A Dona do Pedaço

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domingo, 9 de julho de 2017

Acaso Contra Destino

Cap. 24
Acaso Contra Destino


Melissa – O assunto que quero discutir é sobre os casais dos times, os que ainda não estão juntos. Toni me passou uma mensagem com os nomes dos já formados. Eu sabia que todos seriam atraídos pela nossa volta, especialmente se meu pai aceitasse pagar sua cota de voo, e o bom disto é que agora nós podemos cumprir o nosso objetivo de unir os casais! Foi a razão de eu convencer a Kailane a pedir para sua avó nos deixar preparar essa competição no mesmo dia da inauguração da indústria japonesa da Beyfly.
Max – Espera um pouco! A ideia foi sua? – Melissa sorri travessa – Por quê?
Melissa – Vou explicar desde o começo... Eu analisei todos enquanto estávamos na casa dos Yamari e fiz uma combinação de pares entre os que mais se davam bem; até aí você sabe. Antes de embarcarmos para aquele maldito refúgio de treino, que, mesmo sendo magnífico, eu chamo de “retiro para condenados”, – Max ri – disse às garotas que tinha preparado a minha lista de casais. A maioria já sabia o significado disto, e depois das outras ouvirem delas sobre a minha persistência, aposto que todas ainda esperam um ataque. Elas só não contam que nós dois estamos aliados para investir no plano.
Max – Certo, mas eu ainda não entendi onde entra a competição de talentos.
Melissa – É porque é uma ótima maneira de manter todo mundo junto pela mesma meta: vencer a competição. Não é uma brincadeira; é para os participantes se soltarem e verem que as técnicas de luta podem ser encontradas em qualquer lugar. Você se lembra do treinamento na mansão Yamari? Os meninos duvidaram do cronograma da Nadine e da Hana; até mesmo Gordo e Hiro duvidaram um pouco, pelo que as duas me disseram. Contudo, todos deram o braço a torcer no final, percebendo as diferentes possibilidades de melhorarmos. Queremos repassar isto aos concorrentes do evento.
Max – Sei... Mas como dá para aprender uma técnica de luta assando biscoitos?
Melissa – Ora Max...! – ela ri – Quer que eu te conte um segredo? Você se lembra de quando a gente se viu pela primeira vez, naquele salão da academia da BBA? – ele acena em afirmação – Quer saber como eu derrotei aquele garotinho com quem lutava? Ele era talentoso, embora ainda desordenado. O moleque estava bem aborrecido na hora porque eu conseguia desviar do que ele julgava serem seus melhores ataques, então nos segundos finais pensei: “poxa, talvez eu devesse ensinar um truque legal para o garoto, se ele é empenhado a melhorar”. Ele tinha tendência a atacar o adversário de surpresa, dando muitos giros ao seu redor para confundi-lo, mas eu sabia que seu tempo de espera também era muito grande, então aproveitei a chance.
Max – E que ataque você fez? Desculpe, eu não percebi, o Tyson me distraiu.
Melissa – Eu notei. – o sorriso dela o faz relembrar dos comentários maliciosos do amigo naquele dia, então enrubesce de novo – Bom, uma vez, em casa, eu fiquei com uma vontade louca de comer um bolo, mas não tinha ninguém por perto pra me preparar um. Meu pai estava de folga e as empregadas estavam ocupadas. Daí, com um livro de receitas e as informações guardadas na memória de quando eu as via preparando, resolvi cozinhar. No momento de colocar a massa na forma, percebi que se não nivelasse os dois lados uma parte ficaria mais alta e a outra baixa. Achei que poderia usar isso nas lutas de beyblade. Naquele instante, eu esperei o garoto atacar e então desviei, saltando por cima. Bati meu bey contra o dele, erguendo-o para o alto levemente. Fiz isso mais umas três ou quatro vezes de cada lado, daí ele foi perdendo a força e parando.
