A Dona do Pedaço

Feeds RSS
Feeds RSS

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cap. 4

Cap. 4
Um Limite Para o Orgulho


Após a abertura do Campeonato Esportivo Mundial, um pouco antes de começar a primeira partida do Fuji, a alguns metros do estádio Lune, Sanae para Oliver ainda perto da imensa limusine que os trouxe. Ele leva a bola debaixo dos pés para as mãos e ela segura a prancheta com os papéis de inscrição do time Hotter sobre o peito, usando a mão direita.

Sanae – Eu não tive chance de agradecer antes, então obrigada por me acompanhar na quermesse.
Oliver – Ah, tudo bem Sanae. Boa sorte no jogo!
Sanae – Desejo o mesmo. Nós estaremos torcendo por vocês! – sorri.

Quando Sanae se afasta, Oliver tem a ligeira impressão de sentir o calor de uma febre tomar seu corpo, e essa força passa para a pobre bola. Ainda no vestiário, Gabriele escuta o anúncio que o primeiro jogo masculino, com os Fuji, se deu início. Ela sai correndo do jeito que pode, usando a peruca curta e suando antes mesmo de ter começado a correr. As suas amigas estão assistindo das áreas restritas das arquibancadas, e quando a veem passando desejam mentalmente boa sorte.

Gabriele – E então, como tá o jogo? – senta no banco dos reservas, ao lado de alguns dos garotos.
Karl – O jogo começou faz pouco tempo. Está sendo fácil até agora, já que esse time é novo.
Gabriele – Ótimo! Na primeira oportunidade que der eu entro.
Ken – Só uma coisa Gabriele: como você vai jogar perto do capitão?
Gabriele – O que quer dizer? – estranha o sorriso dos amigos.
Rivaul – Sabemos que você beijou o Kojiro na quermesse.
Gabriele – O quê? – ela levanta alarmada – Eu não ouvi bem. – antes que tenha uma resposta, todo o estádio chama atenção quando o dito garoto cai no chão depois de uma rasteira – Ele caiu?! – o tom de voz dela e as mãos no ar levam todos a verem sua surpresa.
Roberto – Gabriele, se o Kojiro não marcar a falta eu...
Gabriele – Não, ele vai marcar sim! – interrompe o técnico, abaixando a mão, e depois do silêncio mútuo, com o apito do juiz, a bola já está dentro da rede e a multidão vibrando – Ai, exagero... – volta a sentar, cruzando os seus braços.

Logo a primeira partida termina. Quando Kojiro e os outros jogadores chegam perto do banco dos reservas, onde Gabriele ainda está sentada com as pernas cruzadas, ela se levanta e acompanha Roberto e suas amigas, que descem em seguida, até a entrada para os vestiários.

Brigite – Aquilo foi demais Kojiro! Foi bem no gol; que mira!
Gabriele – Que coisa ridícula...! – todos se voltam para ela.
Selena – O que você tem Gabi? Não devia estar feliz?
Gabriele – E eu estou! Achei ridículo foi ele cair só com aquela rasteira. – cruza os braços.
Kojiro – O que quer dizer, que você teria escapado?
Gabriele – Achei que estivesse cego pra não ter visto que o cara veio bem na sua direção!
Emília – Muito bem, já chega! – coloca-se entre eles – Já temos nossa primeira vitória e é isto que importa. Vamos nos acalmar e jogar futebol, não luta livre!
Gabriele – Que seja... Eu vou vencer mesmo. – sai para o campo.
Hannele – Credo, o temperamento dela está piorando!
Kojiro – Como se isso fosse novidade... – suspira e expira de uma só vez, estranhando os times se entreolhando com sorrisinhos – Que caras são essas?
Alan – Diz aí Kojiro, é verdade que você beijou a Gabriele na quermesse? – Emília e Roberto o encaram ao mesmo tempo em que ele se volta aos outros, igualmente surpreso e também muito corado.
Kojiro – O quê?! Como é que você soube... – antes de completar a frase, os amigos começam a rir.
Camila – Então é verdade? Por que ela não nos contou?
Anastásia – Provavelmente por vergonha... Dá pra entender o porquê de ela estar tão estressada ultimamente agora. Natália, Flora, vocês não comecem a chateá-la! – elas erguem as mãos em rendição.
Roberto – Isso é verdade mesmo Kojiro? – abre um sorriso risonho.
Kojiro – Isso não interessa! Vou me trocar. – sai apressado do vestiário, ainda ouvindo os risos.
Gisela – Eu não achei que ela fosse ser capaz de fazer isso, digo mesmo!
Elaine – Eu achei! – levanta a mão e abafa um último riso.
Emília – Como vocês souberam disso? Vocês viram?
Oliver – É que ele entrou na barraca do beijo onde ela ficou trabalhando, bem quando a gente tava pra voltar. Não sabíamos disso quando resolvemos procurar os dois.
Sanae – Eles estavam demorando, e quando fomos ver o porquê acabamos presenciando a cena.
Deise – Só de imaginar a cena eu não consigo parar de rir! – tapa a boca.
Jun – E isto sem falar que o Kojiro está muito nervoso!
Flora – Não, e isto sem falar que ela fez uma declaração pra ele!
- Como assim?! – todos a encaram surpresos, menos Karl.
Karl – Nós escutamos os dois conversando no quarto dele, quando passávamos pelo corredor. Pelo que parece, ela disse que gostava dele.
Flora – O que ouvimos primeiro foi um barulhão; no que eu suponho, a Gabriele deve ter caído no chão de surpresa, porque pensou que o Kojiro estava dormindo. Nós o ouvimos perguntando pra ela sobre alguma coisa que disse nesse momento, então deve ter sido uma declaração! – ri.

