
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Cap. 8
Atores de Papéis Trocados

- Olá querida! – mamãe me abraça com carinho. Mesmo sem entender a razão de ela estar vestindo a farda do exército de terra e ao lado de Roy no meio das ruas de Alcheard, retribuo o abraço com força.
- Mamãe, o que está fazendo aqui? – pergunto por fim. Roy cumprimenta com um aceno. Mei e Sheska estão tão confusas quanto eu, principalmente pelo tapa-olho do lado esquerdo do rosto.
- Roy mandou que seu mensageiro enviasse uma mensagem urgente para que voltasse para Alcheard. O vice-almirante, Envy, o traiu e tomou o controle das forças armadas como almirante no lugar do que se foi em batalha e não retornou! – olha para o lado – Olá Peace! – ela acena. Com as mãos nos bolsos da calça, ele chega perto.
- Estamos disfarçados para ajudar vocês a acabar com este comando falso dele...! – me analisa de cima a baixo – Você é a "Wendy", que foi raptada pelo meu filho depois que assumiu aquele bando?
- Sou!... – respondo com um ar firme – E qual o seu interesse? – ele ri – "Até esse cara vai rir de mim?"
- Nenhum! Mas ela é tão linda quanto você, Riza! – minha mãe sorri.
- "Mamãe está sorrindo? Que negócio é este? E o que ele quer dizer com isso? Por que a chamou de Riza na maior intimidade?" – as novas perguntas começam a atormentar minha mente até Izumi tomar dianteira.
- Agradecemos sua ajuda, e tenho certeza de que a nova capitã não se recusará a aceitá-la!...
- "Sobrou para mim!" – mamãe me encara com uma sobrancelha arqueada e se afasta.
- Capitã? – olha para Izumi – Você não é a antiga pirata Izumi?
- Eu mesma, mas passei meu posto para o Edward depois que o levei!
- E falando nisto, posso saber quais as suas intenções? Meu filho não vai ser um pirata!
- Desculpe, mas ele já virou um! – interrompe Sheska – Ele gosta de ser pirata, de velejar, e isto o senhor não vai poder tirar dele! – o olhar desaprovador que esperamos receber dele não veio, e ao invés ele sorri.
- Eu não quero ver meu filho infeliz; se estão dizendo que esta é a vida que ele quer posso pensar em reconsiderar.
- Mesmo? – recomponho meu ligeiro ar feliz – Quer dizer... Eu também sou capitã por tempo limitado mãe!
- Tudo bem, nós conversamos depois! E quem são vocês?
- Ah, eu sou a Mei e esta aqui é a Sheska. Também somos da tripulação e ficamos amigas da Winry e da Peace.
- Então muito obrigada por cuidarem delas! – Roy põe a mão em seu ombro – O que houve?
- Um grupo da milícia está vindo para cá. Temos que ir!
- Certo! – toca meu rosto e beija minha bochecha – Tome cuidado Winry!
- Você também mamãe! – os dois se viram, mas antes Roy acena.
- Tome conta do meu filho para mim Winry, por favor!
- Sua mãe é um amor, e o Roy não parece ser tão mau! – comenta Mei.
- Ah, cala a boca...! – resmungo. Escuto Izumi, mas não ligo e continuamos.
Sem entender mais nada, entramos no navio escondido entre o cargueiro e os piratas já estão lá. Preciso explicar tudo com uma dor de cabeça imensa de tanto tentar raciocinar o rumo que tiveram as coisas. No dia seguinte, ao mesmo horário, volto ao castelo com Izumi e as outras, fazendo tudo como o planejado. De repente, quando vejo Ed vindo do corredor, as coisas parecem ficar em câmera lenta para mim. Depois de se aproximar ele me convida para ver a vista do parapeito da mais alta torre, a melhor de todas, mas muito a contragosto!
- É realmente lindo! – tento puxar conversa, mas ele só cospe as respostas.
- É!... Muito!... – suspiro profundamente sem que ele veja.
- Você deve ser um príncipe muito talentoso, senhor Edward. Muitas pretendentes...
- Talvez, mas nenhuma delas gostou muito da minha alquimia.
- Por quê? Que demonstração fez para agradá-las?
