sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Cap. 5
Cap. 5
Fim de Jogo
Depois do intervalo, todos voltam um pouco mais relaxados e dispostos. Após alguns minutos do segundo tempo, durante o caminho até Benji, os atacantes rivais só ultrapassam a barreira dos zagueiros quando Jun é derrubado. Ele acaba se machucando na rasteira de distração feita por um segundo atacante. Yayoi se desespera e desce apressada pela arquibancada com as amigas e Emília. Kojiro e Misaki o levam até o banco dos reservas enquanto Roberto pede um tempo ao juiz.
Yayoi – Jun! – grita depois de chegar até o grupo – Jun, você está muito machucado?
Jun – Não Yayoi, não precisa se preocupar. – sorri fracamente.
Lupita – Se não precisamos nos preocupar, por que está com a mão sobre o peito?
Roberto – O Jun tem um problema cardíaco, por isso eu não o deixo jogar por muito tempo.
Deise – Ora essa, você podia ter nos dito isso antes! Está mesmo tudo bem?
Jun – Sim, eu vou sobreviver. – brinca – Desculpem não ter contado que meu coração é fraco.
Gisela – Ninguém disse nada sobre seu coração ser fraco, ele só está cansado, certo?! – ela bate de leve no ombro dele, tirando sorrisos de todos – Então, como ficamos agora?
Jun – Desculpem por isso pessoal. Acho que não vou poder continuar.
Misaki – Tudo bem Jun, nós derrotaremos eles pra você!
Jun – Valeu galera. Mas quem vai ficar no meu lugar? – os presentes se entreolham.
Roberto – Isso é um problema. Jun é quem forma linhas de impedimento nos nossos jogos.
Gabriele – Bem, se não vocês não têm substitutos pra posição dele podem adotar uma das nossas. – abraça Sanae pelos ombros – O que me diz amiga?
Sanae – Eu, jogar? Está falando sério? – a capitã acena em afirmação.
Emília – Gabriele, não diga asneira! Já estamos arriscando muito com você no time masculino, não podemos colocar outra garota metida nesta história! Além disso, Sanae...
Sanae – Eu não jogo futebol. – Gabriele a solta com surpresa.
Gabriele – Como não joga? Convidamos você, Yoshiko e a Yayoi para ser do nosso time.
Yoshiko – E nós concordamos porque pensamos que nos queriam como assistentes.
Emília – Eu bem imaginei. Estava suspeitando disso há algum tempo.
Gabriele – Mais ou menos desde quando, e por que não me disse nada?
Emília – Ora essa, as três estavam sempre ajudando vocês a treinarem e nunca tocaram na bola com os pés. Como você não percebeu antes?
Gabriele – Fala sério? Eu não acredito nisso! Então estamos ferradas!
Anastásia – Não é pra tanto Gabi, vamos com calma. Alguma de nós pode substituir o Jun.
Sanae – E quem vai? Precisamos decidir logo.
Emília – Não estou gostando dessa história. Alguma coisa me diz que isso ainda vai acabar mal.
Roberto – A questão é que mesmo terminando mal, não podemos desistir agora.
Elaine – Pois é. Se for pra comer doce, é melhor se lambuzar!
Brigite – De doce você entende bem, não é Lane?! – ri.
Molly – Por favor, gente, vamos manter o foco! Se alguém tem que ir, que seja a Jamile.
Inara – Ah sim, a Mile é ótima fazendo marcações, e quando fica zangada Deus segure!
Hannele – É verdade. Ela pode não conseguir enganar os jogadores pra fazer linha de impedimento no jogo, mas vai ser de muita ajuda. Aliás, podíamos irritar ela agora e depois a mandamos para o campo.
Jamile – Muito engraçado. Por que não tentamos conversar com... – antes que ela termine, o juiz se aproxima junto a um homem de aparência cansada, cujas mechas negras caem sobre os olhos castanhos apagados que fitam seriamente a técnica Emília.
- Roberto, não é?! Nunca tivemos chance de nos apresentar pessoalmente.
Roberto – Sim, como vai? – cumprimenta-o – Mas eu conheço a sua fama, senhor Kelvin.
