A Dona do Pedaço

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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Cap. 1

OBS: Com exceção dos personagens da série Ouran, os outros são de minha autoria.

Cap. 1
Garotas da Classe Média


Nós estamos no último ano do colégio Ouran para a turma de anfitriões. Haruhi e Tamaki melhoraram muito seu convívio, mas mesmo que a relação tenha saído da zona “pai e filha” onde ela estava limitada eles não parecem à vontade para tentar avançar um passo, sobretudo o rei. Os demais anfitriões permanecem solteiros, sempre aproveitando um momento para brincar com os dois ou uni-los ainda mais, criando climas românticos. Hoje o dia não parece diferente.

O clube continua suas atividades usuais e ninguém suspeita da verdadeira natureza sexual da garota. Contudo, ainda aparentando ser uma manhã normal, não é. Com a mesma velocidade na qual as atenções femininas se voltam aos membros do valorizado jogo de ricos, ela se desvia às janelas da terceira sala de música pela agitação na porta de entrada da escola. Três belas moças descem de uma limusine azul-bebê e atraem os olhares masculinos no pátio principal.

O próprio reitor vai recepciona-las, o que acaba deixando todos com pulga atrás da orelha, em especial Tamaki e Kyoya. Os anfitriões declaram as atividades do clube encerradas e disparam na direção do portão principal, sem conseguir chegar perto das estranhas antes de serem levadas à sala do diretor. Haruhi convence os rapazes a esperarem na sala de música. Tamaki passa a andar impaciente de um lado para o outro até que se cansa e senta entre os gêmeos no sofá vermelho.

