A Dona do Pedaço

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Cap. 8

Cap. 8
Todos no Final Feliz


{Haru Pov's}

- Haru, os bolinhos estão prontos! – a escuto gritar da cozinha.
- Já estou indo! ^^ - respondo do quarto.

Eu nunca pensei que reencontraria a Elie de uma maneira tão simples e inesperada... Estava para dar uma entrevista com vários jornalistas sobre a minha identidade de apresentador de rádio na praça onde eu a abandonei e também onde descobri que havia entrado em estado de coma depois de notícia quando a vi, mas ela me esqueceu. Pior é que não posso punir a mim mesmo.

Não posso simplesmente porque consegui voltar a fazer parte da vida que ela está levando agora, como seu melhor amigo e maior confidente, até maior do que a Melodia, um cargo que conquistei com esforço e com a sorte dela não poder ouvir tudo o que a Elie tem pra contar depois de ter noivado e casado com Música. Na data presente, é aniversário da Elie, da minha querida Elie.

- Nossa, que elegante você está! Preto cai mesmo bem em homens. ^^
- Ah, não diga isso, eu fico sem graça!...
- Mas sem graça é que você fica mais bonitinho mesmo! – sorri.

Relembro do dia em que disse isso a ela, e ela também estava fazendo uma torta na hora. Estamos tentando fazer os doces e salgados antes que todos os convidados cheguem. Elie despeja o conteúdo da tigela numa forma redonda e a solta, se virando pra mim toda suja de farinha e pó de chocolate no rosto, nas mãos e no avental branco com flores vermelhas e detalhes em azul.

- Não se meche; a gravata tá torta ainda. – a segura.
- Eu odeio essas coisas, dá muito trabalho arrumar! uu – ela ri.

É ótimo vê-la voltar a rir. Os caminhos pelo qual passei só pra conseguir dar de volta este sorriso a ela foram complicados e cheios de obstáculos, alguns tão difíceis pra mim mesmo que várias vezes eu tive vontade de contar o papel que exercia na sua vida anterior. O pior deles foi ter que dizer algo quando ela soube que o colar que eu dei de presente se abria, depois de deixar cair.

Lá ela encontrou a foto que tiramos no dia em que viajamos pra Hip Hop que eu nem mesmo sabia que estava dentro e fez um monte de perguntas, cada uma mais enrolada de responder que a outra. Eu não queria mentir, mas não dava pra contar junto que eu havia cometido o pior erro da minha vida inteira e acabei precisando omitir algumas coisas, as que diziam tudo sobre nós dois.

- Muito melhor... – analisa o nó que acabou de dar – Agora, coloca aí pra mim a forma no forno Haru. Eu vou subir e me arrumar.
- Por quanto tempo? – olho de novo para as escadas e ela não está – Elie?

Não reparei que ela subiu tão rápido. Ponho a forma no forno e subo as escadas atrás dela. A casa que compramos não é tão grande afinal de contas, mas espaçosa o bastante para receber o grupo de convidados. Logo que Música e Melodia foram morar no mesmo prédio do cara gay que me disse os detalhes sobre a infância da Elie no dia em que fiz aquela besteira, ela ficou assustada.

Ela tinha passado toda a vida morando junto da amiga e ia ficar sozinha. Lembrei do quanto ela tem medo de trovões e obviamente não iria permitir que ela passasse todos os dias se sentindo solitária e com medo. No mesmo minuto eu me ofereci pra morar com ela em outro apartamento, e ela aceitou. Nem foi preciso impor limites, porque ela confia em mim de corpo e alma.

- Elie? – entro no quarto dela – Elie, cadê você?
- Haru? – escuto sua voz de dentro do banheiro – O que foi?
- "Ela está tomando banho? oo Como é que vou entrar e perguntar?"

Comecei a exercer meu trabalho de veterinário de novo e a trabalhar no zoológico municipal de Hip Hop assim que abandonei o da Ilha Garage, mas como o pessoal que trabalha lá também são meus amigos ainda deixam suas portas abertas para que saiba que posso voltar quando quiser. Não sei se ainda vou ter oportunidade de fazer isso se a Elie está aqui... Esta é sua cidade natal.

- Haru? Ainda tá aí fora? – a escuto chamar de novo.
- Sim, estou... – respiro fundo – Vai demorar muito aí?
- Como assim? Eu acabei de entrar! õõ

Elie virou professora de dança assim que abandonei minha carreira de locutor de rádio, mesmo apesar dela não concordar com a idéia, achando que partiria muitos corações femininos com isso. Já se passaram uns meses desde que nos reencontramos (sendo que foi a primeira vez pra ela de novo uu'), e a única coisa da qual ainda sinto falta é de não poder tê-la em meus braços.