Kelvin – Por favor, só Kelvin está bom. – sorri torto – Olá Emília.
Emília – Kelvin. – um curto clima de tensão cobre o ambiente até o juiz interromper.
- E então? Vocês vão continuar com o jogo ou não?
Gabriele – Nós vamos! Temos um jogador na reserva! – anuncia rapidamente com voz grossa.
- Então se apressem. Vocês têm no máximo mais dois minutos. – ele se afasta.
Kelvin – É uma boa notícia. Eu realmente não gostaria que esta partida terminasse assim.
Roberto – Ela não vai, fique despreocupado. – o homem suga a fumaça do cigarro em mãos e sorri, fazendo uma leve reverência com a cabeça e voltando ao seu lugar.
Jamile – Mudei de ideia... Vamos quebrar logo a cara deles!
Gabriele – Isso aí garota! – aplaude – Anda Jun, empreste o uniforme para a Mile.
O rapaz assim faz e usando uma roupa reserva se apoia em Yayoi para chegar novamente ao banco e descansar. No vestiário, Jamile prende seu cabelo firmemente e com a ajuda das amigas amarra uma faixa ao redor do peito, como Gabriele. As duas retornam ao campo e o juiz anuncia o reinício da partida. O placar permanece correndo em um a zero, até Gabriele ser derrubada com uma rasteira. Sua peruca sai na hora. A multidão fica em silêncio e o nervosismo de seus amigos se intensifica.
Os técnicos são obrigados a entrar em campo pra conversar com o juiz quando a multidão entra em polvorosa. A moça ergue a peruca do chão, de cabeça baixa, mas visivelmente se percebe sua tensão. Os jogadores do Fuji se amontoam perto dela, para tapar a visão. Na tentativa de tranquiliza-la, Kojiro olha de banda para trás e sorri, sussurrando cautelosamente.
Kojiro – Então, você ainda acha que era fácil desviar daquela rasteira? – Gabriele torce a boca.
Gabriele – Eu acho que também fiquei cega temporariamente. – sorri de leve.
Leo – Essa não! O que nós vamos fazer agora?
Carlos – Gabriele, você consegue recolocar a peruca? – ela não responde.
Kojiro – Isso não adianta mais, todos já viram. Agora é com o juiz.
- Alguém aqui pode explicar o que é isso? – questiona o juiz, chegando com o Filiam e os técnicos.
Justin – Gabriele? É você? – o capitão ri descrente.
Kelvin – Então Roberto, explique-se! – exige o rival.
Gabriele – Tá bom, calma, eu mesma posso contar o que está havendo!
Justin – Eu não acredito que você se fantasiou de homem pra jogar contra mim!
Gabriele – Deixe de ser convencido Justin! Eu não estava preocupada exclusivamente com você, queria ganhar do Filiam pelas minhas amigas.
- Eu ainda estou confuso. – declara o juiz – Você é homem ou mulher?
Justin – É claro que ela é mulher, não está vendo?
Gabriele – Tá Justin, todo mundo já entendeu! Grita mais alto pra quem ainda não ouviu! Quer que eu mostre meus peitos também? Assim facilita a conclusão!
Emília – GABRIELE! – a garota bufa irritada e entrega a peruca para a mãe.
Gabriele – Bom... O nosso time feminino de Braja, Fever, foi cortado do escalamento um pouco antes do campeonato começar, e queríamos provar que somos boas o suficiente pra jogar, então eu tomei a responsabilidade de me vestir de homem e entrar no Fuji com uma amiga minha disfarçada também. – Jamile desprende seu cabelo – Mas ela só entrou agora para substituir o Jun.
Kelvin – Então o time “Hotter” que está jogando por Jyrdan na verdade é o Fever?
Gabriele – Sim. Nosso único objetivo é mostrar que somos tão boas como qualquer homem.
Justin – Isso é meio ridículo, não acha?! Vocês são mulheres!
Gabriele – Sabe, é engraçado você falando isso, porque eu me lembro de te ouvir dizendo que sou melhor do que a metade dos jogadores do seu time. – os rapazes do Filiam olham-no com surpresa.