Alguns seguem rindo, fazendo comentários entrecortados enquanto esperam tomar fôlego para aí conversarem direito. Os técnicos precisam esperar, com sorrisos e balanços negativos de cabeça, a boa vontade deles de lembrar que ainda estão no meio de uma disputa tensa.

Roberto – Ok gente, acabou! – bate palmas, chamando a atenção de todos – Devemos agora nos concentrar, então vamos deixar eles em paz por enquanto?!
Juan – É, e depois podemos arrancar a verdade deles!
Brigite – Falou e disse! – batem as mãos.
Emília – Oh, meu Deus. – suspira em meio às risadas de Roberto.

Durante os dias de campeonato, os times Hotter e Fuji vencem e passam para as finais. Gabriele não teve oportunidade de ir ao campo uma única vez por causa de Kojiro, a estrela da equipe escalada por Roberto, mas agora a penúltima batalha é contra Fórtica, o antigo rival. Como o técnico bem previu, ele e Filiam restaram como último desafio. As garotas estão, mais uma vez, observando das arquibancadas e torcendo apreensivas. Até o presente momento, nem Sanae, Yoshiko e Yayoi precisaram ir a campo.

Finalmente Gabriele tem a oportunidade de jogar e quando começa dribla facilmente os zagueiros do time rival como se nem estivessem ali! Não é preciso dizer que o Fuji vence o Fórtica de imediato... Ainda sim, além do Fórtica, as garotas agora sabem que há um desafio maior: vencer o time masculino de Braja, seus últimos e mais terríveis oponentes! Durante o descanso da mesma tarde, de volta para casa, Gabriele resolve relaxar sozinha. Ela amarra o cabelo no topo com uma fita e muda de roupa.
Depois de escolher uma blusa de alças finas, uma saia curta e afrouxar os cadarços das botas, ela se acomoda embaixo de uma árvore que fica de frente para a porta da garagem, onde dois pneus velhos jazem jogados um sobre o outro. Seu descanso, infelizmente, não demora a ser interrompido.

