A Dona do Pedaço

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cap. 13


Cap. 13
Um Segredo Pelo Seu




{Gabriele Pov’s/quinta-feira}

Finalmente estamos aqui: a cabana de praia do gorila de nariz vermelho. Kojiro só podia ter um parafuso solto quando aceitou que esse troglodita fosse seu técnico! Ken teve bom senso. E ele pode até estar chateado comigo agora por tê-lo raptado de manhã bem cedo sem ninguém saber só pra me guiar por dez quilômetros de distância da cidade, 34 minutos cronometrados pelo celular, até o meio de lugar nenhum, mas vou recompensá-lo mais tarde. Sacrificando a Deise, talvez...

Ken – Como prometido, aqui estamos. Mas o capitão não está por perto.
Gabriele – Nem se incomode em procurar Ken. – rio – Ele deve estar torrando os miolinhos no meio do sol quente, fazendo um treinamento torturante e chato e se remoendo de raiva porque não me escutou antes de sair do Fuji. – Ken não está concordando, mas não esperava menos.
Ken – O que vai fazer? Não podemos sair andando tranquilamente por aqui!
Gabriele – Eu sei. Por isso mesmo, você vai bater na porta do técnico e perguntar onde está o Kojiro. – ele me olha como se tivesse ficado louca – Dê uma justificativa qualquer!
Ken – Como o quê? “Desculpe a invasão, técnico Kira, mas estávamos passando escondidos por aqui e imaginamos se o senhor não saberia onde está o Kojiro pra Gabriele interroga-lo.”?
Gabriele – Essa serve. – rio com sua cara feia – Ah Ken, vamos lá! Eu nunca te pedi nada!
Ken – Tudo bem, mas se alguma coisa der errado, eu digo que a culpa é sua!
Gabriele – Combinado. – empurro-o pra fora das moitas e ele caminha até a cabana.

Daqui consigo ver a fachada da casinha bem estilo japonês, cercada por um muro de pedra com abertura para a entrada e uma placa de referência. Estou a uma distância segura e posso ver e ouvir sem ser descoberta. Ken bate na porta corrediça de madeira e dá um sorriso torto quando o ex-técnico atende surpreso. Ele o enrola um pouco, mas parece que o velho engoliu. Finalmente, pergunta em alto e bom som onde o Kojiro está e o gorila informa: atrás da cabana, na cascata.

Só então me dou conta que, além do som do mar, tem um barulho de água caindo dentro da floresta. Isso parece mais uma ilha deserta... Resolvo ir até a dita cascata depois de o velho gorila convidar o Ken para entrar e tomar um chá. Pela perturbação do rio, o tigre rabugento bem deve estar tomando banho. Nossa... Confesso: eu adoraria ver essa cena! Qual garota não gostaria? Se a Natasha fosse menos grudenta, aposto que uma multidão de feromônios o atacaria na rua!

Provavelmente eu precise de uma permissão dela pra ver Kojiro nu, agora que eles estão aos beijos e abraços por todo canto, mas DANE-SE! Estou aqui para ter uma conversa amigável, pelo menos da minha parte, e se ACIDENTALMENTE os meus olhos escorregarem não tenho culpa! Ah, mas pelo visto ele não está nu. Droga! Quer dizer... Kojiro está treinando, eu acho. A cascata é pequenina, ou talvez nem tanto, e o rio de água doce segue uma reta até desemborcar no mar.

O tigre rabugento está dentro da água, com os pés descalços, entre umas duas “paredes” de pedra traçando uma linha horizontal. Desconsiderando o pouco musgo das pedras, a água de tão limpa reflete o verde das árvores ao redor. E por que diabos o Kojiro está contaminando tudo com os pés só pra jogar uma bolinha amarela de tênis na cascata? Qual o objetivo disso? Eu chego um pouco mais perto e sento numa rocha próxima, mas o bocudo nem percebe. E que boca!...

AI, PARA GABRIELE! Preciso urgentemente de um terapeuta. Mas ele se traumatizaria...

Gabriele – Explica que eu não entendi... – Kojiro vira pra mim com tanto susto que quase o faço escorregar – Qual o objetivo de jogar essa bolinha na água em movimento? Isso é um treino?
Kojiro – O que está fazendo aqui? – recepção muito calorosa – Como achou esse lugar?
Gabriele – Um passarinho azul me contou. Acho que era uma andorinha de rabo bifurcado.
Kojiro – Não estou brincando Gabriele! – ele se aproxima com os punhos fechados – Se meu técnico te encontra aqui, vai acabar se metendo em confusão!
Gabriele – Quanto drama!... Mas se for mesmo isso que ele te passa como treinamento, não me admira ser tão escondido! – rio – Ninguém pode ver essas manobras ridiculamente poderosas!
Kojiro – Ei, o técnico Kira é muito bom! Você deve tê-lo visto se passou pela floresta.
Gabriele – Oh sim, eu vi. Estava com uma pequena garrafinha de bebida nas mãos.