- Quem poderia ser tão importante para atrair os olhares da escola inteira e obrigar o reitor a sair de sua sala para recebê-las na porta? – a moça se pergunta – Em uma escola de ricos como esta, algo assim deveria ser estranho.
- Não sei, e o mais estranho é não ter sido informado de absolutamente nada. – Kyoya fecha a expressão até receber um telefonema, então suas pupilas se dilatam em surpresa momentânea – Pai? – todos paralisam para prestar atenção enquanto o semblante do jovem muda rapidamente pela carga latente de informações – Como assim casamento?
- CASAMENTO? – os amigos repetem chocados e ansiosos.
- E que noivas são essas? Desde quando isso estava sendo armado? – ele pausa – Não acha que esse caso devia ter sido reportado a nós antes? – outra pausa – Diga ao menos quem são. Eu não farei nenhuma investigação.
- Pior que ele faria isso mesmo. – Haruhi comenta com um meio sorriso e todos concordam então Kyoya desliga o celular.
- Isso é irritante de anuncia, mas... Meu pai parece ter conversado com o de Honey-senpai e Mori-senpai. Os três concordaram que nós precisamos nos casar. – por um vago instante o grupo o encara em silêncio, como se não tivesse ouvido a notícia, até os gêmeos gritarem incendiando os pulmões dos demais a exceção de Mori, embora ele não esteja menos nervoso – Aparentemente, os nossos pais fizeram uma pequena reunião e resolveram ocupar nosso tempo de um jeito mais, com suas palavras, “produtivo”, em benefício ao nosso futuro. Para tanto, eles enviaram cinco garotas já selecionadas para estudarem conosco no nosso último ano no colégio Ouran.
- Não acredito nisso! – Tamaki berra – Mas espere; você disse “cinco”? Por acaso duas delas foram classificadas por indecisão, ou eles realmente esperam que vocês decidam? – Kyoya suspira e arruma os óculos caídos.
- Não. Na verdade, Hikaru e Kaoru também estão envolvidos nisso. Seu pai resolveu fazer parte dessa seleção e as duas moças restantes foram escolhidas a dedo pra vocês. Pelo visto, nossas mães tomaram partido nessa decisão. – os gêmeos gritam novamente enquanto Haruhi, Honey e Mori os encaram calmamente.
- Não é a primeira vez que isso acontece. – o loirinho lembra, colocando o coelhinho sobre a cabeça – A nossa família deu apenas mais uma sugestão, né?! Nós podemos recusar se quisermos.
- Creio que não seja assim tão simples Honey-senpai. – a “mãe” do grupo se pronuncia – O meu pai não parecia tão determinado quanto agora, quando nós falamos ao telefone. Não sei o que essas donzelas podem ter de diferente das outras, mas devem até estar dispostas a tudo para nos convencer a aceitar esse compromisso arranjado.
- Então só podem ser as garotas que nós vimos entrar agora há pouco. – Haruhi constata erguendo um indicador.
- Mas só apareceram três delas, então dois de nós devem estar livres porque as outras duas desistiram. – Hikaru sorri.
- Eu não teria tanta certeza. – Kaoru cruza os braços – Elas podem estar pensando vir mais tarde. Talvez tenham armado uma emboscada!
- Vocês estão bem para pensar que essas garotas só querem se aproveitar?
- Por que mais elas estariam aqui? – eles falam juntos.
- Oh doce e inocente Haruhi, você nunca precisou se preocupar com as responsabilidades e obrigações que cabem aos de posição mais favorecida. É compreensível sua confusão. – ela torce o olhar à Tamaki, mas ele continua tagarelando e fazendo poses – Realmente, estas jovens donzelas podem ter vindo até aqui com a melhor das intenções, mas casamentos arranjados? Não. Não há como permitir tamanha injustiça! O casamento é uma celebração da união de duas almas, é uma cerimônia reservada para o amor e a amizade. De forma alguma nós devemos deixar uma união forçada estragar os laços dos antigos casais que já fizeram seus votos!
- O que aconteceu com “apenas mais uma sugestão”? – antes de Haruhi receber a resposta, as portas da sala se abrem lentamente.
- Com licença. – uma donzela ao lado de outras duas se pronuncia na frente com um lindo sorriso – Kyoya está aqui? – Mori se afasta para dar visão ao rapaz enquanto o restante aponta na sua direção – Muito prazer Kyoya. Desculpe se eu estou sendo atrevida chamando-o assim por seu primeiro nome, mas escuto tanto galar da sua pessoa que é quase como se nos conhecêssemos a vida toda. – ela ri, olhando de relance as acompanhantes – Eu sou sua noiva prometida. – todos silenciam por um tempo – Ah, estão informados sobre o processo de seleção das candidatas, feito por iniciativa de seu pai? Pensei que tivessem sido avisados.
- Oh, então vocês são as noivas de meus queridos amigos? – Tamaki tosse e se aproxima das moças, segurando a mão da primeira – Qual seu nome?