Kojiro – O que você está fazendo aí? – o sorriso dela se desfaz, parando de jogar pra cima a bola de futebol em mãos e virando o rosto – Estão te procurando.
Gabriele – Estão sempre me procurando... O que é agora?
Kojiro – É hora do almoço! Vai morrer de fome?
Gabriele – Diga que eu não estou com apetite... – suspira.
Kojiro – Não sou seu menino de recados!
Gabriele – Então não fale nada e mais tarde, quando não tiverem notícias minhas e começarem a se desesperar, a culpa será sua. – ele suspira.
Kojiro – Posso sentar? – ela dá de ombros e assente com a cabeça – Posso perguntar uma coisa?
Gabriele – Já perguntou. – os dois riem um pouco.
Kojiro – Por que você é tão desconfiada de todo mundo e estressada?
Gabriele – E por que você é tão grosso e mal-encarado?
Kojiro – Eu perguntei primeiro... Vai responder?
Gabriele – E você vai? – pausam – Eu falo se você falar. – sorri.
Kojiro – Ok... – encosta a cabeça no tronco – É um costume.
Gabriele – Criou o costume de ser idiota? Nunca ouvi isso antes...
Kojiro – Engraçadinha... – ela ri – Eu vim de uma família bem simples, então comecei a ser rígido comigo mesmo para não parecer fraco pros outros.
Gabriele – Ken me contou que você era o capitão do primeiro time do qual os dois fizeram parte, o Forni, e que o seu técnico era um velho chato e pouco atlético, totalmente preguiçoso e muito arrogante.
Kojiro – Ele disse tudo isso? – estranha.
Gabriele – Não, eu estou dizendo. Ele elogiou muito o cara, mas quando eu ouvi como os tratava fiquei bem enojada! – contrai os ombros – Um bom técnico não pode ser menos do que o seu melhor amigo... “O técnico sábio é aquele que, além de ter a habilidade de ensinar, possui a capacidade de ouvir e entender os pupilos”, citação de mamãe. Mas eu concordo com ela.
Kojiro – Acho que nunca te ouvi chamar a técnica Emília de mãe.
Gabriele – Eu a chamo de mãe algumas vezes... Ainda não me acostumei a fazer isso em público.
Kojiro – Por quê? – Gabriele suspira e o encara algumas vezes antes de sentar-se mais ereta.
Gabriele – Bom... Lembra no dia da viagem para Jyrdan, quando eu contei que ela me acolheu em um orfanato? – ele confirma com a cabeça – Não disse tudo... Ela me encontrou escondida em um canto, mais especificamente no meu quarto no dia da adoção. Na época, eu já tinha passado por cinco orfanatos.
Kojiro – Cinco? O que você fez pra eles? – ri de leve, fazendo-a sorrir.
Gabriele – Sempre acontecia algo. Eles fechavam, eu fugia... Mas, no final, nos encontramos. Eu percebi logo que Emília não era como as outras pessoas que já tinha conhecido. As mulheres que queriam uma filha nunca simpatizavam comigo, viviam encontrando algum defeito. Ou então, quando conseguiam ter uma filha do próprio sangue mais tarde, me devolviam. Com uma biológica, a adotada é descartada... – o garoto não tem coragem de dizer mais nada, apenas continua escutando – A pobre Emília estava carente de companhia na época, e o Roberto deve saber por quê.
Kojiro – Acho que ele comentou algo sobre ela ter se divorciado um dia.
Gabriele – Pois é, foi nessa época o divórcio. Eu vi, desde a primeira troca de olhares que tivemos, o quanto ela seria boa mãe. Aceitei dar uma chance a ela, e acabei dando mais uma chance a mim mesma sem perceber... – sorri – Nós ficamos boas amigas, e logo quando eu mostrei ter talento para o futebol ela resolveu montar nosso time. As outras garotas vieram aparecendo com o tempo, todas de origem humilde e nenhuma igual à outra, por isso eu gosto!
Kojiro – Então você guarda os seus sentimentos por causa do medo?
Gabriele – De certo modo... – torce a cabeça – É uma armadura que resolvi vestir.
Kojiro – Pois eu acho que você acabou se descuidando, porque sua armadura caiu quando me falou aquilo no dia do meu sono não tão profundo! – ri.
Gabriele – Como assim?! – enrubesce – Aquilo foi...
Kojiro – Eles descobriram... – corta-a – Os nossos amigos sabem que eu te beijei. – quando a moça associa a frase, cada palavra cai feito uma bomba e a bola sai rolando pelo chão.
Gabriele – O quê?! Como? – ela tenta diminuir o timbre.
Kojiro – Parece que o Oliver e a Sanae viram quando eu fiquei esperando na fila lá na quermesse.
Gabriele – Que coisa! – cerra os dentes – Por isso elas ficaram me fazendo todas aquelas perguntas nesses dias... Garanto que mato uma por uma!
Kojiro – Se está preocupada com o que aconteceu, peça a todos para esquecerem isso. – ela ri.
Gabriele – É um pouco tarde... Fiz a Anastásia convencer a Flora a contar a verdade, e ela me disse que estava com o Karl ouvindo atrás da porta no dia em que você fingiu estar dormindo.
Kojiro – Como é?! – Gabriele tapa a boca dele.
Gabriele – Vai mesmo chamar a atenção da vizinhança inteira?
Kojiro – E como prefere que eu reaja depois de saber disso?
Gabriele – Eu deveria ser a que está mais nervosa aqui! – suspira – Os dois contaram para todo mundo sobre o que eu disse aquele dia... Ou pelo menos o que eles acreditam terem ouvido.
Kojiro – Então... O que você disse era verdade? – ela cora novamente.
Gabriele – Não! – ela se levanta rapidamente, seguida dele.
Kojiro – Sendo assim, simplesmente esqueça tudo.
Gabriele – Exatamente por que está me falando isso afinal? – coloca a bola do lado esquerdo da cintura e sorri – Está preocupado comigo?
Kojiro – É que... Se continuar pensando nisso não vai prestar atenção no jogo, e aí se perdermos a culpa vai ser sua! – é possível ver o tom vermelho que toma as bochechas dela ficarem maiores.
Gabriele – Está preocupado comigo por isso? – volta a elevar a voz, mas ele não diz nada, apenas ergue uma sobrancelha – Seu tigre idiota! – ela joga a bola no rosto dele e caminha para a entrada – Não fique incomodado então! Quando eu ganhar o campeonato, vou esfregar aquela taça bem na sua cara! E se quer mesmo saber, você não sabe beijar!
Kojiro – Como assim? – ele a segue – Quer dizer que eu não beijo bem? Retire isso!
Gabriele – Não vou retirar se é a verdade! – sorri maliciosamente e sem olhar para trás – Agora, se me der licença, eu vou comer!
Kojiro – Você disse que não estava com fome!
Gabriele – Você me deixou com raiva e despertou meu apetite.
Kojiro – Então eu espero que a carne encha as suas coxas para deixar de ser magricela! Parece um pato andando! – Gabriele se volta e dá uma rasteira nele.