Agora eu o peguei! Está até sem reação depois dessa declaração. Posso me divertir mais um pouquinho antes de chegar ao assunto principal. Não estou com pressa de qualquer forma.

Gabriele – Eu lembro até de já termos conversando sobre ele, há muito tempo atrás, e estou recordando de ter te dito alguma coisa como “o seu treinador era um velho chato e pouco atlético, totalmente preguiçoso e muito arrogante”. Viu? Eu estava certa!
Kojiro – Não é verdade! – ih, ele se exaltou – O técnico Kira é muito esperto e experiente!
Gabriele – E um bêbado frustrado como jogador, que preferiu colocar na sua cabeça e na de tantos outros a ideia absurda do futebol se resumir a mera agressividade ao invés de correr atrás da própria carreira! – é bom ele lembrar que zangada eu fico duas vezes pior!
Kojiro – Andou conversando com Ken e os outros ou passou seu tempo livre pesquisando o histórico fracassado de outros jogadores esportistas?
Gabriele – Ah, pelo amor de Deus, me dê um crédito! – cruzo os braços – Meus pais sempre trabalharam numa empresa de talentos, na agência de modelos com a P.M.E. Seria difícil eu nem ter acesso às informações cotidianas do mundo do esporte! – Kojiro de repente abaixa a cabeça.
Kojiro – Sim... É verdade. – esse estranho ficou quieto do nada...
Gabriele – Qual o problema? – ele se recompõe e me olha compenetrado – Que foi?
Kojiro – Desculpe por aquela briga em Pritt. Fiquei exaltado e disse coisas ruins. Lamento.
Gabriele – Kojiro Hyuga me pedindo desculpas? – rio – Tá aí um milagre inacreditável!
Kojiro – Pois é melhor aceitar agora, porque não vai ouvir isso de mim outra vez!

Corado e emburrado ele fica bonitinho... Ah Gabi! Ele é namorado da Natasha! Não vou me dignar a roubá-lo dela. Kojiro foi porque quis. Melhor entrar logo no assunto de que vim tratar.

Gabriele – Se eu aceitar as desculpas... – começo devagar, sentindo o coração bater rápido – Isso nos torna amigos de novo? – ele volta a me olhar e dá um meio sorriso.
Kojiro – Provavelmente. – desfaz a cruzada de braços – Se você quiser.
Gabriele – Não costumo dispensar amigos... A menos que me traiam.
Kojiro – Eu nunca te traí, apenas quis dar uma chance dos outros se darem bem!
Gabriele – Sei, sei, para proteger sua família. – suspiro, apoiando as mãos na rocha – Posso entender seu compromisso com eles. Também gosto muito da sua mãe e dos seus irmãos. – sorrio no meio da confissão – Compreendo o seu esforço em tentar entrar naquela lista de pré-escalação do senhor Katagiri; cada um faz o que pode e acha melhor. Só não quero distância entre nós.
Kojiro – Não terá distância. – ele amplia o sorriso – Continuamos de bem, mesmo estando a alguns quilômetros de distância. Quero jogar futebol e ainda ser amigo de todos.
Gabriele – Bem... – sinto o rosto esquentar em vergonha – Também sinto muito por ter dito coisas tão terríveis quando nos despedimos. Foi imaturo da minha parte. – silencio um pouco e aí rio – E é bom aceitar as minhas desculpas agora também, pois não voltarei a repetir! Nunquinha!
Kojiro – Tá! – nós rimos e passamos algum tempo nos olhando – Então... Somos amigos?
Gabriele – Sim. – suspiro mais devagar – Amigos. – estico a mão e ele então a aperta.

Demoro a soltar. O calor dele é tão bom. Mesmo estando com os cabelos, os braços e as suas pernas molhados, Kojiro ainda está quente. Fico imaginando por um momento se está feliz com a Natasha. Ele passou todo esse tempo treinando com o técnico Kira e morando nessa praia sem dar nem um pouquinho de atenção a ela. Talvez, por carência, Tasha tenha ficado deprimida em dar o costumeiro alarde de rebeldia contra mim naquela segunda. Quem sabe. Por enquanto...