Max – Ah, entendi! O equilíbrio dele enfraqueceu!
Melissa – Exato! É como deixar a beyblade num estado de embriaguez. – ambos riem – Depois foi só bater com força contra o bey dele e bum, voou para longe!
Max – Muito legal! E você pensou nisto assando bolo? Quantos anos você tinha?
Melissa – Seis. – o jovem exclama surpreso e animado – Sim, sei que sou demais, mas vamos, pare de me olhar assim ou me envergonho! – Melissa ri e limpa a garganta – Vamos voltar ao assunto. Onde eu estava? Você me fez perder a linha de raciocínio! – Max pensa um pouco, com a mão no queixo, fazendo a moça corar.
Max – Acho que você estava falando que a competição é uma desculpa.
Melissa – Não exatamente. De fato, a princípio eu estava pensando em usar isto só por causa dos nossos amigos, mas depois pareceu uma ótima oportunidade de estimular as pessoas a praticar atividades físicas e mentais. Sem contar que o dinheiro arrecadado das inscrições vai ser doado para um orfanato. Ideia da Diva.
Max – Sei... É o orfanato em que ela estava antes de virar sua irmã?
Melissa – Não. Esse já recebe doações mensais do meu pai.
Max – Bom, então, resumindo tudo, você espera que a gente use o tempo em que nossos amigos vão ficar no Japão, até a competição de talentos, pra unir eles em casais?
Melissa – Yes!Mas se tudo correr como eu espero, nós teremos até mais tempo.
Max – Do que está falando? – a loira morde o lábio inferior, gesto que o deixa um pouco atiçado, e então arrasta outro puff para sentar ao seu lado.
Melissa – Olha só, pra treinar para o evento, nossos amigos já vão se aliar entre si, cada time com aqueles que sentem mais afinidade. O jeito mais fácil de fortalecer esses laços e fazer os pares irem aparecendo é através dos privilégios do primeiro prêmio da competição, que é uma bolsa para três meses de treinamento naquela academia da BBA.
Max – Aquela onde nos vimos pela primeira vez? Sério? – ela acena confirmando enquanto o loiro acha graça da situação – Ei, espera um segundo... Como o prêmio pode prender todo mundo aqui? Ele é um tipo de vale para uma só pessoa, certo?! Não teria razão pra todo mundo passar três meses frequentando a academia, a menos que também tivessem a chance de treinar sem pagar.
Melissa – E aí entra a jogada! Existe uma peça chave neste quebra-cabeça: a bolsa pode ser utilizada por qualquer pessoa, mesmo que não tenha ganhado a competição. Ou seja, se alguém do nosso grupo vencer a disputa, poderá dividir o tempo da bolsa entre os membros das equipes! Todos poderiam treinar contato que se revezassem, e a beleza da coisa está justamente aí! O time ao todo consiste de 44 casais, 28 pra unir se tirarmos os que estão namorando oficialmente: todos os membros dos Blitzkrieg Boys com os do Empire, todos os Majestics com as Specialists, o Brooklyn e o Garland da Bega League, respectivamente, com a Belina e a Helena, do Soul Cycle, aí tem o Michael e a Emily de All Starz mais, na mesma ordem, a Mariel e o Filipe, do Victory Diamond, e por último, mas não menos importante, o Miguel, do Barthez Battalion, e a Milena, dos Guardians Golden. É claro, tem os treinadores noivos, Gordo e Nadine, e Tyson e Hilary também estão milagrosamente inclusos, assim como nós. Mas nosso caso não é milagre.
Max – Sim. – os dois sorriem corados – Você é realmente boa fazendo contas.