Logo a gritaria contínua atrapalha os amigos, fazendo uma escalação decente para o último jogo na sala. Os membros curiosos e maliciosos do grupo correm para ver a briga, enquanto os criados, que já são acostumados, ignoram. Finalmente o grande dia vem, o último jogo contra Filiam! Quando Fuji já está no estádio, os rapazes vão se preparar nos vestiários. Gabriele, porém, saiu de casa pronta, então resolve dar uma volta para espairecer. Para sua surpresa, num corredor próximo, ela encontra o capitão do Filiam.
Ele está cercado pelos tão conhecidos amigos com quem a garota sempre o viu. Sua garganta fica seca e seu corpo imóvel até que o pequeno grupinho a avista e se aproxima.

- Ei, você é jogador do time Fuji, não é? – o capitão pergunta, passando a mão sobre os fios negro-azulados meio picotados e analisando Gabriele de cima para baixo com superioridade brilhando nos orbes igualmente escuros, como ela se lembra de tê-lo visto fazer sempre.
Gabriele – É cara, eu sou! – tenta conversar com a melhor voz de homem que consegue reproduzir.
- Que baixinho você é. – comenta outro jogador – Seu time tá desesperado assim pra te recrutar?
Gabriele – Se você quer saber, eu sou uma máquina de matar, e vou exterminar vocês em campo! – o grupo começa a rir, caçoando da ameaça, e quando ela já está pronta para sair correndo Kojiro surge.
Kojiro – Ga... – ele anda mais devagar quando vê a situação e corrige a fala – Gabriel! – sorri ao ver expressão dela se aliviar – Estava te procurando por toda parte! E aí caras! – os outros cumprimentam – Boa sorte no jogo de hoje. Peguem leve com a gente!
- Pode deixar. – o outro capitão sorri convencidamente e participa de um aperto de mão que leva alguns segundos além da conta, quase virando uma queda de braço.
Kojiro – Vamos nessa então? O jogo já vai começar.
Gabriele – Certo. – continua com a voz masculina.
- Ah, boa sorte no jogo! Vão precisar. – deseja o adversário.
Kojiro – Valeu! – acena, arrastando-a pelo braço.
Gabriele – Espera ai, está me machucando! – ele a solta depois da curva para entrar no estádio – Por que foi tão bonzinho com eles, seu idiota? Eles quem deviam pedir pra pegarmos leve com eles e não o contrário! Nós é que vamos arrasar a cara deles em campo!
Kojiro – Nóssabemos disso, eles não. Por enquanto, precisamos ter certeza que ninguém descubra nossa arma secreta até o final. – Gabriele bufa – Ora vamos... Cadê seu espírito esportivo?
Gabriele – Aquele otário do Justin Treitor o engoliu todo!
Kojiro – Então você conhece o capitão do Filiam?
Gabriele – Claro que sim, ele é meu ex-namorado.
Kojiro – Sério?! – ri nervosamente – Por que ele?
Gabriele – Só pra curtir mesmo, mas ele era um idiota... E ainda é!
Kojiro – Eu quis dizer: “por que ele iria querer namorar você?”.
Gabriele – O quê?! – soca seu braço – Ah, você e ele são idiotas!
Kojiro – Então você gosta de idiotas, não é?!
Gabriele – Todos vocês homens são assim, mas você é pior! – ignora a resposta dele – Você seria o último cara do planeta com quem eu namoraria! Antes eu prefiro morrer! – sai andando na frente.
Kojiro – Se você fosse mesmo corajosa o bastante para tentar suicídio, demoraria anos planejando sua morte o funeral do jeito que é dominadora!

