terça-feira, 23 de julho de 2013
Cap. 3
Cap. 3
A Sensitiva
Quando reencontramos velhos amigos, a recepção costuma ser constrangedora pela longa e cruel data inusitada após uma espera extensa de reunião desejada. No final, as lembranças fazem o seu trabalho de tornar a amizade contínua e feliz. Por outro lado, não está sendo bem assim nas últimas duas horas na casa de Katrina, onde os matreiros Killua e Gon comem sem parar os bons quitutes da anfitriã enquanto julgam grosseiramente a decisão solene de Korapaika para ficar só.
Leório, o amigo mais velho, se delicia com um café feito na hora e, embora mais educado, se obriga a concordar com os mais novos sobre a atitude egoísta dele. A pobre moça se encolhe sobre o estofado da poltrona a cada grito sequenciado de uma espalmada nas costas de Gon, como meios abusivos de enfatizar suas reclamações, e Killua mal se dá conta do vergonhoso papel que faz. Em feliz interrupção, Korapaika o avisa para baixar o tom de voz na presença de Katrina e ele obedece.
- Concordo que foi precipitado não ter entrado em contato com vocês durante tanto tempo, e peço desculpas, mas não era necessário causar tanto tumulto. O que Katrina vai pensar?
- Tudo bem. – ela sorri encabulada e balança a mão – Na verdade, estou acostumada com as atitudes igualmente explosivas das minhas amigas, então isso não me constrange muito.
- Mesmo assim, nós sentimos muito por essa invasão de última hora e pelo comportamento grosseiro dos meninos. – Leório olha meio torto e Killua desce um dos pés do sofá.
- Está tudo bem, mesmo! – Katrina sorri mais aliviada e então ri – Vocês me lembram delas.
- Kelly e Gene parecem mesmo. – o médico sorri – Na verdade faz tempo que não as vejo.
- Você disse que a Liana te deixou vir antes com Killua e Gon para acompanha-las no voo. – Korapaika diz bebericando seu chá e apreciando o bolo de chantilly.
- Sim, elas não devem demorar. Liana queria muito vir comemorar seu aniversário.
- Sinto mais saudades dela. As meninas me visitam constantemente, quase mês a mês. – ela ri – Como posso me sentir solitária? Mas e vocês garotos? Nunca as viram até hoje?
- Não, mas o Leório diz que vamos gostar delas. – Gon sorri, se debruçando atrás de Killua.
- Talvez o Killua não se dê muito bem com a Kelly. – Leório comenta cruzando as pernas e puxa uma risada dos demais – Sendo tão esquentados...
- Ela é braba assim? Se for, é melhor nem me apresentar!
- Não se preocupe Killua. – a loira estende o prato com biscoitos caseiros na sua direção e os dois menores enchem novamente os pratos – Kelly é tímida quando se conhece melhor.
- De qualquer forma precisamos esperar as três para irmos ao cinema. – o médico suspira – Liana alugou a casa de um casal aqui do condomínio, que saiu de férias. Quando chegarem, elas podem deixar as malas lá e virem direto para cá.
- Ah sim, é a casa dos Kenedy, não é?! Eles saíram de viagem tem algumas semanas.
- É essa sim. Ponzu e Pokkuru Kenedy. – ele suprime um riso diante o choque de Korapaika.
- Ah bom, então ficarão confortáveis. A casa deles é grande, embora pareça pequena por fora. Tem três quartos! – ela e Leório riem – Sendo assim, por favor, sintam-se a vontade. Eu vou até o quarto de hóspedes do andar de cima para prepara-lo até a chegada das meninas. – eles a esperam ir e ao ouvirem o som da porta batendo no andar de cima Korapaika franze o cenho.
- O que está acontecendo Leório? Por que Pokkuru e Ponzu estão aqui?
- Não estão mais. Eles saíram de férias, não ouviu? – o loiro contorce o semblante e o faz rir – Tudo bem, me ouça: a Ponzu e o Pokkuru se casaram, faz algumas semanas.