Gabriele – Kojiro... – finalmente solto sua mão e pigarreio – Amigos não mentem. Certo?
Kojiro – Sim. Pelo menos, na teoria. Por quê? – suspiro e olho para a cascata antes de falar.
Gabriele – Por que estava perguntando ao senhor Ariga sobre o meu rendimento físico?

Ele se retrai. Passei muito tempo trancada dentro de um táxi com o Ken para vir até aqui, o covil de um técnico rabugento e amado tanto por ele quanto pelo Kojiro, pra perguntar ao próprio exatamente isso e nada de resposta! Mais de uma vez, o orgulhoso tigre ofega nervoso e retrai seu pomo de adão, abrindo as mãos incessantes vezes até ter coragem de me encarar de novo.

Kojiro – Por que está me perguntando isso? Ele te contou?
Gabriele – Sim. E estou perguntando por achar estranho o seu interesse repentino.
Kojiro – Temos o mesmo desequilíbrio no lado esquerdo do corpo. – ele ri nervoso – Lembrei que você tinha me criticado por dispensar os métodos de treino do Max, então pensei em ver com o seu treinador novo como estava indo o seu rendimento. – tem caroço nesse angu!
Gabriele – Conte-me toda a verdade. – o Kojiro suspira e finalmente desiste, sentando perto de mim na grama – Por que passou tanto tempo perguntando ao Oliver sobre mim?
Kojiro – O presidente Carlo quer que eu consiga a sua expulsão do time Vita.

Oh... Meu... Não. É sério? Ele está dizendo a verdade? Kojiro nem está piscando. É mesmo real. Inacreditável! Aquele desgraçado quer me prejudicar? AH, QUE RAIVA! Preciso socar um tronco, e a árvore tem que ser resistente, ou vou acabar derrubando ela com raiz e tudo!

Kojiro – Gabriele? – o ouço me seguindo até segurar meu braço – Gabriele, calma!
Gabriele – NÃO ME PEÇA CALMA! – grito inconscientemente e ele me solta no susto – Nunca peça calma a uma mulher! Isso só nos deixa mais nervosas! – rosno – AH! FILHO DE...!
Kojiro – Quieta! – Kojiro tapa minha boca e olha para os lados – O técnico vai te ouvir!
Gabriele – Ele deve estar roncando uma hora dessas! – bufo ao afastar a mão dele – Mas me custa a crer que aquele velho ambicioso e imbecil queira me prejudicar outra vez!
Kojiro – “Outra vez”? – epa, falei merda – Como assim “outra vez”? Ele te fez algo?
Gabriele – É que... – preciso pensar em alguma coisa, rápido – Foi pelo time. A Copa.
Kojiro – Ah tá. Por que vocês não puderam jogar como time feminino de Braja?!
Gabriele – É. – aliviada, eu suspiro e volto a ficar tensa – Kojiro... Você concordou com ele?
Kojiro – Não! – suas sobrancelhas se contraem – Nunca quis te atrapalhar, mas o Carlo, de uma forma indireta, ameaçou a minha família se não concordasse em te espionar!
Gabriele – COMO É? – agora sim estou ainda mais braba – Ele teve coragem?
Kojiro – Quando sentiu que eu estava querendo negar essa ordem, Carlo me lembrou dessa minha decisão de ir para Burguese querendo cuidar da minha mãe e dos meus irmãos. Disse que o sustento deles depende de mim. – agora eu preciso MESMO espancar uma pobre árvore!
Gabriele – Foi por isso que passou tanto tempo neste lugar, não é?! Estava querendo sair de perto dos olhos do Kelvin, com certeza um comparsa do Carlo. – o Kojiro suspira como resposta – Mas eles não dependem mais tanto assim de você. – ele parece surpreso – Eu tenho certeza de que nem sua mãe ou os seus irmãos querem te ver infeliz por causa deles, Kojiro!
Kojiro – Não estou infeliz! Ao contrário! Sinto uma realização quando jogo futebol!
Gabriele – Então jogue pra você, e não para eles! – olho diretamente em seus olhos – Esta é a hora de seguir caminhando na direção da sua vida, pensando um pouco mais em si mesmo! Não precisa deixar de se preocupar com os quatro, mas sua família ficará ainda mais alegre só de ver o seu sorriso! – e sou eu quem sorri, sendo meio triste – Você está contente com a Natasha, certo?!

Novamente, demoro a obter uma resposta. Kojiro nem parece conseguir responder! Qual o problema? Eles estão juntos! Era tudo com o que ele sempre sonhou... Por que está indeciso?