- Elie, quanto tempo eu devo deixar a torta assando?
- O quê? Eu não escutei, será que você pode entrar?!

Basta que ela termine a frase pra já começar a sentir cada um dos meus hormônios entrando em ação. (ò ó Estou morando com uma mulher linda e que eu amo com todas as minhas forças já faz vários dias, então, Deus, me perdoe se eu vou cometer um pecado agora invadindo o território que devia limitar a minha aproximação!) Resolvo avançar o sinal logo de uma vez.

Escancaro a porta e vejo sua sombra dentro do Box. Engulo no seco. Não tenho coragem de abrir esta porta, mesmo que todas as células do meu corpo estejam gritando pra agir. Também, mesmo se eu fizesse isso, o que eu ia dizer depois? (- -' Podia ser "Já dormimos juntos uma vez, vamos fazer de novo?") Luto pra acalmar meu coração e sento devagar no banquinho perto da pia.

{Elie Pov's}

- O que você perguntou Haru? – tento de novo, mas sem resposta.

É mentira dizer que tudo que eu fiz até hoje ao lado do Haru não foi nada mais do que amizade. De uns tempos pra cá eu venho sentido algo diferente por ele, mas não sei se ele também sente algo anormal por mim. É anormal só no sentido de "algo mais", e eu sei que eu tenho um sentimento maior por ele. Meu corpo sua, meu coração pesa, a voz some e eu sorrio já automaticamente.

- Eu queria saber... Quanto tempo vai levar pra assar a torta?
- Ah... Acho que basta você deixar por uns minutinhos, o forno já tá meio quente por causa dos bolinhos, então é só você ficar olhando às vezes.
- Então tudo bem... Como eu acabei de botar, eu vou te esperar terminar.
- Acho que não precisa Haru, eu posso me trocar sem ajuda. ^^ - rio.
- Eu não quis dizer isso! - ri junto comigo.

Pode ser que tudo seja amor, mas se for eu me pergunto também se já não senti nada disto antes por ele. Sei que nos encontramos antes. Ele é o amigo que deixou Música criar o Plue com a gente (e um só mesmo, porque ele só conhecia o Haru do pessoal do zoológico ¬¬) e, segundo o Let, meu anjo da guarda. Melodia já diz que foi ele que me fez companhia na Ilha Garage.

Enquanto ela estava saindo com o recente marido, ele me levava pra sair. A gente conversava, brincávamos, e nas noites de tempestade quem ligava pra perguntar se eu estava bem e me abraçava pra que não sentisse medo era ele. Eu me sinto frustrada por não me lembrar de nada disso! E o pior é que, no momento em que Melodia e Música se mudaram, ele pediu pra morar comigo.

Ele já sabia de tudo isso: dos meus medos, do que me faz feliz, tudo que me entristece e alegra também. O que eu posso dizer que sei dele além do que ele me contou depois que nos vimos na praça central aquele dia? Finalmente entendo o motivo de todos estarem sempre tão tristes quando iam me visitar no quarto de hospital. Nem sabia do peso que uns comentários meus tinham.

A maior parte deles lembrava o Haru, mas eu o esqueci e por isso nem pude supor que fazia idéia de quem ele era se não o antigo locutor de rádio que eu sempre amei. Amava sua voz, ainda amo, e agora tenho certeza de que o adoro a cada dia mais por outros motivos muito melhores. A única coisa da qual eu não tenho certeza é de até que ponto a nossa amizade foi.

Ele não entrou em detalhes comigo quando descobri sobre a foto dentro do colar em formato de coração que estou sempre carregando no pescoço, e sendo que só deixei de usar no nosso reencontro na praça, mas também disse que éramos ligados, que o colar ele mesmo me deu e que acompanhou a mim e Música e Melodia quando viemos pra Hip Hop, dentre outras coisas...

Ele nem contou por que foi embora depois, e talvez ele nem tenha ido de fato. O problema, eu aposto, foi por causa da minha Amtésia. Alguma coisa me forçou a esquecer dele. Eu me pergunto o quê, mas eu sei que mesmo que tocasse no assunto com ele Haru não falaria. Não sei se tivemos algo a mais antes, nem sei se teremos agora, mas é o que eu mais quero.

(¬¬ E acho que se depender dele não vai rolar nada!) Finalmente termino o banho e me enrolo em uma toalha, mas quando eu saio meus olhos caem direto nos olhos dele. Haru estava sentado em um banco dentro do banheiro o tempo todo! Ficamos nos encarando sabe Deus por quanto tempo, até que, sem dizer nada, ele levanta e chega mais perto de mim bem devagar.