Enfim, quando os jogadores já estão posicionados em campo, o jogo começa. Justin é um poderoso zagueiro e luta com garra, irritando Kojiro várias vezes ao barrar a sua entrada até o primeiro tempo. Os outros não conseguem se acalmar vendo a marcação ainda zerada.

Natália – Ah, qual é! Eles têm que marcar pelo menos uma!
Molly – Mas não podemos fazer nada, apenas torcer.
Camila – A Gabi com certeza tá jogando mal por causa do Justin.
Lupita – Se for por isso mesmo, ela vai ter que se ver comigo no intervalo!
Elaine – Pessoal, tem uma coisa que está me incomodando. – as amigas se voltam pra ela – O time que vence no campeonato não precisa comparecer a uma festa de gala com a imprensa para comemorar?
Yayoi – Ah sim, e também tem uma apresentação de talento.
Jamile – Ai meu Deus, é mesmo! – ri – Devemos avisar à Gabi pra ver se ela quer desistir? Porque a coragem dela vai sumir quando souber disso!
Anastásia – Negativo, fiquem calmas! Basta pensarmos em alguma coisa.
Gisela – Você é a criativa Inara. Diz que a gente faz.
Inara – E que tal uma apresentação musical? Podemos cantar, já que temos ótimas vozes.
Hannele – Nem vencemos ainda e vocês já estão planejando isso?
Gisela – Amor, vencermos já é coisa mais do que certa!
Selena – A sua humildade foi parar no espaço, heim Gisela?! – ri.
Gisela – Culpe o Pepe depois... Ele que me ensinou a contar vantagem.
Selena – Voltando ao assunto... A ideia da Inara é boa. Podemos escolher uma música romântica.
Molly – Neste caso você vence em delicadeza. Mas nada brega heim!
Selena – Tudo bem! – ergue as mãos em sinal para que ela se acalme – Que tal... Tata Young?
Yayoi – Ah, eu conheço essa cantora! Adoro a música “Crush on You”.
Jamile – Então podemos usar essa música. Agora, quem vai cantar?
Deise – Devagar aí; o show é transmitido ao vivo para o mundo todo!
Hannele – É, seria bom preparar tudo com cuidado na nossa primeira vez.
Lupita – Por outro lado, ninguém vai se importar com o que vamos fazer, contanto que a gente vá! – dá de ombros – Podemos fazer uma votação depois.
Camila – Ah, podemos preparar umas roupas especiais para todas! Não dá pra deixar só algumas passarem vergonha. Eu posso fazer os desenhos dos modelos, se quiserem.
Lupita – Eu gostaria de lembrar a vocês dos dias em que nós inventávamos de brincar de cantoras quando crianças. Lembram como costumava terminar? – as outras riem.
Deise – É mesmo, vivíamos caindo do palco! – elas riem de novo – Mas com nosso carisma, logo o público esquece qualquer mico, mesmo se for gravado.
Elaine – Então, voltando à separação de tarefas, quando a Mila fizer os modelos eu supervisiono a confecção das roupas. Quem vai cantar?
Camila – Eu posso cantar também, e voto pela Jamile, a Lupita, a Selena, a Natália, a Anastásia, a Molly, a Flora e a Gabi. O que acham? – a votação é unanime.
Hannele – Mas você não vai poder ensaiar para a apresentação e fazer nossos modelos ao mesmo tempo Camila, vai ficar muito pesado pra você.
Yayoi – Yoshiko pode fazer os desenhos. Ela desenha muito bem.
Jamile – Verdade Yoshiko? – a encabulada garota confirma com a cabeça – Perfeito então!