- Não estava tentando agradá-las; só criava bonecas inanimadas que acabavam atacando elas!
- "E isto, com certeza, não foi de propósito...!" – sorrio sarcástica – E poderia me mostrar uma alquimia?
- Agora estou sem vontade, me desculpe! – olha para o outro lado e apóia o cotovelo no parapeito. Viro a cara e bufo nervosamente, com uma veia visivelmente se formando em minha testa. Ele se vira e eu volto a sorrir – Qual o problema? Não está gostando da paisagem?
- Não! Está tudo ótimo!... – faço uma pausa – Mas... Eu notei que o senhor anda um pouco triste e distraído.
- Ah... Quanto a isto não é nada, não se incomode. – abaixa a cabeça.
- "Agora eu estou ficando preocupada! Ele está doente?" Por favor, me diga. – ele me encara surpreso – Eu gostaria muito de ajudar! – apesar de confuso, ele suspira relaxado.
- Você é gentil, mas o que eu sinto é algo que não posso te confessar e nem a ninguém.
- Você ama outra pessoa? – a expressão dele muda – Uma garota? – ele cora – "Bingo!"
- Bem... – sorrio e desencosto – Aonde vai? – quase sussurra.
- Não importa que goste de outra – volto-me e sorrio antes de sair -, eu saberei te fazer me amar!
Passa-se o tempo e fica de noite. Nem a tia Ross, que está tão triste por minha causa, me reconheceu!... Segundo ela, desde que se descobriu que o Ed era o príncipe Edward, ocultaram o fato dele também ser o pirata Edgar para que várias pretendentes aparecessem, mas ele sempre recusou todas de cara. Se eu fosse mesmo uma condessa que não o conhece e quer casamento sem interesse, cometeria suicídio antes da lua-de-mel com o silêncio ao qual ele me prende!
Observando agora, talvez Edward queira mesmo um golpe do baú. Ele não tem a menor vontade de casar! "Devia estar louco para deixar a realeza!" foi bem a primeira coisa que pensei, entretanto se alguém fosse julgar em nosso lugar, nenhum de nós dois queria casar sem antes saber como seria a pessoa com quem seríamos obrigados a passar o resto de nossas vidas. Quem não pensaria assim? Claro que teria que ser uma pessoa de igual situação!... Tarde da noite entro no quarto dele, depois de pegar a informação com o pervertido do Hughes, e o pego só de toalha.
De costas para a porta, ele enxuga os cabelos molhados e ainda está com um ar tristonho. Ele leva um susto ao virar e me ver parada perto da porta, que fecho com um sorriso, mas não parece nem um pouco nervoso.
- O... O que está... O que está fazendo aqui? – gagueja.
- "Retirando o que disse: ele está super nervoso minha gente!" Visitando os aposentos do meu futuro marido!
- E como encontrou meu quarto? – se aborrece.
- Um passarinho me contou!... – ai ele começa a me encarar nervoso, mas no sentido de furioso.
- Só porque gostaram de você não quer dizer que vamos nos casar! Eu não quero ficar com alguém que nem conheço direito por armação de alguém, e eu direi isto ao meu pai!
- Não precisa ser tão rude, afinal, eu sei que você quer alguém para ficar do seu lado!
- Sim, eu quero... – responde após um tempo – Mas que seja alguém que possa respeitar a privacidade do meu quarto até o casamento! – desfaço o sorriso e ele se dirige até a porta.
- "Bom... Pelo menos acertei o princípio!"
- Se não se importa...! – o impeço de terminar de girar a maçaneta segurando sua mão.
- Não precisa casar sem me conhecer! – aproximo-me – "Ele está corando; como é bonitinho!... Espere, eu disse mesmo isto? O plano Winry, lembre-se do plano!" Eu gostaria que você soubesse tudo sobre mim, e eu de você!...
- Teremos tempo para isto...! – segura minhas mãos.
- "Eu sabia! Ele é um pervertido de marca maior! Se fosse verdade..."
- Mas fora do meu quarto! – abre a porta e me joga do lado de fora – Boa noite!
- Ok... – cochicho – Talvez eu precise salvá-lo como eu pensei...! Ele não quer mesmo ser rei!
Continua...
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