Sem pensar em mais nada, meu corpo fica preso no mesmo lugar como se eu fosse uma estátua viva e o que consigo fazer é só segurar a toalha ao redor do corpo. Haru levanta a mão direita, chega até a minha piranha e desprende meu cabelo, que desce deslizando pelas costas por causa da umidade. A mesma mão passa pelo meu pescoço e massageia meu rosto.

Seu polegar sobe do meu queixo pra minha boca e por lá mesmo fica, nas voltas em círculos de um canto ao outro. Posso sentir toda a intensidade com a qual Haru me olha, um desejo que eu também estou sentindo de tocá-lo e de beijá-lo, esquecendo do resto do mundo e de qualquer coisa que não seja cada batida dos nossos corações. Com uma velocidade maior, ele se aproxima mais.

- Haru... – minha boca insiste em se mover, mas só pra pronunciar o nome dele, porque eu perdi o fôlego.
- Shi... – sorri – Não diga nada, não agora.

Sem pensar duas vezes, encosto meus lábios nos dele. Aos poucos sinto a sua língua entrar e brincar com a minha. A sensação é ótima, como se um mel gostoso tivesse sido derramado na minha boca só pra eu provar! Apressando mais as coisas, ele vai me guiando com as mãos agarradas na minha cintura até a cama do lado de fora sem nunca parar o beijo e acaba caindo sobre ela.

Como acabei caindo junto, por cima dele, a toalha se desprende, mas não totalmente, no que dá pra ver um pouco dos meus seios. Haru vidra seus olhos nessa parte e logo volta a olhar pra mim no segundo seguinte, sério. Nas vezes em que o vi sério sempre foram pensando em mim, e desta vez não é diferente: ele está pedindo permissão para tocar no meu corpo com os olhos.

- Haru... – sussurro – Alguma vez eu já fui sua?
- Sim... – ele sussurra também – Uma vez.
- Então, por favor, me faça sua de novo.

Ele sorri com o meu pedido e parece estar tão pouco incomodado com a minha falta de lembranças sobre ele quanto eu, voltando a me beijar. Com um puxão só, ele arranca minha toalha e eu retiro sua camisa, jogo em qualquer lugar do chão e recomeço a beijá-lo. As mãos macias dele vão deslizando pelas minhas costas e eu tiro sua calça, que ele mesmo joga pro ar com os sapatos.

O terno pode ficar abarrotado, mas agora não importa! No momento em que estamos completamente nus, ele desliga o abajur e só então eu percebo que ele já tinha fechado as cortinas e ligado a luz pra clarear. Solto um risinho de leve e ele sorri, subindo e descendo as mãos devagar, alternando entre minhas costas e minha barriga. Eu nos cubro com o lençol.

- Não vai se arrepender, ou vai? – ele volta a ficar sério. Esfrego o meu nariz no dele e sorrio, tocando nossas testas.
- Se eu não tiver me arrependido antes, não tem por que eu fazer isto logo agora, não é?! – deito sobre ele, roçando nossos lábios – Se for pra ceder a alguém, eu quero que seja você. – consigo fazê-lo sorrir outra vez.

Voltamos a nos beijar, desta vez de forma mais ardente. Ele troca nossas posições e começa a formar uma trilha de beijos por todos os lugares que deseja. Rio algumas vezes quando sinto cócegas, e ele ri junto, achando graça dos arrepios. Finalmente começo a me sentir segura, querida e amada.

{Autora Pov's}

Elie acorda algumas horas depois, notando que já está de noite. Com um pulo, ela se senta na cama, se enrolando ao lençol, e olha pro relógio em pé no cômodo ao lado: seis horas. No segundo seguinte, após suspirar, dois braços circulam sua cintura e a deitam outra vez, junto com o lençol.