Gisela – Eu posso ensinar uns passos de dança pra vocês.
Molly – Excelente! Vejamos: temos cantoras, música, coreógrafa, estilista e também a supervisora de confecção... – conta nos dedos – Falta mais alguma coisa?
Flora – O principal, pelo menos, já temos: a nossa beleza! – todas riem – Será muito fácil chamar a atenção dos rapazes quando aparecermos maravilhosas na festa.
Natália – Que rapazes mesmo, os outros ou os nossos? – o time gargalha.
Brigite – É, acho difícil negar que todas nos interessamos pelos meninos do Fuji.
Inara – Particularmente a Gabriele e a Lupita, que não assinaram nossa lista de interesse.
Anastásia – Oh sim, Kojiro Hyuga e Benji Wakabayashi até então estavam sobrando!
Lupita – Podem parar com essa besteira. Eu respeito muito o Benji, apenas isso.
Jamile – Respeita exatamente por que mesmo Lupi?
Lupita – Porque ele é um ótimo goleiro e também muito responsável.
Deise – Nisso você tem razão, ele tem bastante talento.
Camila – Benji é mais velho que muitas de nós e nos trata como um verdadeiro irmão mais velho.
Flora – Cuidado pra esse privilégio não aborrecer nossa Lupi, heim! – as demais riem da careta da moça – Algumas garotas pagariam para Benji Wakabayashi fazer um cafuné em suas cabeças.
Natália – Acha que também seriam capazes de vender o corpo? – as duas riem.
Selena – Ora vocês duas, só veem o lado malicioso da coisa?
Flora – E é culpa nossa ele ter muitos lados maliciosos para ver?
Natália – Especialmente atrás. Vamos confessar, que belo bumbum ele tem!
Molly – Se eu fosse vocês, controlaria a língua. – aponta para o lado, onde Lupita as observa com uma aura negra atrás de si, então Flora e Natália engolem em seco e param de falar.
Yayoi – Olhem para lá, a Gabriele marcou um gol! – todas se voltam ao campo e comemoram.
Elaine – Quando foi isso que eu não vi? Essas duas palhaças desviaram minha atenção!
Yayoi – Oliver jogou a bola e ela bateu no travessão, então Gabriele aproveitou e chutou.
Hannele – Foi uma trivela linda! Essa é a minha garota!
Inara – Emília deve estar falando a mesma coisa.
Camila – Eu quero ver é ela dar um chute canhão!
Anastásia – Ora Mila, sabe que se ela der um chute desses vai arrebentar a parede atrás da rede!
Yayoi – Verdade? O chute dela é tão forte assim?
Deise – Com certeza! Já parei muitos tipos de chutes, mas a bomba da Gabi nunca!
Brigite – Lupi é a única que consegue pará-lo, e ainda tem dificuldade!
Selena – O canhão é legal, mas sem dúvida a bicicleta é melhor.
Elaine – Como assim? A Gabriele nunca aprendeu a fazer bicicleta.
Selena – Só disse por dizer. Gostaria de ver uma bicicleta ao vivo.
Inara – Quem sabe. No futebol, tudo pode acontecer.
Brigite – Sendo assim, eu ainda posso esperar o Justin cair e quebrar o nariz?
Anastásia – Melhor rezar para a Gabi não ser descoberta, isso sim.
Hannele – Mas também pode acontecer do Kojiro resolver agarrá-la na frente de todo mundo.
Molly – Ui, nem me diga uma coisa dessas! Fico toda eufórica com a ideia de um beijo!
Jamile – Pelo amor de Deus, suas fogosas, fiquem quietas! Nossa, agora entendi o nome Hotter!

Continua...

0 comentários:

Postar um comentário