- Casaram? – ele considera a notícia – Bem, eles se pareciam. E a viajem foi à lua-de-mel?
- Mais ou menos. Eles foram para a NGL fazer pesquisas da vida selvagem.
- Você ainda não me explicou por que eles estão morando aqui e como conhecem a Katrina.
- Eu não tenho certeza se é coincidência, mas é importante você saber, Korapaika, que quase todos os membros do Exame de Caçador que a gente conheceu estão morando neste condomínio. – Killua anuncia – O Gon e eu vimos o careca fazendo exercícios no jardim da casa no fim da rua.
- Ah meu Deus. – o loiro afunda as costas no sofá – O careca por acaso é o Hanzo?
- Ele mesmo. – Gon confirma – E também vimos aquele treinador de macacos Somi, os três irmãos Mori, a Anita e o Tompa. – Korapaika torce o pescoço e senta com rapidez.
- Tompa?! Essa é boa. Só falta vir o Hisoka ou Illumi para nós voltarmos à época do teste de Caçador. Senhor Netero não me disse nada. Qual o interesse deles se mudando para cá?
- Não teria alguma coisa a ver com a Katrina? – Killua questiona em voz baixa e o clima se enche de tensão – O que o primo dela te disse antes de você vir parar aqui?
- Pelo visto o senhor Rippo os informou bem. – ele suspira – Não muito. Kenan foi discreto.
- Com certeza deve ter algum mistério envolvendo essa garota. – Leório retira uma flanela do bolso e limpa os óculos – Liana nunca me contou mais do que o suficiente para satisfazer meus questionários sobre a tribo Karita. Ter uma amiga que descende desse sangue poderia esclarecer a maioria das dúvidas públicas, e se for verdade a história sobre a Ilha Rosa Cercante possuir várias joias preciosas espalhadas em todo o território, isso poderia servir de justificativa para todas essas pessoas estarem aqui. – ele recoloca os óculos no rosto e apoia os braços nos joelhos.
- E o que a Liana te contou? – Gon se apressa em perguntar, afinal sentando na poltrona.
- Se tratando do seu próprio território, os Karita são experientes e ligeiros. Podem percorrer as longas distâncias das trilhas da floresta e, mesmo sem muitos passatempos, ninguém fica mais do que oito horas na cama. – Killua faz uma expressão de desagrado e treme, despertando um riso coletivo – Mas... – eles voltam a ficar sérios – Eles odeiam estrangeiros. É natural se pensarmos o tamanho mal trazido pelos turistas de fora da tribo. A ilha é o mundo deles. Sendo Katrina a líder, os membros restantes deveriam ter protestado solenemente contra a sua saída.
- Mas foi o próprio primo dela, o futuro líder, que me pediu para protegê-la. – Korapaika se debruça sobre as pernas – As suspeitas de que o Genei Ryodan estaria atrás dela fizeram seus tios, os pais daquele Kenan, a mandarem para longe. Eu mesmo acompanhei o senhor Netero e o grupo de examinadores do nosso teste quando soube que eles iriam de Zepelim até a ilha para guiar essa garota até este condomínio escondido. Ela só não me viu porque eu fiquei escondido.
- E por que foi se esconder? Se você ia encontra-la mesmo, seria melhor ter se apresentado...
- Não é tão fácil assim, Killua. – o loiro o corta – O senhor Netero achou melhor que minha apresentação fosse feita de outra forma. Ele e os ex-examinadores apareceram para Katrina como amigos do seu tio, que cederiam um espaço no lugar onde moram e cuidariam de confortá-la pelos próximos meses até o Genei Ryodan perder seu rastro. Se eu me apresentasse do mesmo jeito, ela não teria o mesmo conforto comigo em relação agora, quando pensa que sou um amigo do marido da sua amiga. – Leório senta mais confortavelmente no sofá e sorri.
- É. Você tem mais vantagem nesse caso, porque somos quase uma família quando fala isso.