Justin – O quê? – ele fica nervoso – Eu nunca disse isso!
Gabriele – Disse sim, um dia antes de eu chutar você. – os demais não reprimem os risos.
Roberto – Senhor juiz, eu não acho que tenha problema uma mulher jogar em um time masculino, certo?! Afinal, discriminação é crime.
- Bem, sim, você está certo. O manual não impede este tipo de situação.
Kelvin – Mas o manual diz claramente que jogadores de times de países diferentes não podem jogar juntos! – o técnico do Filiam eleva a voz.
- Lamento senhor, mas terei que considerar este fato. – o juiz vira para Roberto e ele para Gabriele, sorrindo; a moça franze o cenho, confusa até entender o sinal, e então sorri.
Gabriele – E o que acontece se deixarmos o time antigo? – todos a olham.
- Aí não haverá nenhuma razão para não jogarem. – basta que o juiz termine, ela tira a sua faixa de capitã do bolso de trás do seu short e joga na cara do ex – Muito bem, acho que não há mais restrições.
Justin – Você não pode fazer isso Gabriele!
Gabriele – Um: você não manda em mim. Dois: eu já fiz.
Kelvin – Ok... – ele ri – Acham mesmo que podem vencer com uma garota no time? Vão acabar se arrependendo por ter feito esta escolha.
Emília – Como eu me arrependo de ter sido sua esposa?
Roberto tapa a boca para não rir da frase cheia de desdém, mas Gabriele estala os seus dedos sem nenhum pudor na frente do rosto do homem, que apenas bufa e sai andando pra fora do campo enquanto o juiz se afasta. Antes de acompanhar o amigo de volta a seu lugar, Emília abraça Gabriele.
Justin – Você vai ter coragem de continuar com isso Gabriele? – o ex a questiona novamente.
Gabriele – Sim. E antes que eu me esqueça, estou terminando nosso namoro de novo, para todos verem ao vivo e ninguém contestar desta vez! – o público que vê a cena pelas câmeras do estádio vibra.
Flora – Ai, essa doeu! – gargalha junto às amigas fora de campo.
Justin – O quê?! Você não pode terminar por um jogo idiota! Se conseguisse ser uma mulher por cinco segundos ia entender o erro que está cometendo!
Gabriele – Cinco segundos? Tudo bem... – abre a mão e começa a contar – Em primeiro lugar: não é um jogo idiota. E você é um cretino! – balança os dedos sorrindo – Ah, que pena, acabou o tempo!
No segundo seguinte, Justin está com o rosto virado, marcado pelos dedos de Gabriele. Ela se vira e aos poucos todos os jogadores voltam aos seus lugares. Kojiro, além de segurar uma alta risada, parece se sentir mais confiante e recomeça o jogo ultrapassando quem aparece na sua frente. Por um infortúnio, infelizmente, os rivais empatam o placar marcando um gol em Benji com um drible que foi deixado para a última hora, feito pelo capitão. O irritadiço Justin marca Kojiro ameaçadoramente.
Obrigado a mudar sua estratégia, ele chuta para Gabriele no momento em que consegue ficar livre. Ela finge que vai devolver a bola e quando seu ex se distrai Kojiro se livra. O juiz vai apitar para o fim de jogo, e é ai que os dois, tendo enfim penetrado na barreira até o gol, unem as forças nas pernas opostas e chutam a bola. A dita cuja atravessa, não só pelas mãos do goleiro, mas a rede junto, e vai parar na parede da arquibancada atrás, rachando-a! Silêncio bruto...
O apito soa: vitória de Fuji e, também, de Hotter. Muitos fãs se levantam e gritam e os times e seus técnicos entram em campo. Na alegria, Kojiro, rindo, levanta Gabriele no ar, e a garota nem se incomoda! Na verdade, está mais preocupada em jogar na cara de Justin quão boa namorada perdeu. Os perdedores estão indignados e Kelvin muito frustrado com a derrota, mas parece ter uma ideia em mente. Após umas entrevistas com os repórteres, o grupo vencedor sai do estádio e se reúnem na saída.