- Você deve ser Tamaki-senpai. É tão galante quanto seu pai. Meu nome é Suzu.
- Suzu, um belo nome, tão suave quanto o som dos fuurins pendurados durante o verão ou dos guizos no Natal. Que estima conhecê-la!
- Então, se Tamaki-senpai e Kyoya-san estão aqui, esta deve ser mesmo a sede do Clube de Anfitriões. – a mocinha mais baixa sorri, puxando a alça da mochila nas costas pra cima antes do rei se aproximar de si e segurar sua mão.
- E quem seria você, minha pequena fada? – ele se ajoelha.
- Sou a Maiko. Meu nome foi escolhido pelo meu pai e quer dizer “dança infantil”. Eu vim com as meninas conhecer o Honey-senpai. – o pequeno a encara surpreso e curioso, timidamente abraçando o coelhinho contra o peito quando ela o enxerga e acena na sua direção.
- Ah, então vocês já nos conheciam? – Tamaki pisca rápido – Já nos vimos?
- Não, mas, como a Suzu disse, nós já nos aproximamos só pelo que ouvimos a seu respeito.
- Algumas coisas foram boas. – comenta a terceira moça presente.
- Não sei por que isso me parece uma ofensa. – Kaoru faz uma careta.
- E quem seria esta outra bela flor ao meu lado? – o loiro finalmente dá atenção a jovem que resta atrás de si e se levanta para cumprimenta-la.
- Meu nome é Linh. Prazer em conhecê-lo. – ela se curva cordialmente sem sorrir, fazendo murchar o brilho do glorioso rei.
- A Linh é um pouquinho tímida. – a pequena sorri – Ela é a escolhida noiva do Shi-niisan.
- Quem? – exceto por Mori, todos perguntam confusos.
- É o Morinozuka Takashi. – Maiko ri – Nós viemos aqui conhecê-los antes de começar.
- Começar o quê? – Kyoya espia por cima de seus óculos.
- A estudar aqui. – Suzu responde – Nós faremos parte da escola Ouran a partir de amanhã com o pedido especial dos nossos familiares em prol do nosso bom convívio.
- Parece fascinante, mas, se não se importarem de eu perguntar, posso saber quem são os membros das suas famílias?
- Logo você não sabe quem são elas, Kyoya-senpai? – o gêmeo mais velho ri cruelmente.
- Ora, que mau. – o mais novo esconde o sorriso sarcástico.
- Ah, são os gêmeos Hitachiin, né?! – Maiko ri e, saltitando até os dois, tira sua mochila de ursinho das costas, entregando uma foto nas mãos do segundo irmão sem uma seletiva escolha – Toma. Aika e Aiko mandaram isso para vocês.
- Quem são Aika e Aiko? – Hikaru ergue uma das sobrancelhas ao olhar a dedicatória atrás da fotografia com seu nome e o de Kaoru, que quando vira o retrato após os anfitriões se reunirem em um grupo fechado deixa todos em choque.
- Elas são as gêmeas Aoki, filhas dos consultores externos da empresa Chiba. Eu sou Ono Maiko. Minha família é negociante de obras de arte. Linh é filha da atriz Mika e de um estrangeiro advogado, George. E a Suzu...
- Sakurai Suzu? – Kyoya quase sussurra, olhando realmente surpreso.
- Sim. Então já ouviu falar de mim? Quer dizer... – ela ri encabulada – Da minha família, porque eu sou um peixe pequeno.
- Espera! Sakurai é a sócia dos Sasaki, fundadores da exportadora de produtos químicos?
- Exato Tamaki-senpai. Os meus pais trabalharam juntos para ajudar os Sasaki a alcançar seu sonho de ter uma empresa internacional, e quando acertaram eles ganharam metade de tudo.
- Então vocês são as tão comentadas garotas da classe média alta? – o mestiço se emociona e segura às mãos da moça – Que realidade misteriosa deve ser essa que as motiva para viverem dia após dia entre os nobres e plebeus?! Ah, eu me emociono só de pensar.
- Nós não somos membros de um grupo revolucionista, apenas menos evidentes na mídia e, certamente, um pouco mais humildes que vocês. – de repente todos olham para a noiva de Mori.
- Desculpem. – Suzu afasta suas mãos – Linh não costuma falar muito, mas quando abre a boca fala o que pensa sem medir seus atos.
- Não posso evitar achar estranho que esses garotos ricos, fundadores de um clube criado para eles se divertirem brincando com meninas mimadas de príncipe e princesa, tenham sido os escolhidos como nossos noivos. Ao menos nós podíamos ter sido informadas com antecedência e a nossa opinião devia ter sido considerada!
- Isso foi rude Linh! Peça desculpas! – Maiko exige de braços cruzados, recebendo de volta um olhar desafiador da maior, mas esta acaba desistindo diante a resistência dela e expira.
- Desculpe. – ela baixa os ombros e vira o rosto, bufando irritada.
- Deixe ver se eu entendi... – Haruhi ergue a mão, chamando atenção de todos – Seus pais mandaram que vocês viessem estudar no mesmo colégio que os seus noivos para tornar um pouco mais suportável esses casamentos arranjados? – os demais esperam uma resposta das jovens, mas elas permanecem caladas durante dez segundos até Suzu rir.