- A Katrina mostrou algum dom, alguma habilidade para você?
- Não Gon. Se ela tiver mesmo algum dom, e espero que não tenha, porque isso dificultaria a minha proteção se o interesse redobrasse, poderá me mostrar quando sentir confiança em mim.
- Então podemos aproveitar a festa de aniversário dela para deixa-la mais a vontade. – Gon se anima e levanta do assento – Ei Killua, vamos ajudar ela arrumando a casa!
- Ah, qual é Gon! – ele apoia o queixo na mão – Eu não tô a fim de ficar limpando o chão a essa hora da manhã. Nem nunca, pode esquecer.
- Nesse caso, venham os dois me ajudar a cuidar das rosas do jardim. – o loiro se levanta – A Katrina preza muito as flores. Ela já queria colher algumas para estrear seu vaso novo na mesa de jantar. Eu vou colher as rosas e misturá-las um pouco e vocês regam.
- Isso eu posso fazer. Mas você não acha que vai ser estranho nós sairmos com essas amigas dela, Korapaika? Fora a Liana, a gente não conhece mais nenhuma.
- Pode ficar tranquilo Killua. Katrina conversou com as amigas. Na verdade, acho que deve ser esse o motivo delas terem apressado o voo, se só iam chegar aqui à noite.
Dando de ombros, os meninos o seguem para o jardim e, calmamente, começam a trabalhar enquanto Leório se dispõe a arrumar os livros de Katrina em ordem alfabética. Meia hora depois, Korapaika reuniu as rosas mais lindas para um buquê glamoroso, multicolorido, mas, insatisfeito, ele volta a se ajoelhar no chão para cortar com a tesoura uma rosa vermelha solitária, próxima aos arbustos. Cansado, Gon ajuda Killua a retirar a última erva-daninha teimosa do jardim.
Após muito puxar, os dois caem para trás e começam a reclamar por baterem as testas uma na outra, paralisando quando vêem duas sombras cobrirem seus rostos.
- Dá licença. – a garota mais baixa do trio de pé no portão sorri – Vocês são os jardineiros?
- Gene, eles são Gon e Killua. – a mulher de altura média, muito bonita, com cabelos da cor verde-mar se pronuncia – Como vão meninos? Faz tempo.
- Liana! – eles se levantam e a cumprimentam com apertos de mão, mas ela fica insatisfeita e os abraça mesmo estando sujos.
- Que saudade! Nem pude vê-los antes de virem para cá. Já sabem da Kelly e da Gene?
- Sim. – Gon responde e dirige a sua atenção à jovem de cabelos longos e castanhos, como a cor dos olhos – Muito prazer, eu sou o Gon. Você é a Gene?
- Sou. – ela sorri amavelmente e aperta sua mão – E também sou a mais animada das duas.
- Obviamente, porque a titia dos olhos puro mel aqui fica uma arara quando alguém fala a verdade sobre ela não ser muito magra. – ri a garota de cabelos medianos azuis, olhos dourados e de altura média, jogando por cima dos ombros uma mochila.
- Kelly, eu apreciaria se guardasse seus comentários só para você. – Liana range os dentes.
- Eu sou o Gon e ele é o Killua. – o rapaz permanece quieto até o mais baixo cutuca-lo.
- Ah, oi. – ele diz meio atônito – Sou o Killua...
- Já ouvimos. – Kelly interrompe – E também sabemos seu sobrenome: Zaoldyeck.
- Leório nos contou tudo sobre vocês e o Exame de Caçador! – Gene prossegue com alegria – Ei Gon, é verdade que você fez o seu adversário nas finais desistir de lutar apenas cansando ele?
- O Leório disse isso? – o pequeno ri torto – Não foi bem assim.
- Ora, esqueça! Leório tem a mania de trocar detalhes importantes de uma história pela sua versão. – Liana ri – A propósito, foi o Hanzo que vimos naquela casa branca no fim da rua?
- Provavelmente. – Killua se entreolha com Gon e os dois suspiram.