Kojiro – É melhor você ir agora. O técnico Kira não vai demorar a vir me chamar.
Gabriele – Podia ter melhor jeito de dizer que me quer longe. – rio e ele dá uma risada leve.
Kojiro – É porque está quase na hora do almoço e se eu não aparecer...
Gabriele – Tá bom, eu já entendi. – dou de ombros e me preparo para ir, mas sinto o corpo ser puxado para trás de repente e dois braços fortes, os braços dele, me cercando.
Kojiro – Obrigado por estar do meu lado... E me ouvir. – ai meu Deus, eu vou enlouquecer!
Gabriele – Ah... – não sai nada da minha boca, por mais que eu tente, mas por fim consigo afastar as suas mãos devagar, mesmo sem querer, e viro de frente para ele, com o maior sorriso de sinceridade possível – Nada. E... Um segredo pelo seu. – sussurro perto do seu rosto – Carlo tem medo de sangue. – Kojiro dá um risinho e ergue as sobrancelhas – Nem me pergunte como eu sei, mas você pode se utilizar dessa informação e meter medo nele de algum jeito. Dou meu apoio!
Kojiro – Sua mentezinha é diabólica, senhorita Gabriele.
Gabriele – É dever de uma donzela defender seus amigos, meu bom senhor. – nós rimos – E então... Já vou indo. – faço um grande esforço para me afastar dele – Fico feliz de nós termos tido essa conversa. Tava difícil treinar o Vita com todas essas dúvidas na cabeça. – rimos novamente.
Kojiro – Sim, parabéns por ser aceita como capitã do time! – começamos a andar juntos.
Gabriele – Obrigada. – coro – Não é a melhor equipe da casa, mas a gente se esforça.
Kojiro – Como é? – ele está confuso – O Vita não é o time feminino da série A?
Gabriele – De onde você tirou isso? Nós somos da série C! O Pars também.
Kojiro – Mas... – passa as mãos no cabelo – Eu joguei contra o capitão deles, o Iuliano. Ele é forte! Achei que você tivesse entrado no melhor time feminino do Brasil!
Gabriele – Longe disso! Não jogo com os melhores. Esses times masculinos das séries A e B treinam de terça a quinta durante a tarde e nos fins-de-semana. Meu time feminino é o único das escalações da Sonore; não são todas as garotas que gostam de jogar futebol, você deve imaginar! – ele suspira e afirma com a cabeça – Mas tenho esperança de fazer essas meninas melhorarem.
Kojiro – Então por que aceitou entrar na universidade Sonore? Ficou com pena delas?
Gabriele – Não é bem essa a palavra. – sorrio pensativa, juntando as mãos atrás das costas – Elas têm talento, como você mesmo pôde ver. E o time Pars também, segundo me confirmou.
Kojiro – Sim. O capitão Iuliano é bom... Muito bom. Agora estou surpreso por ele estar...
Gabriele – Num time da série C? – rio – Ele tem o mesmo desejo que eu: elevar o nível dos jogadores e jogadoras. Quero fazer o possível por elas enquanto estiver presente.
Kojiro – Como fez com o Hotter? – quase sussurra – Esfregando a taça na minha cara?

Nem consigo controlar: começo a rir. Tinha me esquecido disso! Ou melhor, talvez tenha só trancado a imagem nas minhas lembranças... É bom relembrar os bons tempos. E pelas risadas do Kojiro, deve concordar comigo. Naquela época eu já... Devia estar... Por ele...

Kojiro – Antes que eu me esqueça, soube do seu show no campo de treino. – pisco confusa e só então me dou conta de estarmos na praia, perto da cabana do técnico Kira.
Gabriele – Show? Ah, está falando sobre eu tirar a camisa do uniforme e jogar só de top?
Kojiro – Foi o time do Iuliano quem estava dando em cima de você? – ele está mesmo com...
Gabriele – Ciúme...? – finalizo baixinho, perguntando mais para mim mesma, mas o Kojiro ouviu, ou nem estaria envergonhado – Quer dizer... Ah, o Iuliano iniciou a provocação!
Kojiro – O que ele fez? – talvez essa seja minha única oportunidade de vê-lo com ciúme.
Gabriele – Começou com um assovio e quando eu olhei e vi aquele sorriso sacana dele dei de ombros e fingi que não era comigo, mas ele logo deu um jeito de chamar a minha atenção.
Kojiro – E o que ele fez? – pareço ter conseguido despertar a fúria do tigre sobre um rival?
Gabriele – Tirou a camisa. – seguro uma risada pela expressão nervosa dele – Daí meu time se distraiu completamente, então pensei “se ele pode, por que eu não?”, e deu naquilo. O técnico Philippe ficou louco! Ele sozinho é responsável pelos times da série C. – rio com gosto.
Kojiro – Imagino a cena. – Kojiro ri de leve – Vai tirar a blusa no show antes do desfile?
Gabriele – Não. – torço o nariz – E você devia tentar aparecer com as mangas da camisa do uniforme abaixadas! – nós rimos – Se não estão arregaçadas estão rasgadas. Expondo seus braços assim, os outros jogadores vão ter medo de chegar perto!
Kojiro – Essa é a intenção! – rimos outra vez e ele se aproxima com um olhar esquisito e os dentes a mostra – Isso te incomoda? – sussurra, tocando minhas mãos pelas pontas dos dedos.
Gabriele – Não. – respondo no mesmo tom, completamente perdida nos seus olhos – Eu até gosto. Assim fica melhor de tocar em você.