- Ora, você faz isso parecer uma coletiva de matrimônios forçados com pessoas que a gente detesta e só conhecemos da boca dos pais.
- E não é isso? – os anfitriões perguntam em uníssono.
- Claro que não! Eu vou nos apresentar de novo, apropriadamente desta vez. Meu nome é Suzu, esta é Maiko e aquela Linh. Fomos informadas, há dois dias, que os nossos pais marcaram um encontro com os seus tendo a ideia em comum de nos casar. Não somos tão ricas e nem temos dote, então ficamos imaginando por que acabamos sendo escolhidas. Primeiramente, nós também achamos ruim casar por arranjo, mas quisemos conhecê-los para saber como eram e aí resolvemos participar da reunião. Os seus familiares nos contaram um pouco de vocês e sobre o clube, então nós pedimos para entrar na Academia Ouran com o objetivo de ficarmos mais próximas de nossos futuros maridos. Só não esperamos ver uma multidão de mulheres...
- Ninguém confirmou o casamento, vamos com calma! – os gêmeos pedem.
- E todas estão aqui por querer? – Kyoya questiona olhando de canto para Linh, forçando-a a desviar o olhar selvagem e o bico aborrecido.
- Com certeza! Com a benção de seus pais. – Suzu volta a sorrir – De fato nós somos cinco, duas das nossas amigas gêmeas como já viram pela foto. Elas são Aika e Aiko e preferiram vir ao colégio somente amanhã mesmo. As duas são muito divertidas. – ela olha para os irmãos.
- Elas mandaram essa foto de presente com todas nós. – Maiko sorri – É de quando a gente viajou para Niágara. Foi antes de elas pintarem os cabelos.
- Vocês fazem muita coisa juntas? – Haruhi se pronuncia.
- Sim. Nós somos amigas desde crianças e estudamos na mesma escola até o primário.
- Que bom. – diante o sorriso da protagonista, Tamaki tem um choque de arrepio e puxa os rapazes para um canto da sala, perto da lousa branca, deixando as garotas a sós para conversarem sentadas no sofá sobre qualquer conteúdo.
- Vocês perceberam o que eu percebi? – eles desviam seus olhares para o lado – Haruhi está sorrindo como uma menina inocente!
- Ela na verdade já é uma protagonista muito lenta. – Hikaru se entreolha com o irmão e os dois erguem as mãos em sinal conformado.
- Esse sorriso despreocupado não é novidade. – Kaoru ri.
- Eu já decidi! – o rei começa a escrever na lousa com um pincel – Nós vamos trabalhar em uma nova operação: “Haruhi ganha novas amigas e fica mais feminina.”. A nossa missão é clara: precisamos enturmá-la no grupo dessas garotas, e pra isso vocês precisam cortejá-las!
- Nós recusamos! – os Hitachiin falam antes de qualquer um, cruzando os braços frente ao peito em sinal negativo e aborrecendo o mestiço.
- Por quê? O que vocês têm contra o meu plano?
- Não é que não compartilhemos da ideia de fazer a Haruhi ficar mais fofa, meu senhor... – Kaoru começa – Embora seja uma difícil, já que ela se recusa a vestir as roupas que escolhemos.
- Mas nós não podemos confraternizar com aquelas garotas. – Hikaru finaliza.
- E qual é o problema com elas? – Mori finalmente se manifesta.
- Nós ouvimos comentários dos alunos que acompanham jornais da manhã. Elas apareciam neles constantemente fazendo coisas estranhas. – eles continuam o argumento na mesma ordem.
- Que tipo de coisas estranhas? – o homem sério volta a perguntar.
- Elas estão envolvidas em atos de escândalo, como uma vez em que eu ouvi um boato delas terem feito prova para passar em um concurso público falsificando documentos e identidades.
- Ou uma vez em que as duas foram acusadas de dar um banho de água gelada na diretora de uma escola particular para garotas ricas.
- E isso faz delas pessoas ruins ou divertidas? – todos analisam o questionamento de Mori e então os irmãos sorriem maliciosamente.
- Tem razão, elas podem ser divertidas. Nós vamos participar do plano! – os dois falam com os polegares para cima e Tamaki logo se alegra.
- Noivas envolvidas em escândalos e com pouco luxo vindo de seu berço? – Kyoya sorri em aparente interesse, cruzando os braços e colocando seus óculos no lugar – Parece uma atitude de muito requinte tratando-se das nossas famílias, mas por bem ou mal não há como nos recusarmos a estender a mão para elas agora.
- Exatamente Kyoya! – o líder fecha o punho, com lágrimas nos olhos – Devemos ser muito cordiais com essas belas damas e mostrar o valor do Clube de Anfitriões, trazendo felicidade a elas assim como alegramos os corações de todas as senhoritas!
- Você não disse que o plano era para fazer a Haruhi ficar feminina?
- Isso também. – o loiro pigarreia – Agora, nós precisamos de uma estratégia. Como dá para nos aproximarmos sem levantar suspeitas?
- Elas parecem dispostas a nos conhecer por si mesmas. – Hikaru analisa.