Melissa – Se tratando do amor, eu sou o cupido calculadora. – eles riem – Usando os três meses, se o treinamento for em duplas, todos os casais não formados participarão de três aulas diárias cada, e ainda restaria mais oito dias para o ganhador usar. Se fosse eu a vencedora, ainda doaria seis dias para dois casais já unidos e curtiria os outros dois pra mim, mas não posso falar pelos demais. Mesmo assim, estou certa de que nenhum deles recusaria repartir o primeiro prêmio com os 28 pares solitários. O que você acha?
Max – Você parece ter pensando em tudo. – comenta surpreso, erguendo uma das sobrancelhas, e Melissa sorri satisfeita – Lembra que um par desses é o Hiro e a Hana?
Melissa – Ah é! Eles são treinadores, então não vão precisar do prêmio. A Hana até deve contar pro Hiro o que é para ficarem de fora. Bom, isto só quer dizer que sobra espaço para mais um casal formado ficar com três dias de treino especial na academia. A gente pode ver a situação da Hana e do Hiro depois.
Max – E sabe que mesmo dividindo o prêmio não tem garantia de que todos vão aceitar passar mais tempo aqui, né?! Especialmente quem ficar de fora da negociação.
Melissa – Ah eles aceitarão sim. Não iam perder a chance de lutar juntos, mesmo se não for naquela academia. Sei que uns não tiveram a chance de combater exatamente os adversários que queriam no campeonato mundial, então depois dele aproveitaram as chances disponíveis, primeiro na mansão Yamari e mais na frente nas oportunidades de viajarem. Só que essas reuniões não foram suficientes. E antes que diga algo, eu não fui a responsável por proporcionar esses encontros que aconteceram! Eu estava na Rússia!
Max – Eu sei. – Max dá uma risada, fazendo-a sorrir – Mas você não concordava com as garotas que era muito ruim os rapazes só se importarem em jogar beyblade?
Melissa – Eu ainda penso isto. Contudo, numa situação assim, eu tenho certeza de que os meninos vão querer se mostrar na frente das suas pretendentes. É coisa de macho provar que é macho. Na verdade, se for o Tyson, ele vai querer se mostrar de qualquer jeito. – a dupla gargalha, se segurando entre si para não perder o equilíbrio e cair.
Max – A Hilary ia brigar com ele como sempre! Os dois nem parecem um casal.
Melissa – Concordo. A visão é mais ou menos com a de duas mulheres brigando no shopping em dia de liquidação! – os dois riem de novo – Enfim, se você aceitar me ajudar tudo sairá mais fácil. A galera sabe que eu sou de armar grandes planos. Lane me disse várias vezes que quando estou tramando alguma coisa, a minha cara fica maligna e eu dou um sorrisinho malicioso. – o loiro sorri da careta dela – Mas com você ao meu lado, ninguém vai suspeitar, por causa deste seu rostinho inocente.
Max – “Inocente”? – Melissa sorri e acena com a cabeça, afagando os cabelos do rapaz com a mão direita – Pode ser... – Max suspira – Antes, me tira mais uma dúvida: por que você disse que o treinamento na academia é o primeiro prêmio? Tem outro? – a mão da loira, ainda nos fios dele, enrijece antes da própria sorrir nervosamente.
Melissa – Saiu sem querer. Vamos deixar esta ficar como uma surpresa até o dia da competição, ok?! Ah, mas eu quero que você e o seu time se esforcem para ganhar! Vai por mim que vai valer à pena. – o jovem revira os olhos enquanto ela sussurra para si mesma – O acaso não vai atrapalhar esta conveniente ideia de união destinada.
Max – Tudo bem. E agora que já falamos dos outros, vamos aproveitar o resto do tempo para ficarmos juntos. Eu ainda não matei toda a saudade acumulada ano passado.