DEUS! Como é que eu falo isso sem pensar na cara dele?! Esse sol forte fritou meu cérebro! Mas... Kojiro está sorrindo. E esses músculos dele... Seria ruim tocar nos seus braços? É somente uma pesquisa científica! Sobre... Ah, se o rendimento físico dele melhorou! Não vou fazer nada de errado. Só vou tocar nesses... Contornos de pura carne bem trabalhada... Natasha me perdoe!

Gabriele – Será que pode usar a camisa do time assim? – antes de notar, ele já está tocando minha cintura enquanto aliso seus bíceps – Talvez, né?! Você sempre usou.
Kojiro – Pra falar a verdade, as regras não dizem nada sobre isso. – ergo meus olhos.
Gabriele – Então você usaria suas mangas deste jeito mesmo não sendo permitido? – rio – Seu delinquente! – o sorriso dele aumenta até ouvirmos um som conhecido.
- GABRIELE! – merda; tia Talita justo agora?!
Gabriele – Aqui! – grito de volta e me separo do Kojiro mais rápido do que gostaria.
Talita – Por onde você andava menina?! Desapareceu sem avisar ninguém! Lupita e eu te procuramos como loucas até Natasha dar a sua localização! – a Tasha me denunciou?
Gabriele – Claro. – rio e balanço a cabeça – Foram falar com ela?
Talita – Fomos sim. Nunca mais desapareça desse jeito, ouviu mocinha?!
Gabriele – Tudo bem! – e a safada da Lupita ainda ri – Desculpem.
- Que confusão é essa? – puta que pariu; é o técnico Kira!
Talita – Ah, olá técnico Kira. Sinto muito, mas Gabriele acabou entrando sem permissão no seu retiro e nós viemos busca-la. Ela parece ter vindo com Ken. – as duas lançam o mesmo olhar de reprovação e o danado olha para cima, fingindo que não é com ele.
Kojiro – Claro! Só podia ser você pra trazê-la aqui! – ele ri sem jeito e Kojiro ri junto.
Kira – Está tudo bem. Não vou dar queixa a ninguém sobre isso.
Gabriele – Verdade? – sorrio e o velho concorda com a cabeça, colocando as mãos atrás das costas – Maravilha! Olha, não vou falar nada sobre a cabana, a praia, enfim, seu retiro! Palavra!
Kira – Tudo bem. – ele dá um sorriso de lado – Não querem tomar um chá antes de irem?

Talita de repente tapa o rosto com a mão direita. Parece com nojo, ou náusea. Kira tira seus copos com chá de perto dela. Eu me apresso em tocar seu ombro enquanto Lupita passa a mão nas suas costas, tentando aliviar qualquer mal estar. Ela de repente soluça e engole, voltando a sorrir.

Talita – Não, obrigada. Vamos Gabriele! – ela me puxa por uma mão e Lupita pela outra.
Gabriele – Ei, não precisam me arrastar! – Ken vem andando mais atrás e, depois de algum esforço, consigo me livrar do aperto da Lupita para acenar – Tchau Kojiro! Até mais velho gorila!

Ken e o capitão tigre começam a rir enquanto o técnico fica parado com cara de bobo. Talita volta a me repreender. Se ela está tentando ser uma tia mais durona, está conseguindo. Ficou boa logo daquele enjoo... Espera aí! Enjoo com cheiro forte, barriga dilatada... Ela não estaria...? Não. Deve ser bobagem minha. Talita teria nos avisado se estivesse... Mas e se ela nem souber? E o tio Mark? Ah, mas se isso for verdade...! Tenho certeza de que adoraria saber que... Vai ser papai!

Continua...

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