Enquanto aguardam a limusine para leva-los de volta a casa de Karl, começam a conversar.
Benji – Nossa, achei que os repórteres não fossem parar de cair encima da gente naquela hora! – ri, passando as mãos pelos cabelos.
Gino – O bom de tudo foi que conquistamos a taça.
Pierre – O último chute foi fenomenal, eu fiquei impressionado.
Anastásia – Eu disse que se a Gabriele usasse um chute canhão quebraria a parede!
Camila – Pois sim, só não esperávamos que fosse um chute duplo! – ri, abraçando a dupla pelos ombros – Vocês foram ótimos, meus parabéns!
- Valeu. – o casal agradece em uníssono e se entreolha.
Natália – Sim, sim, maravilhoso! Então, os campeões querem segurar essa droga de taça pesada?
Gino – Deixe que eu seguro Natália. – toma a taça das mãos dela.
Pepe – Aí, alguém sabe que fim levaram os técnicos?
Lui – Eles ficaram mais para trás pra conversar com o Kelvin sobre a desistência.
Shingo – Para ter certeza, a técnica Emília era casada com o técnico do Filiam?
Gabriele – Infelizmente, a pior fase da vida dela.
Kojiro – Por isso ela estava tão triste quando adotou você?
Flora – Ora essa, eu não sabia que estavam tão íntimos a ponto de compartilharem o passado.
Gabriele – Não é da sua conta, fique quieta! Puxa, por que aqueles dois não deixaram o safado do Kelvin falando sozinho pra irmos logo embora?
Natália – É melhor ir se acostumando, porque daqui pra frente só flashes e mais flashes de muitos repórteres! Além disso, Roberto e Emília ainda vão precisar conversar com a presidenta Kaori para tornar oficial nossa mudança para Silja como novo time feminino de futebol.
Gabriele – Obviamente eu me lembro disso Tatá. O que me preocupa não é nem a conversa com a presidenta e sim com o presidente Carlo.
Ken – Eles estão voltando. – anuncia quando Roberto e Emília aparecem.
Alan – E então, o que aconteceu? – questiona primeiro.
Emília – Kelvin ficou de informar ao presidente Carlo sobre nossa decisão de formar um time em Silja, então quando recebermos uma resposta nós vamos conversar sobre o assunto. A presidenta Kaori já foi notificada de tudo pelo presidente Makoto e garantiu que estará presente durante essa futura reunião.
Brigite – Vou ficar aliviada quando tudo acabar. Vai ser ótimo poder jogar sem tanto preconceito.
Rivaul – O melhor de tudo é que não fomos presos! – riem.
Inara – E o que nós vamos fazer por enquanto?
Emília – Por enquanto nossa maior preocupação será com a festa de comemoração pelo fim do campeonato, e nós somos os convidados de honra.
Elaine – Nós conversamos sobre isso, mas é melhor contar o que decidimos mais tarde.
Karl – O carro já está chegando. – avisa ao avistar a limusine.
Gisela – Ah sim Gabi, você não tinha dito que ia fazer uma coisa quando vencesse o campeonato?! – todos a encaram, as garotas sorrindo de ponta a ponta das orelhas.
Gabriele – Eu disse? – pisca algumas vezes, mas logo relembra do dia em que estava falando com Kojiro embaixo da árvore – Ah é! – ela toma a taça nas mãos e joga de qualquer jeito nas mãos de Kojiro, que cai no chão com o impacto – Pronto, disse que ia esfregar ela na sua cara e tá aí! – os outros riem.
Kojiro – Ora sua!... – eles prosseguem o caminho de volta brigando.
Basta pisarem na casa de verão de Karl e o telefone de Emília toca. A mulher deixa todos na sala, descansando de pernas pra cima com Roberto, e volta após uns minutos com um grande sorriso.
Emília – Talita acabou de me ligar para informar qual será o próximo país escalado na quermesse, e vocês não vão acreditar qual será! – pausa dramaticamente – Silja! – todos olham para Gabriele.
