – Qual o problema? Está pálido.
- Por que o médico te parabenizou? – Rivalz indaga – O que houve com a C.C.?
- C.C... – o segurança murmura e todos chegam mais perto para ouvir – C.C. está grávida. – o grupo atônito silencia por um momento, e após se recuperar, exclama em coro até a recepcionista chiar com o indicador sobre os lábios, exigindo silêncio.
- Desculpe! – envergonhada, Euphemia junta as mãos em sinal de lamento e puxa seu amigo para longe dos olhares curiosos – Ai meu Deus Lulu, que notícia maravilhosa!
- Quando foi que você a engravidou? – Milly questiona ainda em choque.
- Bem... – ele desvia o olhar, pondo uma mão frente ao rosto rubro, e alguns riem.
- Heim? Eu não entendo. Isso... – a irmã do motoqueiro sente a cabeça girar.
- Nunnally, você...? Espere! – Lelouch se volta à Suzaku – Ela não sabia de tudo?
- Euphe e eu omitimos essa parte da história, é claro! – o Kururugi pega seu braço e o afasta do local, sussurrando em seguida – Você acha que eu ia falar sobre a sua vida sexual com a Nunnally? Não sou louco! E pelo visto, os outros também não sabiam.
- Não tinha motivo para comentar sobre isso com todo mundo!
- Bem, e como está a mamãe? – o comerciante pergunta um pouco mais alto.
- Fora de perigo, aparentemente. O médico disse que devemos confirmar com um obstetra, embora ela pareça ótima depois de tomar um tiro.
- A senhorita C.C. tem uma saúde sobre-humana. – Rolo comenta.
- Já que é assim, eu quero falar com ela! – Euphemia se dirige ao quarto.

Quando a turma invade o aposento, C.C. logo se constrange com as visitas e reage de modo lento às congratulações, mas sorri ao ser abraçada pelas outras jovens. Pouco depois, o clínico geral que a consultara reaparece no recinto e acha graça da situação.

- A senhorita, com certeza, tem muita sorte. É bom que receba tanta ajuda, para se recuperar apropriadamente do sequestro e da cirurgia.
- “Sequestro”? – a ricaça repete com estranheza, todavia alguns gestos discretos dos amigos a fazem acenar em acordo – Ah... Sim, é claro.
- Vai precisar usar uma tipoia por alguns dias. Além disso, recomendo que fale o mais rápido possível com alguém da obstetrícia pra averiguar o estado de saúde do bebê.
- Podemos ir à mesma obstetra! – a senhora Kururugi segura as mãos da paciente – Tenho certeza que nossos bebês serão amigos! Talvez eles até nasçam no mesmo dia!
- Podem confirmar o tempo de gestação depois e checar a possibilidade.
- Por favor doutor, nem brinque com isso. – Suzaku pede com um meio sorriso.
- Seria assustador e caótico. – Lelouch concorda franzindo o cenho.
- Bom, eu vou deixá-los à vontade. Quando terminar de se trocar, a senhorita pode ir para casa. Não se esqueça de marcar uma consulta com sua obstetra.
- Está bem, obrigada! – a herdeira de Corabelle mantem o sorriso, assim como os outros, até o médico sair, e então suspira – Por que disseram que eu fui sequestrada?
- Porque era mais fácil do que explicar toda a confusão. – Euphemia responde – Agora, escute bem o que eu vou dizer C.C... Se você tomar outra atitude estúpida como a última, eu vou te amarrar em uma cama até o fim da sua gravidez! Entendido?
- Sim. – a receosa jovem concorda com um aceno de cabeça.
...
Voltando para casa, C.C. é seguida cautelosamente pelos criados e seu segurança particular quando entra no salão da mansão, já usando a tipoia estipulada pelo médico. Enquanto a exausta ricaça sobe a escada na frente das empregadas, o Lamperouge segue os rapazes até a cozinha. Chegando ao seu quarto, a moça logo se senta na cama.