- E você, quem é? – Kelly finalmente percebe a presença do loiro atrás dos outros.
- Sou o Korapaika. Muito prazer. – ele abaixa a cabeça levemente em reverência.
- Você é o Korapaika? – a moça volta a questionar e o olhar minuciosamente.
- Algum problema? – Liana e Gene emanam tensão diante da análise silenciosa de Kelly.
- Nenhum. – mas embora diga isso, seu semblante sério diz o contrário – Cadê a Katrina?
Antes que qualquer um responda, ela sai marchando porta adentro com a mala e é seguida devagar por Gene. Liana deixa os garotos passarem na frente e sorri ao ver o loiro ofertando, com a máxima gentileza, o braço para guia-la até a porta. Quando Leório nota as garotas correndo até o andar de cima, deixa os últimos livros sobre a estante e se aproxima da entrada a tempo de olhar a bela esposa atravessando o tapete de boas-vindas e abandonar a mão de Korapaika.
- Oi amor. – ambos sorriem e se abraçam – Então elas trouxeram as malas logo?!
- É. – ela aproveita o abraço e alinha os cabelos do marido – Ah Leo, está cheio de poeira.
- Ah, é que eu estava organizando os livros da Katrina.
- Ai, pelo amor de Deus! Eu acho bom você gostar tanto de ler, mas largue os livros agora e pense mais nas nossas férias! É o aniversário da Katrina e precisamos comemorar.
- Férias? – Korapaika se aproxima do casal – Que férias? Vocês vão ficar mais tempo aqui?
- Você ainda não disse a ele? – Leório dá de ombros e Liana suspira, se voltando ao loiro – É Korapaika. Nós vamos ficar nesses seis meses, junto com vocês.
- Não estou reclamando, mas eu posso saber o motivo? Sabem o que eu estou fazendo aqui?
- Sabemos sim, o seu trabalho, mas entenda... Eu não posso deixar Katrina sozinha.
- Ela está comigo. Garanto que estará bem protegida enquanto estiver por perto.
- Sei que você é forte, mas pode lidar com todos esses Caçadores andando livremente lá fora? – ele franze o cenho e a mulher sorri ternamente – Quando o senhor Rippo nos telefonou e avisou ao Leório sobre toda essa gente cercando ela, nós precisamos comunicar aos outros. Os garotos se sentiram felizes porque queriam te ver, mas, assim como eu, Kelly e Gene temem pela segurança e o bem-estar da Katrina. Ela não faz ideia de que está sendo visada neste condomínio. A sua vida corre risco, e mesmo confiando em você, assim como confiam os Karita, quero estar aqui.
- Está bem, mas não podem levantar suspeitas. E... Quero perguntar uma coisa. – Liana faz um aceno e espera – Os outros Caçadores também estão aqui por causa dela. Por quê?
A mulher contorce o semblante e olha para os lados, se certificando de estar a sós com ele e Leório. Confirmando a ausência dos outros, ela chama com o indicador para que os dois a sigam e eles se trancam no quarto de hóspedes da sala de estar, onde o loiro está hospedado. Leório arruma uma cadeira e a oferta à esposa enquanto senta sobre o baú no pé da cama ao lado do amigo.
- Eu deveria manter essa informação em segredo. Mesmo que por muitas justificativas você tenha o direito de saber, Korapaika, também existem vários motivos para esse segredo permanecer secreto. Então, antes de contá-lo, preciso ouvir os dois prometendo não revela-lo a mais ninguém!
- Eu prometo. – os dois falam ao mesmo tempo firmemente.
- Ok. – Liana suspira – É o seguinte... Os dois já sabem que os Karita se envolveram com os turistas de anos atrás, os primeiros a visitar a Ilha Rosa Cercante, antes de ela virar uma reserva ambiental, certo?! – eles confirmam com as cabeças – Pois bem... A Katrina herdou a doença que a sua antepassada adquiriu por contaminação de um dos homens naquele grupo, e devido esse seu corpo fraco ela não pode se emocionar demais. Acontece que... – ela suspira novamente – Katrina, embora viva uma vida o mais normal possível, anda em constante ameaça. Não é apenas por essas perseguições, seja de Genei Ryodan ou pelos Caçadores lá fora. O motivo de tanta agitação é bem maior do que apenas captura-la para contar a localização da tribo Karita.