Selena – Eu sabia que todos iam reparar em você naquele vestido!
Gabriele – Não tinha como não reparar! Aquela porcaria de corpete cortou minha circulação! – os demais riem – E sobre a comemoração dos campeões?
Emília – A festa de encerramento do Campeonato Esportivo Mundial, obviamente, será oferecida pelo Clube de Festas Anuais Esportivas em Jyrdan, daqui a uma semana. Como vocês me disseram que têm algo planejado, imagino que não preciso lembra-los da apresentação de talento dos vencedores.
Gabriele – A mim seria bom lembrar, pode começar a explicar.
Roberto – Vocês precisam de uma apresentação especial para a festa, que envolva um talento além do esportivo. Essa pode ser considerada uma preparação extra para a quermesse quaternária programada pelo C.F.A.E., que acontece no fim dos anos de Copa do Mundo. A diferença da quermesse anual é que ao invés de duas moças os países devem escolher um casal por esporte pra participar do show de talentos.
Emília – Vamos nos ater primeiro a essa. O que vocês têm em mente garotas?
Camila – Vamos cantar! Já temos tudo planejado: música, roupa...
Leo – Para deixar claro, todo mundo precisa fazer isso? Porque se precisar, eu desisto da festa.
Roberto – Não, porque do contrário a festa ficaria muito longa. É apenas uma celebração curta que acontece antes da partida dos esportistas, então a ideia é ser rápida.
Juan – Então tá ótimo, só as garotas podem se apresentar.
Deise – Mesmo assim, nem todas nós vamos cantar.
Kojiro – E quando planejaram isso se não tínhamos vencido ainda?
Hannele – Foi durante o intervalo. Tínhamos confiança de que iríamos vencer, então...
Carlos – Conveniente, mas não contaram um pouco de vantagem?
Gabriele – Que tipo de ideia é essa? – desencosta da poltrona – Cantar ao vivo para o mundo?!
Misaki – Vamos todos juntos, então não precisa se preocupar Gabriele.
Gabriele – É por saber que vocês estarão lá que eu me preocupo!
Jamile – Viram?! Eu disse que ela ia acabar surtando quando soubesse. – suspira – Tente relaxar!
Kojiro – Interessante Gabriele, logo você com medo de palco?
Shingo – Não tem palco maior do que no estádio de futebol.
Molly – Bem dito Shingo! O pior já passou; isso nós tiramos de letra!
Lupita – Quer jogar tudo pro alto agora, depois de tudo?
Gabriele – Claro que não, e não é pelo medo de palco que estou rejeitando a ideia! – aponta para Kojiro – Se querem saber, eu sou muito boa cantando, modéstia a parte!
Lupita – Isso é fato, ela é mesmo. – confirma rapidamente.
Gabriele – O caso é: todos os times mundiais participam da festa. Lembram o que eu fiz bem no último jogo, contra o Filiam? – pausa – O que acham que vai acontecer quando chegarmos lá?
Selena – Minha Nossa Senhora, eu nem me dei conta disso! Vamos ser apedrejadas, voltando para Braja ou não! E agora? Não podemos ir!
Flora – Você também vai surtar logo agora mulher? Fique calma!
Emília – O salão do Clube de Festas é grande, contudo a segurança pode cuidar da situação.
Pepe – Mas não vão poder vistoriar tudo com tanta gente.
Gino – Talvez fosse melhor que nos mantivéssemos juntos na festa.
Lui – Se ficarmos em grupo, nós vamos levantar algumas suspeitas.
Natália – Por outro lado, eu me sentiria mais segura andando com alguém!
Pierre – Então vamos formar duplas. Assim não ficaremos sozinhos enquanto circularmos.
Camila – Ótimo, e como vamos nos encontrar se precisarmos de ajuda?
Alan – Vamos nos reunir perto do palco na hora da apresentação.
Deise – Tudo bem, mas se formarmos duplas é melhor que seja um homem e uma mulher.
Brigite – Apoiado! Dessa forma, vocês nos salvam se tentarem nos apedrejar!
Pepe – Só se for entrando na frente das pedras, né?!