- Ah, Haru... – assusta-se um pouco – Você tá acordado?!
- Sim... – ele abre os olhos e continua massageando suas costas – Por que já acordou? Que horas são? uu
- São seis ainda, mas os convidados chegam às oito. ^^ - sorri.
- Ah, temos tempo ainda... – sorri também.
- oo Mas espera, e a torta que tinha te pedido pra assar?
- Eu desliguei o fogo. Vamos ter que ficar sem torta... Quer que eu te leve ao parque ou ao fliperama agora?
- Haru, nós temos que nos aprontar! – levanta um pouco a cabeça – O que nossos convidados pensarão quando chegarem aqui; a casa vai estar vazia e a anfitriã fora com o namorado? õõ
- ^^ Ora, que eu tenho sorte, e que... – pausa a massagem e olha em seus olhos, surpreso – O que... O que foi que você disse?
- Sobre... Você ser meu namorado? – cora. Ele não responde – Eu já me lembrei de tudo, Haru... Lembrei quem é você.
- Elie... – pequenas lágrimas começam a se formar em seu rosto e, feliz, ele esconde seu rosto entre seus seios enquanto ela o abraça – Você lembrou? E se lembrou de tudo mesmo? Tudo o que passamos, do quanto eu te amo?
- Sim Haru, tudo... – aperta o abraço – E um pouco mais. ^^
- Um pouco mais? – limpa as lágrimas e afasta o rosto – Como assim?
- Eu descobri Haru, o garotinho da minha infância é você!
- oo Eu? Como assim eu? Como é que você sabe?
- Eu tive um último sonho depois de termos ido dormir. Você disse que sempre morou na Ilha Garage, e aquele garotinho disse que ia voltar pra sua cidade natal e dos pais. Quando você me dizia "Eu vou te proteger de onde eu estiver, então, não se preocupe Elie.", eu sempre me lembrava dele dizendo a frase igualzinha quando éramos crianças. Tudo se encaixa!
- Espera um pouco... Agora que eu me lembro, eu morei aqui por algum tempo por causa do trabalho dos meus pais. Eles eram sócios da indústria...
- Detached! – dizem ao mesmo tempo, sorrindo.
- Ah, eu sabia! Essa era a indústria onde meus pais trabalhavam! ^^
- Não acredito... – toca o rosto dela com as mãos – E como foi que passei os últimos anos da minha vida sem você do meu lado então?
- Por causa da falência da indústria, todos os sócios saíram da cidade e nós dois precisamos nos separar. – segura uma das mãos dele, sentindo umas lágrimas virem – A minha primeira reação com a doença foi com você.
- Estivemos procurando o tempo todo por soluções que estavam aqui, bem debaixo dos nossos olhos o tempo inteiro.
- Ah Haru... – enterra o rosto no peito dele – Eu te amo! ç ç
- Eu também Elie... Desculpe, eu sinto muito... Eu te fiz sofrer demais e sei que nunca vou poder reparar o meu erro, não importa quantas vezes eu te faça feliz, mas, por favor, me deixa tentar Elie. – encosta seu queixo na cabeça dela – Eu quero ficar do seu lado pra sempre.
- Eu também. Nunca mais quero me separar de você! ** - riem.

Eles ainda tomam banhos juntos e saem nesta noite para caminhar pela praça central. O vento está gelado, mas como eles estão abraçados ele nem os incomoda. Haru vê as horas no relógio de pulso e nota que não resta tempo. Vira Elie pra ele ao pararem perto dos corrimões da escada pra área comercial.

- Elie, antes de voltarmos, eu quero te dar uma coisa. – seu olhar reflete todo o amor que está sentindo agora junto de seu sorriso.
- Diga Haru, o que é? – devagar, ele tira uma caixinha embrulhada em um papel de presente colorido.
- É o seu presente de aniversário.
- Mas Haru... – segura a caixinha – Você já é o meu. ^^ - ele cora e sorri.
- Vamos, abra! – ela o obedece, contente, mas pára de repente.
- Haru, isto é... – antes que termine de abrir, olha pra ele e percebe que está quase ajoelhado no chão, sorrindo. Elie leva uma das mãos até sua boca e ele aproveita pra pegar a caixinha, rindo.
- Elie... Será que você aceitaria ser a minha amada esposa? ^^
- Haru...! – recomeça a chorar. Ele levanta, tira o anel da caixinha e põe no dedo dela, ainda sorrindo – É claro que eu quero, quero muito! **
- Que bom; então isso quer dizer que finalmente vou te ter pro resto da vida! – riem e se beijam.

Eles ainda conseguem chegar a tempo de se arrumar para a festa. Em sua melhor hora, contam aos amigos e ao avô de Música que estão com a data do casamento marcada. Todos os parabenizam. Eles não podem ficar mais felizes.

~ Alguns anos depois... ~

Um bebê lindo começa a rir do berço onde está deitado, estendendo suas mãozinhas pro ar na tentativa de pegar as estrelinhas douradas e os crucifixos prateados pendurados em um arranjo sobre o berço. Uma sombra se aproxima e o segura no colo, o contente menininho Halie. Sua irmãzinha, Harue, parece também pedir os braços do carinhoso papai com uns resmungos e é atendida.

- Mais como você gosta de mimar as crianças. ^^ - uma voz feminina sai de perto da porta do claro quarto dos bebês. Ele se vira.
- Não consigo viver sem eles, e nem sem você. – aproxima-se e a beija, lhe entregando o pequenino – Elie, depois de termos voltado pra Ilha Garage você acha que pode me esquecer outra vez algum dia? ' ' – ela sorri e o abraça.
- Como eu poderei esquecer quem nunca saiu do meu coração, Haru? ^^

Fim

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