A cantora fita-o surpresa, todavia termina sorrindo marotamente como ele e salta sobre si para beijar seus lábios. No andar de baixo, Hilary briga consigo mesma para ter paciência ao ensinar seu namorado algumas lições geográficas. Tyson, por sua vez, bate os dedos sobre a mesa da sala, onde está apoiado como ela, e faz careta.

Tyson – Qual é Hilary! Neste ritmo eu vou desistir da competição.
Hilary – Não vai mesmo! Anda Tyson, não é uma pergunta difícil!
Tyson – E qual a razão de saber o tamanho da população da capital da Espanha? – resmunga pondo a bochecha esquerda sobre a madeira fria.
Hilary – Eles podem perguntar isto no teste de estudos sociais da maratona.
Tyson – Mas nem estamos entre esse povo... – prossegue choramingando.
Hilary – Estamos sim, em um momento durante os campeonatos mundiais.
Tyson – Você diz isto porque agora é de um grupo de lutadoras, mas antes só era a bagagem que tínhamos que carregar durante os torneios.
Hilary – Você quer morrer? – ela levanta o punho em ameaça, fazendo-o engolir a seco e sorrir nervosamente, tentando se defender com as mãos na frente do corpo.
Salima – Mal passou metade do dia e eles já estão assim. – a ruiva ri junto de Ray, ambos sentados no macio sofá branco para ver TV.
Ray – Bom, eu concordo que algumas perguntas são meio exageradas. Não acho que exista a probabilidade de nos perguntarem coisas do tipo “como se escreve zero em algarismos romanos”. A Hilary não parece disposta a perder.
Salima – Com certeza é por causa do prêmio. Nós não vamos poder competir e ela não quer ter que passar pelo mesmo sofrimento do ano passado. Nenhuma de nós.
Ray – Como assim? – Salima desencosta a cabeça do sofá ao notar o que disse.
Salima – Não é nada, esquece! Hilary, vamos preparar um lanche! – a morena vê a tensão dela e a segue até a cozinha, enquanto o ex campeão mundial senta com o amigo.
Ray – Sou só eu ou elas estão agindo de um jeito muito estranho?
Tyson – Seja o que for, o lado bom é que não são duas Hilarys! – ambos riem – E você ainda não disse para a Salima que gosta dela? – o chinês suspira.
Ray – Não. Ah, eu não sei Tyson. Ela nem está mais usando o brinco que eu dei de presente antes daquela viagem pra Rússia, que devia ser o símbolo do compromisso de ficarmos mais fortes juntos e nos enfrentarmos. – explica chateado, tocando o par do enfeite em sua orelha – Não acredito que isso realmente não tenha significado tanto para ela quanto pra mim. Talvez ela tenha apenas esquecido de colocar o brinco.
Tyson – Seria mais fácil se você perguntasse. Por que não falou com ela ainda?
Ray – Faltou oportunidade. – Tyson o encara com incredulidade.
Tyson – Desde que elas chegaram há uma semana? Fala sério!
Ray – Tá bom, eu confesso, não tive coragem! É que... Quando eu vi os nossos amigos depois de tanto tempo, e pensando até na gente mesmo, se reencontrando uma vez no ano por causa do Campeonato Mundial de Beyblade, e desta vez também pelas garotas... Não sei. Eu sinto como se fosse desperdício de tempo começarmos a namorar agora, considerando que a Salima vai morar definitivamente no Japão com as outras e...