- Então conte logo Liana, por favor! – o loiro quase implora.
- Bem... Quando eu me refugiei na Ilha Rosa Cercante, era uma adolescente que trabalhava como garçonete em uma lanchonete do interior. Fiquei até surpresa quando a Gene me disse onde os pais trabalham. – os três riem – Um dia larguei o emprego, peguei um cruzeiro e foi fugindo de um homem bêbado durante a noite que me perdi na floresta dos Karita. Fui aceita por ter um bom conhecimento de erva medicinal, a técnica ensinada pela minha mãe, uma curandeira-parteira.
- Abençoada seja a sua mãe e maldito o homem que te perseguiu.
- Leório. – ela o repreende aos risos, mas volta a ficar séria quando eles cessam – Na época o meu serviço foi útil para salvar alguns membros da tribo contaminados por veneno, espalhado no ataque do cruel grupo de assassinos que invadiu a região atrás de suas riquezas. Os olhos e a boca dos Karita têm um valor como os da tribo Kuruta. – Korapaika cerra os dentes e os punhos – Bem por isso eles mataram os pais e o avô da Katrina. Naquele tempo não entendemos o motivo e mais tarde descobrimos o quanto alguém do mercado negro pagaria para ter tal raridade.
- Malditos. – o loiro pragueja o alvo sem nome – Sabe quem é esse grupo de assassinos?
- Não era o Genei Ryodan, mas lamento, eu os desconheço. – e passam segundos de silêncio antes de Liana prosseguir – Os tios da Katrina confiaram a mim seu maior segredo e me disseram que ela retém muito poder dentro de si. Aparentemente, a chamada “contaminação” no corpo das antepassadas dela nem era um vírus! Segundo descobri com minhas pesquisas, e os relatos dos Karita, a resistência física das mulheres da tribo é bem baixa, porque elas não costumam fazer um esforço excessivo como os homens, que coletam alimento diariamente e treinam o físico no caso de um ataque. Além disso, pela história, o homem envolvido com a bisavó da Katrina era Caçador. – os homens se surpreendem – Pior: conhecedor de Nen, do tipo Especialista!
- Eu sempre quis ser um Intensificador. – o loiro confessa – Mas ser Especialista é ótimo. E, segundo o Hisoka, usuários da especialização são individualistas e carismáticos.
- Eu me lembro de terem mencionado esse Hisoka. Ele disse isso?!
- Pois é querida. O Korapaika é do tipo que materializa, mas vira especialista quando está com raiva. Se seus olhos ficam vermelhos, esse modo é chamado Tempo Imperial.
- Fascinante. Bom, voltando ao caso da Katrina, é só juntar um mais um! A resistência da mulher era fraca e o homem era Caçador a nível Especialista. Pelo tempo que passei com os Karita, vi muitos rituais deles. O mais importante é o rito de passagem, onde membros jovens escolhem a sua companhia para o resto da vida, quase um pré-casamento, e junto dele o ritual da virgem.
- Não me diga que eles sacrificam uma virgem. – Korapaika fecha a expressão e Leório ri.
- Nada disso, bobos. O ritual de passagem é no exato momento em que a lua cheia fica alta e bonita, mais vermelha no céu. Isso acontece apenas uma vez por ano. Os homens precisam provar que podem se virar sozinhos. Eles fazem provas de desafio, lutando entre si enquanto as moças os observam. No caso delas, as jovens passam por um teste de velocidade. Justamente pelas mulheres terem tendência a nascer com corpo fraco, essa prova determina a sua resistência física também. As escolhidas são julgadas pelos linces e lobos que protegem a tribo.