- Por que simplesmente não deixamos as garotas passarem mais tempo juntas? – Kaoru diz – Mas sabe que assim o segredo da Haruhi será descoberto, meu senhor.
- Um segredo compartilhado entre noivos é um segredo mantido em família. Não há motivo para nos preocuparmos se vocês se casarão logo.
- Sabe que isso ainda não foi decidido. – ambos reclamam com uma mão na cintura.
- Está bem, eu já entendi. Mas quem vai nos dar uma dianteira?
- Tama-chan, Tama-chan, me deixa tentar! – Honey ergue a mão.
- Tudo bem. Conquiste-as com a sua fofura Honey-senpai. – o loirinho saltita até as jovens e se aproxima da poltrona onde Maiko está sentada.
- Mai-chan, você gosta de doces? – ele retira uma caixa do bolso e a estende para a menina.
- Sim eu gosto, obrigada. – ela recebe o docinho rosa e abre a mochila, guardando-o – Eu também gosto muito de bichinhos de pelúcia. Esse seu coelhinho é muito fofo. Posso pegar? – um pouco corado, o rapaz entrega o brinquedo devagar e a garota o segura com cuidado – É bonitinho e macio. Ele foi muito bem costurado.
- Mai-chan, você costura? – todos percebem que o sorriso dela contagia e sorriem junto.
- Sim, mas gosto mais de tricotar. Quando me sinto triste ou estou inspirada, é que eu faço bichinhos de pelúcia à mão. Minha mãe me ensinou, mas eu não sou tão boa quanto ela. – Honey sofre uma reação inesperada quando Maiko pende a cabeça para o lado e todo mundo, excerto ela, o notam vermelhinho – Sua avó fez este coelhinho com muito amor, dá para sentir. Eu adoraria conhecê-la. É uma pena que já tenha falecido.
- Como você sabe? – ele pergunta quase sem voz, sentindo o coração palpitar.
- Haru-chan me contou. – as duas compartilham sorrisos – Obrigada novamente pelo doce. Eu vou te retribuir quando puder. – ela devolve o coelhinho, mas ele está quase sem reação.
- Ah, Mori-senpai! – Haruhi chama com a mão e ele se aproxima – Eu estava comentando com a Linh sobre o seu talento com kendô e o quanto você é forte e ela me contou que pratica judô muitas vezes por dia. – Mori não consegue deixar de demonstrar surpresa e olha para a moça de rosto virado – Honey-senpai também luta, não?!
- Verdade? Que legal! – Maiko bate as mãos – Vocês são fortes como a Linh!
- Eu não pratico o tempo todo, só quando posso. Mas não tenho alguém com quem treinar, então estou meio enferrujada.
- Eu posso treinar com você. – o rapaz se oferece, fazendo-a se envergonhar.
- Tudo bem. Se não achar que eu vou atrapalhar, por favor, me ajude. – Mori sorri de forma gentil e Tamaki ergue uma sobrancelha, ainda olhando de longe.
- Ela muda muito rápido de personalidade. – comenta – Mas é isso aí, eles estão indo bem! É a sua vez Kyoya! Mas não seja muito indiferente, tá?!
- Embora eu acredite que o seu plano vai dar errado, todavia, eu me sinto mesmo inclinado a descobrir qual motivo levou o meu pai a escolher aquela moça como a minha esposa. Ainda não estou certo de quem teve essa ideia, mas a princípio ela me interessa mais. – dito isso, a “mãe” do grupo se aproxima das garotas e segue diretamente para Suzu – O horário de vocês será normal a partir de amanhã ou existe algum compromisso em sua agenda?
- Não. De fato nós temos bastante tempo livre, mas cada uma se ocupa com o que gosta de fazer, nem temos uma agenda. Será difícil fazer isso até conhecermos todo o colégio.
- Nesse caso, seria possível acompanha-las em um tour pela escola? Talvez após chegarem.
- Seria ótimo, mas é melhor deixa o tour para depois das aulas. Durante o almoço está bom? – Kyoya concorda com um aceno e amplia o sorriso.
- Vocês dão mesmo valor ao estudo. Que maravilha! – Haruhi sorri encantada.
- Nós procuramos nos esforçar para ter um bom convívio escolar, afinal, nosso aprendizado depende unicamente de nossa vontade e ninguém faria isso em favor. Do contrário, nós seríamos prejudicadas futuramente.
- Mas vocês não têm dinheiro para pagar professores particulares? Não são obrigadas a vir para o colégio. – Kaoru sugere, surgindo atrás de Haruhi ao lado do irmão e se apoiando junto a ele no encosto do sofá.
- Vocês podiam simplesmente pagar por seus diplomas até. – Hikaru ri, mas antes da moça repreendê-los eles sentem uma aura negra em frente.
- Lhes parece engraçado pessoas que não nasceram ricas tentando alcançar os seus próprios objetivos sem a ajuda da família? – Linh se vira aborrecida.
- Não, de jeito nenhum! – os gêmeos recuam e Suzu resolve interferir.
- Bom, eu acho melhor nós irmos embora. – ela se levanta com um meio sorriso e as duas a seguem – Nós só viemos conhecê-los e nos apresentar. Não vamos tomar mais tempo do clube.
- Amanhã retornaremos com Aika e Aiko. – Maiko sorri, acenando para Honey antes de ir.