- Agora descanse um pouco, senhorita C.C. – Shirley a cobre com o lençol.
- Quer que eu feche as cortinas, senhorita C.C.? – Milly começa a fechá-las.
- Só C.C. – a mesma fala corada – Apenas C.C. está bom. – as jovens trocam um olhar e sorriem, sentando na cama e estendendo uma mão cada para tocar as palmas da herdeira de Corabelle, que sorri – Obrigada por tudo que fizeram por mim até hoje.
- Claro. – a Fenette retribui o sorriso – Talvez possamos ser amigas agora.
- Eu gostaria disso. – a jovem confessa, e logo as três estão rindo baixinho.
- Então, vamos Shirley?! – a Ashford se levanta – A futura mamãe deve descansar. – sua amiga concorda bem quando o motoqueiro surge trazendo uma bandeja prateada.
- Eu trouxe um pouco de chá. – ele se aproxima da cama depois das moças saírem, abrindo as pernas do tabuleiro para depositá-lo ao redor da patroa – Como se sente?
- Melhor. E... Você... Está bem? – o confuso segurança pisca rápido ao vê-la séria – Essa... situação... Tudo bem para você? Estou esperando um filho seu. Vou entender se quiser ir embora. – mesmo soando conformada, seus olhos dizem o contrário, e após perceber isso, o rapaz não consegue segurar uma gargalhada – O que é?
- Você é única C.C.! – Lelouch afasta a bandeja e então a abraça, surpreendendo-a – É até verdade que eu não estava planejando ficar com você, quanto mais ter um filho nosso, mas... – ele se afasta o suficiente para colar suas testas e afagar a bochecha dela – Não planejar as coisas com você foi a melhor coisa que eu já fiz em toda a minha vida!
- Só pode estar brincando. – a voz feminina soa um tanto assustada – O que há de tão extraordinário em mim afinal? Sou uma mulher amaldiçoada, que causa infortúnios por onde passa. – o Lamperouge balança a cabeça em negação.
- As coisas que te aconteceram não foram culpa sua, então não se menospreze. É a única coisa em que eu concordo com aquele maldito Mao. E agora consigo entender por que ele era obcecado por você. – emocionada, a ricaça o abraça forte – Eu te amo C.C. – mas a frase seguinte lhe afasta como se tivesse tomado um choque – Algum problema?
- Não. Quero dizer... Não tenho certeza. – ela fica de pé e caminha pelo quarto – Isto tudo é muito estranho para mim. Achava que minha existência fosse indesejada.
- Sinceramente, também pensava o mesmo sobre mim. Mas nós mudamos. Enfim, depois de tanto tempo lutando um contra o outro, agora estamos do mesmo lado neste jogo. E agora temos que confiar mais nas pessoas à nossa volta. Um no outro.
- Eu... Estou com medo. – C.C. confessa com um meio sorriso, quase chorando ao tocar seu ventre, e permite que o cúmplice chegue perto.
- Eu também. Mesmo assim, acredite em mim: vou tomar conta de você. – o rapaz toca a barriga dela por cima da sua mão – E do bebê também. Eu sei que contribuí para o seu estresse na última semana, e peço desculpa por isso, mas agora planejo me tornar alguém em quem você possa confiar e se apoiar. – entre lágrimas salgadas e sorrisos dos mais doces, a dupla se abraça novamente.
- É o que desejo também. E... Posso pedir um favor? – seu companheiro concorda com a cabeça – Diga meu nome verdadeiro mais uma vez. – erguendo uma sobrancelha em admiração, ele toma fôlego e fala enquanto ela fecha os olhos.
- Como foi? – a mulher abre os orbes lentamente, sorrindo pelo canto da boca.
- Muito ruim. Não refletiu sinceridade ou gentileza. Faltou calor principalmente.
- Então terei de repetir mais algumas vezes até soar melhor. – os lábios do homem encontram o pescoço feminino – Quem sabe outro clima melhore meu tom de voz. 
- Seu demônio devasso. – o casal sorri entre o abraço, se entregando a um beijo.

Continua...

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