- Pensei que Kelly quem conseguisse controlar os animais. – comenta Leório.
- Ela pode fazer isso? – o loiro também se interessa – Como?
- A família dela toca instrumentos musicais para enfeitiçar os bichos selvagens, mágicos ou não. Kelly toca flauta. De fato, quando ela foi encontrada pelo pai da Katrina depois de, tolamente, fugir de casa para morar na Ilha Rosa Cercante, os linces e os lobos, as espécies animais que mais predominam na região, jamais colaborariam com qualquer humano. Mesmo assim, o método dos Karita não requer o acordo deles. Pelo menos, Kelly e Gene facilitaram a comunicação.
- Gene? Ela também se envolveu com os Karita?
- Melhor explicar isso mais tarde Korapaika. Você mesmo pode aproveitar a chance de estar as conhecendo agora e perguntar como elas se conheceram. Enfim, sobre o teste feminino... São ao menos sete dias para encerrar o evento, só por causa da prova das donzelas. E onde os linces e os lobos entram nessa história, se perguntam. Bom, os cinco sentidos são usados em uma tentativa de captura básica de um membro do bando ou da alcateia e depois a garota deve colher a rosa que mais gostar, ressaltando a simbologia das cores, para trazer de volta à tribo. No final, os casais se escolhem e oferecem um pouco do seu sangue para ser misturado em um tônico de rosas, que fica guardado em um frasco de vidro até o dia da morte dos dois. Eles são cremados juntos e é o tônico que banhará suas cinzas. É um símbolo do perfume envolvido em vida.
- Isso parece um pouco doentio para mim. – Leório treme e é a vez de Korapaika rir.
- É estranho para quem não está acostumado, mas a verdade é que cada cor de rosa tem um significado, e de acordo com a sua representação os noivos escolhem o tipo de tônico.
- Enfim Liana, qual a relação do ritual com a doença e o segredo da Katrina?
- Simples: Katrina é a virgem do ritual. – ela pausa propositalmente e acha graça das puras expressões de surpresa no rosto dos homens – Como descendente dos líderes, seu dever é dançar e “purificar” os rituais todo ano, no dia 12 de junho. Eu já vi a Katrina em ação. É bem nessa noite específica que ela libera seu poder adormecido, quando a sua pele brilha a luz da lua vermelha. A teoria mais provável é que, como descendente direta, ela tenha herdado todo poder desse Caçador, mas como o seu corpo é fraco não comporta tamanha força.
- Se for assim, esse poder foi repassado a cada geração com o nascimento de uma nova filha.
- Justamente Leo. Acredito que se Katrina se envolvesse com outro Caçador, sua força bem poderia ser repassada a ele e, com o poder equilibrado, uma nova criança seria poupada da doença. Em outras palavras, seu marido deve usar Nen. E ainda mais: ela é muito sensitiva. Sempre tem certeza quando alguém está mentindo. Por isso eu temo pela segurança da Katrina. Os assassinos são habilidosos e querem mata-la. Os Caçadores lá fora eu não sei. As meninas também a adoram, como se fosse sua boa irmã mais velha. Kelly me chama de tia, mas fico feliz por ser da família.
- Existe mais alguma coisa sobre a Katrina que eu deva saber. – Liana nega com a cabeça e o loiro suspira – Muito bem... Agora que eu sei todos os motivos para ela estar sendo perseguida, vou poder protegê-la de uma forma mais específica. Não se preocupe. – ele sorri – E, por favor, eu peço a ajuda de vocês. Vamos precisar tirá-la de casa para os outros arrumarem os enfeites.
- Assim que se fala! – Leório se levanta e os três saem do quarto, indo até a entrada ao ver o pobre Gon sendo puxado de um lado para o outro por Killua e Kelly – O que está acontecendo?
- Eles querem sair e começaram a brigar pela escolha do passeio – Katrina ri -, mas o pobre Gon virou alvo. Ao que parece, Kelly gostou dele, mas não de Killua. – os mais velhos riem.
Continua...
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