As três caminham pelo pátio de entrada, acompanhadas apenas pelos olhares dos anfitriões e de curiosos. Quando elas somem de vista eles se distanciam da janela e se espalham pela sala.

- Então, quais são as opiniões? – Tamaki cruza os braços e pernas após sentar numa cadeira e deixa os amigos refletirem.
- Eu gostei delas. – anuncia Honey se jogando na poltrona mais perto para brincar com os braços do coelhinho.
- Eu também. – Mori concorda – Elas parecem boas garotas.
- Também não tenho nenhuma queixa. – Kyoya permanece de cabeça baixa escrevendo algo – pelo menos por enquanto. Até amanhã eu terei todos os dados que precisamos saber sobre elas.
- Procure também informações sobre as gêmeas. – os irmãos pedem.
- Vocês não acham que ao invés de procurar detalhes pessoais das vidas dessas garotas com investigações secretas seria melhor perguntarem diretamente? Para mim elas não parecem ruins.
- Não é bem essa a questão, Haruhi. A prioridade aqui é descobrir o motivo que levou nosso corpo familiar a escolhê-las como nossas noivas.
- Na verdade essa é só uma justificativa sua, certo, Kyoya-senpai?!
- Oh Haruhi, você parece mesmo ter se entendido bem com elas. – Tamaki comemora – Isso me deixa feliz! Ficaram amigas?
- Um pouco. Elas me contaram que são amigas desde os seus cinco anos. Ou melhor, desde que a Mai-chan tinha essa idade, porque ela é a mais nova.
- “Mai-chan”? Então vocês já se confraternizaram? Teve algum ritual?
- Por que isso parece deixa-lo tão feliz, Tamaki-senpai? E como “ritual”?
- Nenhum motivo em especial. – ele tosse para disfarçar – Mas Haruhi tem razão. Kyoya, as informações que nós queremos podem ser mais facilmente conseguidas se nos aproximarmos do grupo das garotas como amigos, o que também pode fortalecer a ligação como noivos. Precisamos de alguém para nos dar um passo de vantagem na missão.
- Por que está agindo como se fosse uma missão secreta de alta periculosidade? E por que está se envolvendo no caso como se também estivesse noivo?
- Como o rei deste Clube de Anfitriões, é meu dever cuidar de todos os membros com todo o meu coração e das belas donzelas, para que não sejam vítimas de sua sádica curiosidade sem fim.
- Decida de que lado você está! – os gêmeos reclamam.
- Eu já resolvi! – o mestiço grita de repente a aponta para a única moça no recinto – Haruhi vai se infiltrar entre as noivas dos anfitriões e nos trará várias informações úteis.
- Eu me recuso. – ela devolve imediatamente e o deixa paralisado – Está claro que seu único interesse nisso é ver a mim sendo influenciada a usar saia só por andar com elas, não é, senpai?!
- Ela descobriu rápido. – os Hitachiin gargalham enquanto Tamaki senta em um cantinho.
- Mas... – a heroína reflete – Eu gostaria sim de ser amiga delas. E aposto que o meu pai ia gostar dessa ideia também.
- É claro que sim! – o rei logo se levanta – O papai quer muito que você tenha amigas!
- Eu estava falando do meu verdadeiro pai, Tamaki-senpai. Eu pensei que nós já tínhamos resolvido esse caso quando concordamos em manter a nossa relação apenas como amigos.
- Sim, está certo. – ele encolhe as mãos contra o peito e recua, fazendo círculos com os dedos indicadores um tanto triste – Poda tirar o “apenas”. – sussurra aborrecido.
- Então nós estamos de acordo sobre o seu envolvimento com aquelas moças. – Kyoya sorri cruelmente – Saiba que o tempo em que ficar fora do clube para se aproximar delas irá interferir diretamente no número das suas clientes, portanto na sua dívida.
- Muito obrigada pelo lembrete. Mas mesmo que eu consiga informações sobre elas, agindo como espiã, no final vocês mesmos precisarão conhecê-las melhor.
- Tudo ao seu tempo. Amanhã nós teremos oportunidade de conhecer as noivas dos gêmeos.
- Elas não são nossas noivas! – eles berram de braços cruzados, mas a mãe do grupo ignora.
- Haruhi, você vai tentar ser amiga delas. Nos dê uma dianteira e esconda sua identidade.
- Está bem. Eu farei o possível, mas não posso prometer nada.

Continua...

1 comentários:

Kath disse...

Hmmm... Eu gostei da história~~ É muito bem escrita, só acho que a letra deveria ser maior.
Ah, e talvez eu irei acompanhar, apesar de ser eu preferir romances com a Haruhi ^^

otakudokidoki.blogspot.com

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