Emília – Gente, por favor, vamos parar com essa conversa. Ninguém vai ser apedrejado.
Molly – Porém, ainda existe a chance de sermos assediadas por bêbados.
Rivaul – Nesse caso talvez possamos fazer alguma coisa. – ri.
Ken – Precisamos mesmo formar casais? Vai ser constrangedor.
Flora – “Constrangedor”? – perplexas, as moças o encaram – Deviam estar felizes por saber que vão poder tirar onda com a gente por perto!
Leo – O Ken não quis dizer pra nós e sim para vocês. – o rapaz suspira aliviado e agradece ao seu amigo sem vocalizar – A mídia vai cair encima de nós por causa do campeonato, e podem levantar ideias.
Elaine – Mas não podem nos deixar sozinhas lá!
Hannele – Verdade! Vocês prometeram nos ajudar, foi um pacto!
Benji – E como é que eu não me lembro de ter feito ele? – os garotos riem.
Gisela – Fácil: foi quando estavam passando COINCIDENTEMENTE pela gente no dia em que o nosso ônibus quebrou no caminho para o aeroporto.
Juan – Foi mesmo coincidência termos nos encontrado.
Inara – Mas não foi nos oferecerem ajuda. – elas sorriem e eles se olham.
Karl – É gente, este um ótimo argumento. – ri – E eu não me importo com as parcerias.
Yoshiko – Por que não aproveitam e usam essas parcerias para treinarem entre si em Silja?
Carlos – É uma ótima sugestão. Mas vocês não vão pra Silja também? São membros do time.
Yayoi – Ainda querem a gente na equipe mesmo sabendo que não jogamos futebol?
Gabriele – Praticamente ninguém jogava futebol, ou jogava muito mal, quando nós formamos este time querida, então não é problema. Além disso, mesmo vindo de Braja não discriminamos as pessoas.
Gisela – Falou pouco e bonito Gabi, muito bem!
Brigite – Você bem podia começar a treinar isso com ela, heim Gigi. – os outros riem.
Molly – Pois é. Agora estamos unidos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na vitória ou na derrota!
Lupita – Eu ainda não renovei os meus votos de casamento, mas vamos lá... – ela levanta as duas mãos até a altura da cabeça – Até que a morte separe a todos nós! – todos recomeçam a rir.
Benji – Falando sério... – recupera-se – Vamos dividir logo essas duplas antes de tudo.
Roberto – Bem, nesse caso vocês podem se arranjar. Pelo menos sobre a festa, alguém se opõe?
Gabriele até tenta levantar a mão, mas Kojiro chega por trás da poltrona e segura seu braço. Ao longo da semana seguinte, as moças escolhidas para a apresentação musical ensaiam duramente, enquanto as amigas ajudam como podem. Quando dão por si, todos já estão se arrumando para a festa e chegam ao salão reservado não apenas de limusine, como em trajes de gala; rapazes de terno ou smoking e garotas na mais perfeita sincronia de vestidos similares, com cores diferentes.
Como o plano programado um tempo atrás, eles se separam em duplas e ficam rodando pelo salão cumprimentando quem encontram pela frente. Emília e Roberto apenas se preocupam em não conseguir controlar o ímpeto deles, e não a falta dele. Gabriele se diverte acompanhada de Kojiro, sempre com seus olhos e ouvidos bem abertos, até ele deixa-la sozinha por algum tempo.
Justin – Gabriele, meu amor! – o enorme sorriso no rosto dela some na velocidade da luz, e mesmo evitando se virar ela é obrigada quando o dono da voz amarga para os seus ouvidos a puxa pelo braço.
Gabriele – Posso saber o que você quer comigo? – afasta-se.
Justin – Está sozinha? Pensei que aquele atacantezinho metido fosse estar com você. Ele te cercou a festa inteira e eu não consegui me aproximar antes.
Gabriele – Que corajoso da sua parte contar como ficou assustado com a presença dele.
Justin – Medo? – ri nervosamente, balançando a taça com algum líquido não identificável por ela – Não seja ridícula! Só estou admirado por ele ter abandonado você.