Tyson – Você vive na China? Bom, a distância não atrapalhou os outros.
Ray – É verdade, mas eu não sei se conseguiria suportar isto. E estaria impedindo que a Salima tentasse ser feliz com outra pessoa.
Tyson – Ray, se vocês realmente quiserem ficar um com o outro, a distância não deveria ser um problema. Mesmo se apenas tiverem um dia ou três meses no ano para se encontrarem pessoalmente. – Ray ergue uma sobrancelha e sorri surpreso.
Ray – Que profundidade repentina foi essa, Tyson?
Tyson – Ah, acho que a culpa é daquele livro de história que eu li por curiosidade. É aquele livro azul com um título em alto relevo, que a Kailane deu de presente para a Hilary, e ela deixou pra mim antes de viajar.
Ray – Ah sim, eu me lembro dele! É “O Amor Proibido de Tianlong e Dilong”...?
Tyson – Este mesmo. A primeira vez que vi ele, meu irmão estava lendo junto da Hana, na biblioteca da mansão Yamari. A história é legal.
Ray – E se eu bem me lembro, falava alguma coisa sobre dois dragões que apenas podiam se encontrar e ficar juntos uma vez no ano, certo?!
Tyson – Certo, durante a primavera. – o chinês dá uma risada entristecida.
Ray – Curiosamente, parece que essa também é a única época do ano em que nós estamos perto delas. Começou exatamente na primavera do ano passado, embora Hilary sempre esteve perto de você. Infelizmente, a minha situação com a Salima não é igual.
Tyson – É, mas mesmo assim, se eu estivesse no seu lugar não perderia a chance.
Ray – Ok. – ele pensa um pouco e sorri – Eu vou pensar no assunto. – de repente Kailane desce do segundo andar quase saltando de dois em dois degraus da escada, indo de um lado para o outro dos cômodos de baixo – Ei Kailane, o que aconteceu?
Kailane – Vocês viram o Kai? É muito importante que eu o encontre logo!
Salima – Por que Lane? Qual o problema? – a ruiva chega com Hilary da cozinha, ambas trazendo comes e bebes para colocar na mesa da sala – Você está bem?
Kailane – Sim. Quero dizer, só um pouco nervosa. Alguém sabe onde o Kai está?
Tyson – Ele sumiu logo depois do Chief e da Thalía irem para a sala de jogos, o que foi antes do Daichi e da Diva se largarem dormindo em algum lugar.
Hilary – Mas ele não deve ter ido atrás do Hiro e da Hana, já que os dois saíram para fazer compras. Achei muito cavalheiro da parte do Hiro se oferecer para ir junto.
Tyson – E eu fiquei surpreso dele gostar de carregar sacolas.
Hilary – Ele não é preguiçoso como você. Enfim, o Kai deve ter ido para o rio.
Kailane – “Rio”? Que rio? O que ele foi fazer num rio?
Hilary – Calma Lane. É um rio que não fica longe daqui. Os meninos têm costume de ir lá às vezes para treinar. Pode ser que Kai esteja praticando com a Dranzer.
Kailane – Sei... E podem me dizer onde fica? Eu quero falar com ele agora.
Ray – Eu te levo lá. – o rapaz levanta do sofá – Ah... Quer vir junto, Salima?
Salima – Claro. – ela sorri e bate as mãos para tirar os farelos dos biscoitos que tocou, então os três saem lado a lado.