Gabriele – Na verdade, ele foi chamado pelo seu técnico para receber um convite interessante. Era algo sobre entrar no time Filiam. – sorri ao ver o jovem retorcer os dedos ao redor do copo – Parece que, apesar da dor de cotovelo, ele percebe que Kojiro é um ótimo jogador.
Justin – Você acha que ele é um ótimo jogador? – solta um riso de desdém – É, e você também me achava um ótimo jogador, ou vai desmentir isso?
Gabriele – Pode até ser... Pelo menos, o Kojiro beija bem melhor! – seu sorriso aumenta quando vê que conseguiu irritá-lo e toma a taça de suas mãos, consumindo o que diagnóstica como Ouzo.
Justin – Já beijou aquele cara? – questiona entre os dentes, mas continua sorrindo – Bom, eu estava falando com a galera ali – olha de banda para o grupinho que os encara de perto do balcão com o barman e ela faz o mesmo – e todos já concordaram que de todos os caras que nós enfrentamos, e, claro, foram vários deles, nunca vimos um tão agressivo quanto esse tal Kojiro. Então, sabe, você escolheu muito bem Gabizinha. Os dois são perfeitos um para o outro, já que você também é escandalosa.
Gabriele – Escândalo eu vou fazer se você não for embora!
Justin – Está vendo? – ri – Ora, ora, seu nível desceu, e muito!
Gabriele – Tem razão. – espreme os lábios – E veja que ele já estava baixo no dia em que eu tive a brilhante ideia de namorar um idiota como você! – dá de costas, mas ele a impede de ir.
Justin – Eu ainda não terminei. – ela vira o rosto furioso e ele ri de novo – Adoro ver você irritada! – Gabriele não se segura mais e estala, com toda a força que consegue por na mão, outro tapa no rosto dele, e para a sua infelicidade isto só o faz ficar mais bravo – Vem aqui!
Gabriele – Solte-me, seu idiota! – a dor em seu braço a faz chorar e todos já começam a reparar o movimento incomum no meio do salão – Kojiro!
O grito dela surte efeito. Kojiro aparece do nada e soca o outro lado onde ela não o bateu no rosto, derrubando Justin. A garota não pensa duas vezes em abraçá-lo, mas a sua alegria não dura muito tempo... Os amigos dele chegam para socorrer o capitão. Felizmente desta vez, Oliver e o restante do time Fuji se junta também, parando todos de frente uns para os outros em uma parede humana para proteger os líderes.
Kojiro – Se tocar na Gabi de novo com as suas mãos imundas, eu vou fazer mais do que só quebrar o seu nariz! Não faça ter uma próxima vez! – dito isto, ele a leva abraçando-a pelos ombros.
Roberto e Emília informam aos seguranças do tumulto, então os homens de preto chegam e levam o grupo para fora da festa. Envergonhado, o técnico Kelvin se vê obrigado a sair também. Enquanto isso, os outros convidados continuam aproveitando passado o susto da briga. Kojiro guia Gabriele para a pista de dança e junta seus corpos, se movendo para seguir a música lenta.
Gabriele – Ficou meloso de repente? – tenta não se incomodar com os olhares, e então ele sorri.
Kojiro – É assim que você me agradece por ter te salvado? – ela não responde de imediato.
Gabriele – Como soube que eu estava precisando de você? Parece que antes mesmo de eu ter dado aquele grito escandaloso você já estava por perto.
Kojiro – E estava mesmo. Isso porque o Benji viu quando aquele cara se aproximou de você, e aí a Lupita me chamou no bar. – ela pousa a cabeça sobre o peito dele, descansando.
Gabriele – Eles são bons amigos. – sorri de leve, ouvindo-o resmungar em acordo – Obrigada.
Kojiro – Cuidado heim, não vai amolecer por causa disso! – brinca.
Gabriele – No dia em que eu me derreter por você, Kojiro Hyuga, podem me internar!
Kojiro – Então tenho permissão pra isso se algum dia acontecer?
Gabriele – Se algum dia acontecer... – sorri, encarando-o confiantemente – Você nunca saberá.
Fim
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