Minutos de caminhada depois, o trio avista Kai, de fato, treinando com a beyblade logo abaixo da ponte que usaram para atravessar até a outra margem do rio. Mesmo com desconfiança, Ray e Salima retornam e sua amiga desce o barranco de grama. Tomando fôlego, ela o aborda devagar. Contudo, mesmo assim, ao vê-la o bey dele para de girar.

Kai – Kailane? O que está fazendo aqui? – questiona recolhendo o peão.
Kailane – Eu queria conversar com você e Ray e Salima me trouxeram até aqui, já imaginando que poderia estar treinando com a Dranzer. Podemos nos sentar?
Kai – Não se incomoda de sentar neste chão de terra molhada? – ele levanta uma sobrancelha, sorrindo maliciosamente, e ela devolve o gesto.
Kailane – Depois desse tempo todo, você ainda acha que eu tenho cara de quem se preocupa com gostos de madame? – Kailane põe as mãos na cintura, num instante indo até a parede e se recostando nela após sentar, então o jovem, achando graça, repete seu gesto; inesperadamente, o sorriso dela murcha – Preciso contar uma coisa que a minha avó me disse há alguns minutos. E envolve o seu avô. – as pupilas de Kai se contraem.
Kai – Voltaire? Mas... Ele estava desaparecido desde que a BIOVOLT caiu.
Kailane – Eu achava isto também, mas vovó o encontrou. – a moça revira os olhos e aproxima as pernas do seu rosto – Ficaria surpreso ao saber tudo que a empresa Beyfly pode fazer com uma informação. Ou eu deveria dizer os membros da família Beyfly.
Kai – Bom, eu imagino. Então, o que ele fez agora? E por que sua avó o buscava? – a Yamari fita-o pensativa, apertando as mãos sobre os joelhos, o que o deixa ansioso.
Kailane – Na verdade ela não estava procurando por ele. Aconteceu de descobrir a sua localização porque estavam investigando outra coisa. – o receio da garota começa a trazer desconfiança ao Hiwatari, porém ele suspira para se acalmar.
Kai – Kailane, nós já passamos por algo assim antes. Eu sei que tem alguma coisa que não está querendo me contar, mas... Se veio até aqui, é porque você precisa dizer.
Kailane – É verdade, eu preciso. E não quero esconder nada de você, entretanto eu preciso que entenda: estou numa situação difícil. Tenho que omitir certos detalhes.
Kai – Certo, então apenas diga sim ou não se puder responder minhas perguntas. Primeira: o meu avô está ameaçando você ou outras pessoas?
Kailane – De certa forma, sim. Ele se aliou a outro que prejudica a Beyfly agora.
Kai – Ok. Segunda: quem está perturbando vocês?
Kailane – Não posso dizer. – Kai acena em aceitação, vendo-a angustiada.
Kai – Terceira: o que essa pessoa quer? Ele quer a empresa?
Kailane – Sim. Por isto a minha avó me ligou. Ela... – Kailane desvia o olhar por um momento, envergonhada – Ela teve a ideia absurda de salvar a empresa nos casando.
Kai – Como é? – é a vez do garoto corar – Quer dizer... Nós dois, casarmos?
Kailane – É que eu serei a futura dona dos negócios da família, como você herdou a Empresa Hiwatari. Ela acha que se nos uníssemos, daria para combater esse inimigo, porque seríamos mais poderosos do que ele. – os dois cogitam a informação por alguns segundos, sem conseguir se olhar – Desculpe. Minha avó, botando uma coisa na cabeça, é pior que a Melissa. Eu disse que estava sendo precipitada, mas não adianta muita coisa falar com ela se eu sempre tive que obedecer às suas ordens. Não posso chegar impondo as minhas escolhas e achar que ela ia concordar facilmente.
Kai – Bem... Pelo menos isto quer dizer que ela confia em mim.
Kailane – É. Uma vez, no campeonato, ela te perguntou se acreditava que você e seus amigos mereciam a confiança da família Beyfly, e sua resposta foi que acreditava merecerem uma chance de provar. Pelo visto, vocês conseguiram. – os dois suspiram e logo ela se levanta – Quer saber, eu vou tentar falar com os Valem. Eles são ótimos com argumentações. Provavelmente a mãe da Thalía consiga convencê-la do contrário.
Kai – E se não funcionar? – ele também fica de pé e a encara, fazendo-a ruborizar.
Kailane – Olha, eu não gosto de receber ordens, especialmente se forem decidir minha vida deste jeito, mas... Devo confessar que, de todos os planos que a vovó já teve, este não é tão inaceitável. – o Hiwatari não tenta esconder a surpresa e o rubor na sua face ao ouvir isto, causando igual reação nela – Quero dizer, porque já nos conhecemos.
Kai – Sim, claro. Seria pior se fôssemos estranhos. – ambos concordam – Enfim, eu fico incomodado com o fato do Voltaire estar envolvido nesta história. Imagino por que ele está ajudando a prejudicar a Beyfly, só não entendo de que forma.
Kailane – Kai, eu pressinto que o homem por trás disso tudo vai tentar derrubar a nossa família durante a competição de talentos. Eu não posso permitir que ocorra nada de ruim. – a Yamari segura as mãos masculinas com aflição – Por favor, eu te peço, me ajude. Eu sei que não tenho direito de pedir nada a você, ou aos outros, mas...
Kai – Não se preocupe. Eu não vou deixar que passe por isso sozinha. Vou ajudar.
Kailane – Obrigada. – o sorriso dela amplia ao senti-lo retribuir o toque – Eu serei eternamente grata pelo que tem feito por mim e pelos demais.
Kai – Está tudo bem. Todos são meus amigos também. E fazemos parte da mesma família, certo?! – os dois sorriem sinceramente, por um momento se fitando com vigor.
Kailane – É... É melhor nós voltarmos. – ela se afasta decorosamente – Os outros devem estar preocupados, e eu prefiro evitar os olhares maliciosos da Melissa.
Kai – Pode deixar que eu nem pretendo comentar a história do casamento.

Kailane balança a cabeça num gesto de acordo, contudo, ao se virar para andar na frente, esboça uma feição de desânimo e aflição que Kai não percebe. No dia seguinte, enquanto a maior parte dos Bladebreakers está conversando no tatame do dojo Granger, seu técnico lê o jornal distraidamente. Como um furacão cheio de preocupação, Kenny passa pelo vovô Ryu, cuidando das plantas no jardim, e entra na casa.

Kenny – Pessoal, a Hilary e a Salima chamaram todos para ir até o casarão agora! Parece urgente! – o grupo aflito se levanta – Acho que aconteceu algo com as garotas.

Continua...

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